Machado também foi apelidado como “Bruxo do Cosme Velho”

 Apelidos e peculiaridades de seus personagens marcaram a vida e a obra de Machado de Assis

Charles Françaxarlys@hotmail.com 

 

    Não bastassem os inconstáveis elogios recebidos por críticos do mundo inteiro, Machado de Assis é conhecido por um estranho apelido que, ainda assim, não lhe rouba prestígio. O epíteto “Bruxo do Cosme Velho” ganhou força quando Carlos Drummond de Andrade, autor de clássicos da literatura brasileira como A Rosa do Povo, Rio de Janeiro, A Cor de Cada Um e Pantanal, dedicou a Machado o poema Ao Bruxo, com Amor, publicado em 1959 no livro A Vida Passada a Limpo.

 

     Logo nos primeiros versos, é feita referência à casa – número 18 – da Rua Cosme Velho, situada no bairro homônimo do Rio de Janeiro, onde morou Machado. Em seguida, passeia por algumas obras do homenageado, citando personagens e aludindo a características de personalidade destes.

 

     Para se ter uma idéia da importância que a dedicatória tem, a revista IstoÉ promoveu em 1999 uma eleição na qual convocava 30 especialistas para escolher os 30 maiores nomes do país no século, em diversas áreas. Na categoria Literatura, Machado figurou no primeiro lugar, e Drummond, no segundo.

 

     A origem do termo “ Bruxo do Cosme Velho”, porém, não é certa. A estranheza causada por um hábito de Machado pode ter feito o burburinho dos vizinhos alcançar distância que, agora, é infinita e eterna. Segundo a doutora em Literatura Brasileira, Deise Freitas, o autor gostava de queimar cartas e documentos acumulados no jardim de sua casa. Mas não métodos discretos: os papéis eram incendiados num caldeirão.

 

      Mesmo não sendo tão famosa quanto seu criador, a personagem Capitu, do livro Dom Casmurro, é o centro de um enigma insolúvel: a menina de “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” traiu Bentinho? Há escritos e escritos que discorrem tanto sobre a pergunta quanto sobre a representação que a personagem faz do feminismo numa época não tão promissora para o movimento, no final do século 19.

 

      Os livros Amor de Capitu, de Fernando Sabino, e Quem é Capitu?, de Alberto Schprejer, servem de exemplo. Em 1968, Paulo César Saraceni dirigiu um filme que leva o nome da personagem e tinha no elenco Isabella Cerqueira Campos como a protagonista cujos “olhos de ressaca” encantaram o Bentinho, interpretado por Othon Bastos. 

 

     Um dos mais respeitados críticos literários do mundo, o norte-americano Harold Bloom vê Machado como “o maior gênio da literatura brasileira do século XIX”. O analista incluiu o bruxo no Cânone Ocidental, livro de 1994 que reúne ensaios sobre os mais importantes escritores do ocidente. O motivo: as obras machadianas contém “os pré-requisitos da genialidade: exuberância, concisão e uma visão irônica ímpar do mundo”.

 

    Outros que reverenciam Machado são o escritor de origem indiana Salman Rushdie, autor dos Versos Satânicos (que levou-o a ser jurado de morte pelo Irã, em 1989), e o cineasta e escritor  esporádico Woody Allen, que certa vez disse ter achado Memórias Póstumas de Brás Cubas “o livro mais esquisito e fascinante” que já teve “a sorte de ler”.

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Vídeos na internet ajudam a conhecer Machado de Assis

O YouTube armazena cerca de 720 vídeos que mencionam o Bruxo do Cosme Velho, a grande maioria é trabalho escolar.

Gustavo Cidralgustavo_cidral@hotmail.com

Um material útil sobre Machado de Assis poder ser encontrado em vídeo na internet. O documentário “Machado de Assis: um mestre na periferia”, da série “Mestres da literatura”, está disponível para ser baixado no portal Domínio Público. O vídeo também pode ser visto no YouTube, dividido em três partes:

http://br.youtube.com/watch?v=hln2xUlUs0Y

http://br.youtube.com/watch?v=yxgqYaB86hY

http://br.youtube.com/watch?v=oD3f2Pw2LcU

 O documentário foi dirigido e escrito por Daniel Augusto, produzido por Polo de Imagem e TV PUC e veiculado na TV Escola.

Outra obra que vale ser lembrada é um desenho animado sobre a vida do mestre da literatura brasileira. A animação foi realizada na Universidade Veiga de Almeida, pelo acadêmico Raphael Nercessian. Confira:

http://br.youtube.com/watch?v=jbZy49mc5Ks