Um Patrício de Joinville

Mais votado da história política recente de Santa Catarina, Patrício Destro aguarda o primeiro mandato para aprender a ser vereador.

Cláudia Morriesen – clau.morriesen@gmail.com

Patrício Carlos Destro parece estar predestinado a viver os sonhos dos outros. Ainda assim, trabalha pesado para realizar sonhos mais antigos que os 29 anos vividos pelo jornalista, e agora, vereador joinvilense.

No camarim do estúdio de jornalismo da RIC Record, ele não se despe da figura de jornalista e controla o jogo. Antes da entrevista, pergunta o motivo da matéria e se foi fácil conseguir a pauta sobre ele. Fica feliz ao saber que houve uma pequena disputa quando seu nome foi citado na divisão de pautas – ele não queria ser o tema que sobrou.

O ego talvez seja a principal ferramenta com a qual Patrício trabalha para conquistar suas metas. Para ele, ser mais um entre tantos não basta – ele precisa se destacar. Foi assim nos nove anos em que trabalha como jornalista e é assim agora, quando, na primeira candidatura ao cargo de vereador de Joinville, Patrício conquistou 8.540 votos – o maior número obtido na história política recente do estado.

Patrício nasceu em Joinville e passou os primeiros oito anos de vida morando em diferentes cidades do Brasil. O pai, Itamar Destro, trabalhava implantando filiais da empresa Tigre em outros estados, o que levou a família a morar em uma cidade diferente por ano. Quando Patrício entrou na escola, a mãe entendeu que não faria bem aos filhos ficar mudando de colégio o tempo todo. “Minha mãe sempre se preocupou muito com a nossa educação”, conta ele. Patrício não a decepcionou: sempre foi um bom aluno, não ficou em exame nem uma vez, nem mesmo na faculdade de jornalismo, ainda que não a tenha concluído.

O jornalismo é, aliás, a primeira parte da realização de um sonho que não fez parte da infância dele – era de Ivanir Destro. “Minha mãe sempre quis ser jornalista mas era de uma família pobre e não conseguiu ter uma educação que a levasse a tentar a carreira”, conta. Pressão para a escolha da profissão nunca houve, mas na hora de prestar vestibular Patrício não olhou para nenhuma outra opção. “Cheguei em casa dizendo que tinha me inscrito para jornalismo e minha mãe, ainda hoje, diz que foi um dos dias mais importantes da vida dela”.

Currículo extenso, mas jamais escrito

Patrício se orgulha de nunca ter escrito um currículo. Nem saberia fazê-lo agora e nem tem motivos para isso. Mesmo assim, ele já passou por todas as mídias de jornalismo: TV (TV Cidade, RBS e RIC Record), rádio (Floresta Negra FM), impresso (coluna diária no Notícias do Dia), internet e assessoria de imprensa (do Shopping Mueller, do Hotel Bourbon, da Cassol Center Lar e da Corretora de Câmbio Confidence).

O diploma de jornalismo nunca foi conquistado: faltou a monografia, que tratava das diferenças entre o jornalismo da RBS e do SBT. Ele até considera voltar aos bancos da faculdade para concluir o curso, iniciado na Univali e transferido para o Ielusc, mas não tem dia nem local definido para isso. Para ele, não há mais para onde seguir na atividade. “Entrei na RBS, fui repórter, editor, apresentador, chefe de redação e saí. Fui pra RIC e fiz o mesmo caminho. Para ir mais longe agora, só saindo de Joinville, mas não quero, eu adoro essa cidade”. Qual o próximo passo, então? Se candidatar a um cargo político.

A política como herança

Patrício fala muito. Se considera um contador de histórias, característica tão ideal para o jornalismo quanto para a política. Mais uma vez, a política é um sonho antigo, outro que ultrapassa em muitos anos o nascimento dele: quem sonhava em ser político era o avô de Patrício. Semi-analfabeto, nunca pôde concorrer a um cargo e tentou passar o desejo aos filhos, sem sucesso. Há cerca de dois anos, a família enxergou no neto “famoso” a possibilidade de realizar o sonho do patriarca, falecido em 2002.

