Bebedeiras em postos de combustíveis deixa Joinville mais perigosa

Bebida e volante sempre foi uma combinação extremamente perigosa. Porém, observar pessoas consumindo bebidas alcoólicas em postos de combustíveis se tornou uma cena freqüente. São jovens que após beberem conduzem seus veículos pelas ruas de Joinville. Uma verdadeira ameaça a pedestres e outros motoristas.

Rogério Giessel – rogeriogiessel@hotmail.com

Noite de sexta–feira em Joinville, vários carros adentram as dependências de um posto de combustível. A bordo dos veículos, geralmente jovens com idades que oscilam entre 19 a 25 anos. Eles iram se juntar a outros com as mesmas características para um só objetivo, consumir bebidas alcoólicas antes de partirem para outros eventos na noite joinvilense. A prática é conhecida entre eles como “esquenta”. O perigoso ritual geralmente é regado a muita cerveja, vodca e outras bebidas destiladas compradas no próprio estabelecimento.

Contrariando uma lei municipal que proíbe a pratica da bebedeira nesses ambientes, os adeptos beneficiados pela falta de fiscalização estão presentes em quase todas as lojas de conveniência instaladas em postos de combustíveis. Muitos proprietários são conivente e apostam na falta de fiscalização. Em Joinville, não são poucos os postos de combustíveis que servem como “points” para essa prática, e o que aparenta ser somente ser uma diversão ou uma nova “onda”, representa na verdade um risco a vida de quem trafega pelas ruas nas noites da cidade.

O jovem F.O, 20 anos, conta que os esquentas já fazem parte de sua rotina desde os 18 anos. Ele perdeu um amigo que colidiu frontalmente seu carro com um ônibus coletivo em 2006. “Ele saiu do posto já bastante alterado, muito embriagado mesmo. trinta minutos depois recebemos a notícia de sua morte, ainda estávamos no posto bebendo”, relembra F.O. Diante da tragédia do amigo, o jovem continua consumindo bebidas alcoólicas e dirigindo pelas ruas de Joinville.

Principal causa de mortes no trânsito
Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde não preocupam as autoridades catarinenses e joinvilenses. De acordo com as estatísticas, Santa Catarina ocupa a liderança nas mortes produzidas pelo trânsito. O ministério da Saúde divulgou em 25 de abril do ano passado a taxa média de mortalidade no trânsito.

O Estado está no assustador primeiro lugar do ranking. Ocupa a ponta da lista com uma média de 32,2 óbitos para cada mil habitantes. Na seqüência, estão os estados de Roraima (30,9), Mato Grosso do Sul (30,8), Mato Grosso (30,5), Paraná (28,7) e Goiás (27,4). Os números são de 2005, mas é provável que com a ineficiente fiscalização, pouca coisa tenha mudado.

A medida já foi implantada em Joinville através do projeto de lei número 129/2002, aprovado pela Câmara de Vereadores de Joinville. Em vigor desde 2002, de autoria do ex-vereador do PT, Manoel Francisco Bento. O projeto alterou a lei complementar Nº 76, com o inciso 3º que diz: “Fica proibido o consumo de bebidas alcoólicas no ambiente dos postos de revenda de combustíveis”. Em Joinville, assim como no demais municípios do país, a lei existe apenas no papel e irrita Bento. Segundo o ex-vereador, as autoridades municipais responsáveis pela fiscalização e autuação dos infratores, simplesmente ignoram a lei. “É um verdadeiro desrespeito ao contribuinte que paga seus impostos e tem sua vida ameaçada pelo descaso das autoridades” lamenta Bento.

Policiais consomem em posto
O proprietário de um dos postos, onde é freqüente a bebedeira diz que essa é uma lei de difícil fiscalização. “Apesar de meu estabelecimento possuir uma placa em local visível alertando sobre a proibição, muitas pessoas compram a bebida e consomem aqui mesmo”, alega. O proprietário afirma que chama a atenção de quem desrespeita o aviso, mas, eles simplesmente atravessam a rua e continuam a beber em frente ao posto. O comerciante também faz uma denuncia grave, “Até Policiais Militares em serviço tomam uma cervejinha de vez em quando”.

A Vigilância Sanitária, seria o órgão encarregado da fiscalização. O Ministério Público Estadual (MPE), explica que por se tratar de uma lei municipal, o fato de se consumir bebidas alcoólicas nos ambientes dos postos de gasolina caracteriza-se uma infração administrativa e, portanto, responsabilidade municipal.

Entretanto, a fiscal sanitarista, Geovana Viana Mendes, alega que essas situações geralmente ocorrem no período noturno, e o expediente da vigilância vai até as 18 horas e 30 minutos. “Como a prefeitura não paga horas extras e nem horas plantão, nós não realizamos fiscalização noturna” conclui a sanitarista. Já no comando da Polícia Militar, a informação era de que a PM somente interfere quando há uma denuncia de excessos no consumo de bebidas alcoólicas ou uma solicitação do proprietário do posto. A posição das duas instituições diante do problema deixa claro o descaso com o bem estar e a segurança da sociedade joinvilense.