Patrício não hesita ao afirmar que se candidatou a vereador apenas para realizar o sonho do avô. No início de 2007, estudou os partidos e escolheu o Democratas por se identificar com a ideologia. Na verdade, a sigla não fazia diferença já que, na opinião de Patrício, os eleitores escolhem a pessoa e não o partido. “Os dois candidatos a irem para o segundo turno em Joinville são do PT e do DEM, duas ideologias completamente diferentes. É loucura que os dois mais votados sejam de partidos tão distintos, mas é que ninguém mais dá bola para essa questão de partido”, analisa Patrício.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o candidato não tem bens a declarar. Até o fechamento desta matéria, Patrício ainda não havia terminado de contabilizar os gastos da campanha, mas afirmava que não ultrapassam nem R$ 10.000,00. A campanha foi feita de porta em porta “gastando apenas sola de sapato”. O dinheiro usado foi, em grande parte, emprestado pela família, e a assessora da campanha foi a ex-colega de faculdade Karine Kavilhuka.

A grande questão é: Como um novato pôde alcançar a façanha de ser o vereador mais votado do estado sem nem mesmo uma campanha intensiva? “Foi uma surpresa para mim também”, conta ele. “É claro que eu esperava ser eleito, mas ninguém imaginava isso”. A única explicação para Patrício é a fama conquistada nos anos de jornalista, principalmente pelo trabalho de repórter de rua. “As pessoas me viam todos os dias nos bairros, mostrando os problemas da cidade, conversando com todo mundo. Elas confiam que eu vou manter esse trabalho como vereador agora”, avalia.

Depois de ser considerado o mico das eleições municipais 2008 por ter se candidatado, Patrício superou todos os limites. É o mais jovem vereador eleito para a próxima legislação. Sua votação superou em 1.603 a soma de votos que os candidatos à prefeitura Rogério Novaes (PV) e Darci Castro (PP) obtiveram. O segundo colocado nas eleições a vereador, Adilson Mariano (PT), recebeu três mil votos a menos.

Estes recordes, no entanto, não fizeram Patrício acreditar que sua capacidade ultrapassa a dos outros vereadores. Ele irá iniciar a sessão legislativa para dar posse ao prefeito e ao vice e conduzirá os trabalhos de votação da nova mesa diretora da Câmara de Joinville, mas não pretende se candidatar a presidente da Casa: “Primeiro eu preciso aprender a ser vereador”, avisa.

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Vereador conquista cadeira pelo sexto turno consecutivo

Roberto Bisoni, conhecido por práticas assistencialistas, é eleito pela sexta vez em Joinville

Camila Barros

Em um sobrado de muros altos e portão de madeira no bairro Boa Vista, em Joinville, um senhor magricela, de aparência cansada, porém elegante, e seriedade notória, se assenta para tomar uma xícara de café com leite e comer pão com margarina. Ele parece querer sossego. Estamos na casa de Roberto Bisoni, de 64 anos, eleito este ano vereador de Joinville pela sexta vez.

Bisoni não fala muito. À sua frente, um amigo conversa, ele ouve e, às vezes, sorri e faz comentários. Gabriel, um adorável menino de dois anos, brinca com os farelos de pão na mesa, o senhor se distrai e deixa de aparentar tão distante. A campainha toca. São alguns desconhecidos querendo conversar. O anfitrião os recebe no portão. Mesmo sem conhecê-los, os convida para entrar e assentar-se à mesa. Pede licença, oferece um café aos visitantes e os atende, mesmo sendo 21h passadas de terça-feira.

Independente da aparência frágil, do cansaço advindo de um câncer no estomago e recente cirurgia para retirada do órgão, Roberto Bisoni continua sua caminhada em meio a funções públicas. Segundo ele, a carreira continua, embora este deva ser seu último mandato. “Ainda existe muito o que fazer aqui nas secretarias”, conta, ao falar sobre os 26 anos de vida política e cinco mandatos, dentre os quais, apenas um trabalhou na Câmara de Vereadores.

Os quatro mandatos subseqüentes foram outorgados ao seu suplente, pois Bisoni optou por trabalhar na Secretaria Regional do Comasa, que dava mais visibilidade eleitoral, lidando com obras de asfaltamento, saneamento básico e prestando serviços à comunidade que, segundo ele, não teriam sido feitos se ele estivesse na câmara, pleiteando por licitações que raramente vingam, votando projetos do prefeito e assistindo à situações que trariam frustração.

“Sou ativo, gosto do que dá mais trabalho… em um mandato, consegui muito mais ruas asfaltadas pela região atendida por minha secretaria, do que duas outras secretarias concluíram juntas até então”, conta feliz e com orgulho.

Bisoni é empresário desde muito novo. Já foi dono de imóveis para aluguel, bares, lanchonetes, mas desejava fazer algo que fosse ao encontro das necessidades de seus vizinhos e conhecidos. Hoje, ao perguntar por que ele trabalha com política, Bisoni responde, de forma irreverente: “É melhor ajudar, do que pedir ajuda”.

Ele acredita que o cargo político, mesmo com todas as mazelas e corrupções as quais conhecemos neste meio, é o caminho que lhe ofereceu a oportunidade ou os meios de trabalhar junto à comunidade, de receber as pessoas em sua casa, fazer contatos importantes e trabalhar, de alguma forma, em prol da área que mais lhe pulsa as veias: auxiliar os deficientes físicos a encontrar seu espaço no mercado de trabalho e na sociedade.

 

Em vez de propostas políticas de maior peso, são projetos de caridade e auxílio à comunidade carente fazem parte de suas ações e visões cotidianas. Um de seus projetos pessoais, em fase de implementação, é disponibilizar um espaço com máquinas de costura onde mulheres voluntárias viriam para confeccionar roupas para doação. Em um pequeno quarto de sua casa, Bisoni separa (foto) tecidos que ganha e quatro máquinas de costura que recebeu de doadores.

Assim que seu mandato terminar, Bisoni vai transformar um de seus imóveis, próximo à sua residência, em um centro onde deficientes físicos vão trabalhar de forma a contribuir com a comunidade: costurando, criando peças diversas de auxilio doméstico e profissional, entre outras atividades que lhes possibilitem conquistar um espaço de interação social e perspectiva profissional e pessoal.

Na primeira candidatura, em 1982, Bisoni sugeriu à esposa, Luzia Bisoni, que deixasse o trabalho de garçonete em uma lanchonete do terminal de ônibus central para ficar mais em casa ou auxiliá-lo na campanha, mas ela optou por manter a atividade, completando vinte anos na função, até se aposentar. As condições financeiras favoráveis nunca fizeram com que a família deixasse de trabalhar, ou de receber os visitantes, nem de caminhar pelas ruas vizinhas.

“Se eu não cuidar, o Roberto chega a gastar, em uma semana, o que ele ganha em três meses como vereador”, afirma a esposa. O empresário joinvilense, José Jucimar Raimondi, 44 anos, afirma ter acompanhado a trajetória dos políticos de Joinville e confirma que Bisoni é um homem do povo. “Ele se preocupa com o povo, está sempre nas ruas, conversa com todo mundo. Gosta de ajudar. Acho que ele não consegue fazer outra coisa”, afirma. Raimondi é um cidadão que não votou no Bisoni, mas segundo ele, foi porque apoiava outro candidato e tinha certeza que seu voto não faria diferença na eleição de Bisoni. “Eu sabia que ele seria reeleito. Não precisava do meu voto”.

Lauro: o homem que diz mas não fala

Reeleito em Joinville pelo PSDB, vereador faz histórico em comissões da Câmara

Por Jouber Castro (jouberhc@gmail.com)

Lauro fez 50 anos no dia 4 de setembro. Mesmo assim, na foto oficial de vereador, que no seu gabinete fica na parede atrás da sua cadeira, ele não tem uma ruga, nenhuma marca de expressão. Tem até um sorriso esboçado, coisa que no Lauro sem Photoshop é difícil de perceber. Lauro Kalfels, vereador eleito pelo PSDB para a segunda legislatura em Joinville com 4.240 votos – 304 a menos que da primeira vez –, é um sujeito de olhar cansado e invariavelmente com aparência de desconfiado. Alemão de Rio Fortuna, no sul de Santa Catarina, é ruivo, vermelho e decidido. Não foge de nenhum assunto, mas quase sempre deixa perguntas sem resposta.

Quando Lauro chegou a Joinville, em 1977, foi trabalhar na Tupy. Morava numa pensão com seus 11 irmãos. Já era década de 80 quando conheceu Valdete, com quem se casou em 1984. Foi também nessa época que Lauro e a esposa abriram a Valdete Modas na Rua Alcântara, no bairro Boa Vista. Logo em 1985 deixou a Tupy para se dedicar ao comércio.

“Muitas pessoas me procuravam na loja quando precisavam ir ao médico, ou para qualquer outra coisa”, lembra Lauro, com um tom meio modesto. A popularidade do dono da Valdete Modas se alastrou quando ele encabeçou a briga dos moradores da região pelo asfaltamento da rua. “As pessoas começaram a me perguntar porque eu não era candidato”, conta. A partir daí, Lauro já não pôde mais controlar os caminhos do seu nome no bairro Boa Vista.

Lauro mesmo vindo da roça e trabalhando no chão de fábrica, em três anos de Joinville já era filiado ao PTB. Foi lá que conheceu o delegado João Rosa, com quem travou amizade. “Para onde ele ía, nós íamos junto”, referindo-se aos cerca de 200 amigos do delegado. Foi bem por isso que Lauro não se lançou candidato a vereador em 1996. Não deu outra: 2.576 votos para o delegado. “Estávamos em busca de representação, já que achávamos que o bairro estava esquecido”.

Foi o delegado João Rosa que o indicou para assumir a Secretaria Regional do Boa Vista em 1997. Como Lauro e seus amigos faziam tudo que o delegado mandasse, quando ele se transferiu para o PSDB para concorrer a deputado estadual, lá foi o Lauro junto com ele. Quando zarpou para a Assembléia Legislativa – eleito com 12.924 votos –, o homem que havia sido alçado ao posto de “representante do Boa Vista” deixou outro no seu lugar. Era o Lauro.

João Rosa resolveu voltar para o PTB em 1999, e levou sua trupe junto. “Fizeram muita festa no dia da filiação”, recorda Lauro. Nesse meio tempo Lauro e o delegado brigaram, de modo que este vetou o nome daquele para a candidatura à Câmara. Lauro ficou na Regional até 2002, quando entregou o cargo, já decidido a se candidatar por outro partido. Encontrou o PSL em 2004, onde se elegeu com 4.544 votos.

De quatro anos de mandato, Lauro destaca o aprendizado: “Cara, isso aqui é uma faculdade. O cara sai sabendo”. Em 2007 assumiu uma vaga na Comissão de Urbanismo, Obras, Serviços Públicos e Meio Ambiente, por conta da sua experiência como secretário regional do Boa Vista. Também em 2007 assumiu a presidência da Comissão de Ética da Câmara.

A grande conquista se deu em 2008, ano em que tomou para si o assento de presidente da Comissão de Legislação, Justiça e Redação. Hoje, depois de muitas leituras, até sabe os projetos que não entram na casa de jeito nenhum. “Recebemos da Prefeitura muitos projetos, principalmente de alterações da lei de uso e ocupação do solo. Eu mando de volta. Esses projetos têm muitos interesses por trás”. Lê todos os dias, a ponto de se achar capacitado para contrapor idéias sobre legislação do assessor jurídico da Câmara, o advogado Maurício Rosskamp. “Já tivemos grandes discussões”.

Para Odir Nunes, a política é um dom

No 6º mandato para Câmara de Vereadores de Joinville, Nunes ainda sustenta o ideal de emancipação do distrito de Pirabeiraba

Camila Prochnow – prochnow.camila@gmail.com

“Sempre tive vocação para a política. Deus dá um dom a cada um de nós. Meu dom é para a política”. A pergunta tinha sido feita para entender o motivo da escolha pela política, mas já serviu de brecha para perguntar qual a relação do vereador com a religião. Ele diz ser católico. Praticante? ― pergunto. “Sim, praticante!”, responde com todo o orgulho de quem fez três anos de teologia pelo Centro Diocesano de Joinville e que agora faz um curso baseado num estudo mais aprofundado da Bíblia. Atrás de sua cadeira, numa espécie de bancada, está a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

“Tem que fazer o que gosta, eu não vivo da política”, é o que diz o vereador ao contar que não é a atividade de vereador que lhe sustenta. Odir Nunes é formado em Administração de Empresas e Geografia pela Univille. Foi professor de cursos como Filosofia, História e Economia. Tem quatro filhos, três biológicos e um adotivo de nove anos. Todos os três, com idades próximas, 19,22 e 27 anos, não se ocupam de nada que envolva a política.

Odir Nunes é casado há 26 anos. Nascido em Vidal Ramos, sul de Santa Catarina, veio para Joinville aos 17 anos para estudar. Filho de agricultores da plantação de fumo, perdeu o pai aos oito anos. Numa família de 11 filhos, todos homens, Odir é o caçula. Na sua mesa, os livros “Santa Catarina no Senado” e “Ética e Cidadania” compõem o cenário sóbrio e sem grandes sofisticações.

No rol de ações fundamentais para o 6° mandato que iniciará em 2009, Odir aponta a ampla discussão do Plano Diretor como uma das principais ações. Esta discussão ocorrerá com base em um debate das leis complementares. Segundo ele, estas leis devem considerar o crescimento de Joinville. E para que ocorra de forma sustentável é necessário a criação de um cinturão verde que abraçaria bairros como Pirabeiraba e Vila Nova.

Além disso, o vereador confirma a necessidade que a cidade cresça para a zona sul. “Só temos um distrito industrial na zona norte”, lembra, afirmando que Joinville precisa de um parque industrial também na zona sul. “Os trabalhadores precisam estar mais próximos do seu local de trabalho”, lamenta.

O vereador reside em Pirabeiraba, na região do Rio Bonito. Segundo ele, foram 12 os candidatos do bairro que tentaram eleger-se neste ano. Ele afirma que sozinho angariou 41% dos votos destinados a esses candidatos, totalizando 3014 votos. O vereador, que tem sua base eleitoral em Pirabeiraba, é defensor da emancipação do distrito. Ele conta que em 1990 criou-se uma comissão de emancipação de Pirabeiraba, mas que por alguns problemas legislativos não foi possível dar continuidade ao projeto. “Seria ótimo, pois o poder estaria mais perto das pessoas”, relata.

Odir Nunes também é radialista. Na rádio Pirabeiraba, ele atua como diretor de programação e apresentador de um programa matinal. O Balcão de Utilidades vai ao ar das 8h ao meio dia na sintonia 87,9 FM. A rádio que Odir caracteriza como comunitária por sua forte atuação social tem 93% da audiência dos moradores da região. Porém, ele acha que essa visibilidade não influencia os eleitores. “Tudo depende do programa”, argumenta o vereador alegando que a rádio o ajuda a ser conhecido na comunidade, mas não chega a decidir o voto das pessoas.

A programação musical mesclada com utilidade pública, em que a comunidade anuncia coisas que queira comprar, vender, alugar, doar, é o foco do seu programa. É esta a comunidade que Odir afirma ser muito ajudada pela rádio, uma vez que o meio de comunicação – e interação – promove eventos, festas e ainda informa a população sobre o bairro. “As pessoas estão preocupadas com o que está acontecendo a sua volta”, conta o vereador.

Ele espera que termine minhas anotações. Sempre precedida de um “sabe” direcionado a mim, sua fala é enfática: “Vou visitar todas as casas de Pirabeiraba para agradecer os votos que recebi”, conta. Odir se elegeu com 4664 votos e em Pirabeiraba foram 4264 casas visitadas. “Este número compreende 99% das casas do bairro. A idéia é visitar 100% para agradecer os votos”, explica.

Quinzinho prefere o Executivo

Joaquim Alves dos Santos, 48 anos, vereador recém-reeleito em Joinville, está muito mais acostumado a dirigir a Secretaria Regional do Jardim Paraíso do que às burocráticas tarefas da Câmara de Vereadores. Quinzinho, como a maioria dos conhecidos o chamam, foi eleito em 2008 para o terceiro mandato, com 3834 votos, representando o PSDB.

Felipe Silveira – felipopovfelps@gmail.com

Eleito pela primeira vez em 2000, ele deixou a Câmara para assumir a Secretaria Regional do Jardim Paraíso no ano seguinte. Em 2004, se licenciou do cargo administrativo para concorrer à reeleição e ganhou. Pouco depois, estava novamente à Secretaria, voltando ao Legislativo em 2008 para concorrer novamente.

“Eu acordo às cinco e meia para pegar às seis horas na Secretaria”, orgulha-se – ressaltando que o horário padrão é às 8 horas. “Faço isso para atender ao pessoal que trabalha em horário normal e não pode esperar”. Quinzinho sente-se à vontade no Executivo: “Aqui você pode fazer, não tem que pedir para ninguém. A única coisa que manda é o orçamento. Se tiver dinheiro, você pode fazer”.

E a Secretaria pode fazer o vereador perder o mandato. Acusado de comprar votos com materiais (saibro) da Secretaria Regional, Quinzinho alega que isso foi um boato espalhado pelo adversário para destruir sua carreira. “Não tem nenhum processo contra mim, não abriram inquérito. Tentaram me derrubar”, declara. Ou ele não sabe do inquérito ou está mentindo. A denúncia foi feita ao Cartório Eleitoral de Joinville, que pediu informações à Polícia Federal. O inquérito está em andamento. Se a denúncia for comprovada, Quinzinho será julgado pela Justiça Eleitoral e poderá perder o mandato.

Quinzinho nasceu em 1960 na pequena cidade de Ataléia (MG) e aos sete anos se mudou para a também pequena Iratama (PR), onde ficou até os 18 anos. Chegou a Joinville no dia 11 de novembro de 1978, ano em que a “Manchester Catarinense” crescia tanto que era obrigada a importar trabalhadores de outros estados, principalmente do Paraná.

Trabalhou na Fundição Tupy e foi morar numa região próxima à fábrica, onde formava-se uma comunidade, composta, majoritariamente, por famílias oriundas do Paraná, e por isso chamada Vila Paranaense. “Eu fui um dos primeiros moradores da vila, o quinto, eu acho”, conta Quinzinho, que ainda mora lá.

Hoje, a Vila Paranaense tornou-se o bairro Comasa, que forma, junto com o Jardim Paraíso, a base eleitoral de Quinzinho. “Comecei a minha vida política com o trabalho comunitário na região. Sempre trabalhei no setor privado, mas fazíamos um trabalho para desenvolver a região, que era abandonada”, conta.

Após sete anos trabalhando na Tupy, cinco na Wetzel e dez no setor de material de construção, Quinzinho concorreu pela primeira vez ao cargo eletivo em 1996, pelo Partido dos Trabalhadores (PT). “Infelizmente”, murmura, como se fizesse um pequeno sacrifício para revelar esse fato do passado. Tendo feito 1022 votos na primeira eleição, Quinzinho reclama não ter sido reconhecido no PT, no qual se filiou em 1995 e saiu em 1997, aderindo ao Partido da Social Democracia Brasileiro (PSDB).

“É um partido em que você tem voz, pode opinar e construir juntos”, explica. Após trabalhar por três anos como fiscal da Secretaria de Habitação, se elegeu em 2000 se elegeu pela primeira vez com 2371 votos. Assumiu a Secretaria Regional do Jardim Paraíso em 2001 e lá dobrou o eleitorado para o pleito de 2004, conquistando 4086 votos e a décima colocação entre os vereadores mais votados.

James Schroeder é um dos estreantes na Câmara de Joinville

Candidato pela primeira vez, o novo vereador garantiu também a única vaga do PDT no Legislativo 

Tatiane Martins – thaty_martins@hotmail.com

“As pessoas precisam saber a diferença entre um cargo no Legislativo e um cargo no Executivo. Precisam entender definitivamente que vereador não asfalta rua, não constrói escola, não contrata médico, não coloca tubo. Eu me preocupo em explicar o verdadeiro papel do vereador e mostrar para as pessoas que eu não estou aqui para fazer promessa”. Assim acredita James Schroeder (PDT), joinvilense nato, que aos 41 anos se candidatou pela primeira vez a uma vaga na Câmara Municipal e foi eleito com 3.133 votos.

Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, James é servidor público concursado há mais de 15 anos. Atualmente, é chefe de gabinete do vice-prefeito Rodrigo Bornholdt (PDT). Já foi presidente da Fundação Municipal 25 de Julho e atuou durante 16 anos como professor na rede privada de ensino.

James é o único candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT) que ocupará uma das 19 cadeiras do Legislativo no mandato de 2009-2012. Há dois anos, ele filiou-se ao PDT. Antes disso, foi filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Mas não se lembra ao certo quanto tempo permaneceu no PMDB: “Não lembro bem, mas com meu pai na política, me envolvi cedo com o partido”.

Bruno França, 25 anos, assessor de imprensa de James, conta que a campanha foi focada no contato direto com a população. Foram marcadas reuniões com grupos de mães, associações de moradores e grupos de jovens, para que o candidato pudesse se apresentar e falar o que pretendia se fosse eleito. Durante a campanha, foram espalhadas 200 placas pela cidade, mas, para França “placas apenas avisam que fulano é candidato”, além disso, é necessário um trabalho de base, para fazer a população conhecer o político e estabelecer com ele uma relação de confiança.

De acordo com o assessor, isso não foi difícil para James, que é uma pessoa muito esclarecida e gosta de explicar tudo com detalhes. “Ele fala mais que o Faustão. Às vezes precisava puxar pelo braço, para conseguirmos cumprir todos os compromissos”, brinca. França atribui à espontaneidade e a boa oratória de James ao fato de ele ter sido professor por muito tempo. Isso é tão presente na personalidade do político que ele se apresentou aos eleitores, nos santinhos e placas, como Professor James.

O professor conquistou eleitores em quase todos os locais de votação da cidade, zerando apenas em três. Para ele, isso é resultado de um ideal de mandato pensado para toda a cidade. James não pretende atuar focando suas propostas para um bairro ou região específica de Joinville. Ele acredita que isso só deveria acontecer se fossem escolhidos 43 parlamentares. Para o novo vereador, a vitória não foi uma surpresa: “Nós nos preparamos para isso. A expectativa de votos era muito próxima do que a que ocorreu, na verdade houve até uma quebra. Esperávamos fazer até 3.500 votos”.

Marlize Martinelli Schroeder, esposa do professor, acredita que novo cargo exigirá dedicação e seriedade, mas garante que essas são características que ele já possui. Marlize, que é supervisora da Secretaria de Educação de Joinville há 17 anos, pegou licença prêmio para ajudar o marido na eleição. Ela foi a coordenadora de campanha, e conta que participou de tudo ativamente. “A decisão da candidatura foi tomada por nós dois, em parceria. Por isso, toda a caminhada para se eleger também foi traçada juntos”. Segundo a esposa, James é uma pessoa extremamente cautelosa, de muita idoneidade, que lê bastante e tem uma capacidade enorme de aprender as coisas. “Ele nunca vai dormir sem aprender uma coisa nova”, assegura.

O petista que desafia Carlito

Vereador reeleito, Adilson Mariano não pretende mudar suas estratégias no Legislativo

Ana Carolina Luz – anacarolinadl@gmail.com

De calça jeans, sapatos esportivos escuros combinando com a camiseta preta, celular à mão, Adilson Mariano chega à sua sala exatamente às 15h55, cinco minutos antes do horário combinado. À vontade, inicia a conversa falando de sua satisfação por ter sido reeleito vereador com 5.574 votos, número que o deixou na segunda colocação dos mais votados. “É, parece que tenho feito um bom trabalho”, satisfaz-se.

Filho de José Ernesto e Rosalina Beumer Mariano, Adilson nasceu em 1974. Aos 14 anos começou a trabalhar na Metalúrgica Duque, empresa na qual permaneceu por 13 anos. Cursou história na Univille no período de 1993 a 2000. “Demorei mais do que o normal porque precisei trancar alguns semestres devido ao trabalho político”, justifica.

Aos 18 anos, Mariano concorreu à primeira eleição para vereador de Joinville. Na ocasião, conseguiu 490 votos. Tentou novamente em 1996. “E consegui 587 votos a mais que a eleição anterior”, comemora, mesmo não tendo sido eleito. Com a segunda derrota no Legislativo, Mariano partiu para o trabalho de assessoria do então deputado estadual Assis, do PT, ainda em 1996, com quem ficou até 2000.

Mariano vê a política como um instrumento por meio do qual as pessoas possam perceber a sociedade. “Ninguém muda o mundo sozinho”, reflete. Ele acrescenta que o cerne do problema da sociedade é o capitalismo. “O povo precisa ir a luta contra esse sistema”, acredita.

O petista faz parte da organização da Esquerda Marxista, corrente mais radical do PT, que diverge em alguns pontos da linha seguida pelo prefeito eleito no último dia 26 de outubro, Carlito Merss, e pelo também vereador Marquinhos Fernandes — os três são os principais nomes do partido em Joinville. Mariano explica que Carlito e Marquinhos são reformistas, enquanto ele — e a esquerda marxista — acredita que o atual sistema está fadado ao fracasso.

Na opinião de Carlito, o PT está sim dividido em algumas correntes, mas apenas internamente. “O Mariano é um vereador que tem clareza e importância significativa para o partido”, diz. Por isso, crê que os dois certamente se auxiliarão mutuamente nos quatro anos de mandato. No entanto, Mariano faz questão de deixar claro que, mesmo sendo do mesmo partido e defendendo os mesmos ideais, poderá haver divergência se o prefeito e sua equipe desviarem dos objetivos por ele defendidos: “Aí, seremos oposição”.

Vereador 24 horas por dia, de acordo com suas palavras, Mariano é casado há dez anos, mas ainda não tem filhos. “Estamos tentando, mas naturalmente ainda não deu”, lamenta, cogitando a hipótese de adoção. Professor de história para a segunda e a terceira série do ensino médio em uma escola pública do Parque Joinville, Mariano lembra bem humorado que, quando o contrataram para o cargo, muitos pais ficaram receosos, pois o achavam brigão. “Felizmente desfizeram essa imagem de mim”, comemora. “Só sou radical para ver os problemas resolvidos”.

Longe da Câmara de Vereadores, Mariano dedica o tempo livre para assistir a filmes de época, de ficção e policiais. “Não alugo filmes de política, sou normal”, brinca. Costuma ir às compras aos sábados ou domingos pela manhã. E só em mercados de bairro. “Shopping? Nem pensar”, ressalta.

No dia-a-dia, lê apenas para preparar suas aulas, além de dar uma passadinha nos jornais. “Aprendo muito no debate”, percebe. Mas a falta de leitura o faz pensar que lhe falta teoria. “Por isso, aproveito o período de férias para ler um ou dois livros, para tentar tirar o atraso”, comenta bem humorado.

Freqüentador assíduo da igreja católica, Mariano apega-se aos primeiros cristãos para exercer sua função pública. “Sempre lembro do que a bíblia diz sobre as pessoas dividirem seus bens com alegria”, conta, ligando a frase aos princípios socialistas. Todos os domingos, das 18h às 20h, Mariano participa com a esposa do grupo de reflexão de sua paróquia. “Jesus Cristo é admirável, é um referencial”. Além disso, também toca violão em um grupo que anima as celebrações. “É meu espaço para recarregar as energias”, admite.