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Sem candidatos favoritos, eleitores votam em partidos

O Partido dos Trabalhadores pouco era citado na campanha em Joinville, mas recebeu recorde de votos de legenda

Alexandre Perger – ale.perger@gmail.com

Nas últimas eleições municipais de Joinville, 25 mil eleitores optaram por votar em um partido e não em um candidato. O Partido dos Trabalhadores foi a legenda mais votada, com 8,7 mil votos. Em segundo ficou o DEM com 4,4 mil votos. Depois vem o PP, com 4,1 mil, o PMDB, com 3,1 mil, o PDT, com 1,4 mil, e o PSDB com 1,1 mil. As outras siglas não atingiram mil votos.

A falta ou a presença de um candidato à majoritária na campanha pode ser decisiva na conquista dos votos de legenda. Em 2004, o PSDB lançou candidato próprio, o atual prefeito Marco Antônio Tebaldi, e fez 6,4 mil votos. Em segundo ficou o PT com 5,2 mil, que também tinha candidato. O terceiro foi o PP com 2,6 mil. O PMDB, que estava coligado com os tucanos, fez 1,08 mil. O DEM teve apenas 355 votos. O PDT obteve um crescimento expressivo: mil votos a mais que em 2004.

Os votos de legenda possuem significados diferentes para os partidos. No PT, segundo o cientista político e candidato a vereador pelo partido Belini Meurer, os 8,7 mil votos na legenda significam que a organização está forte, com cada vez mais simpatizantes e acima de qualquer tipo de personalismo. Para ele, quem vota em uma legenda, vota nas idéias, nas propostas. “É um voto de pessoas politizadas”, diz. O cientista político se orgulha da militância do partido, que – segundo ele – ajudou e sempre vai ajudar. “Não acredito que esses votos estejam ligados ao Carlito”, conclui Belini.

Partido rachado

No PDT, quarta sigla bem votada, o discurso é outro. O presidente pedetista, Marco Antônio Bittencourt, considera rachado o partido que recebe muitos votos de legenda. “As pessoas que votaram no PDT tinham em quem votar, por isso não votaram na legenda”, avalia. Ele destaca o crescimento que o partido teve nesses quatro anos e reconhece a importância de um candidato a prefeito – no caso, o vice-prefeito Rodrigo Bornholdt. Mesmo sem saber se vai ficar por muito tempo como presidente, ele confia em um fortalecimento de seu partido nos próximos anos.

O presidente do PP, Coronel Lourival, ressalta a tradição de seu partido e confia que isso ajudou a arrecadar os mais de quatro mil votos de legenda. “Nós somos um partido de raiz, de história e há pessoas que preferem honrar isso”, orgulha-se. Ele diz que as cinco mudanças na nomenclatura do partido atrapalharam e, por isso, eles foram obrigados a fortalecer o número 11. O pepista ainda reclama da falta de representatividade do PP e comenta que a “salvação” foi se aliar à base do presidente.

O PMDB também aposta na tradição. O secretário-adjunto do partido, Clailton Breis, diz que a legenda possui um contingente que sempre vota 15. “PMDB é uma grife, uma marca”, destaca o assessor. Para ele, o fato de Joinville já ter sido algumas vezes administrada por governos peemedebistas ajuda a fortalecer o partido e conseqüentemente a atrair votos. Apesar disso, Clailton acredita que a presença do deputado Mauro Mariani puxou uma parte dos mais de três mil votos de legenda do PMDB.

“Eu votei na legenda”, confessa o prefeito e presidente do PSDB de Joinville, Marco Antônio Tebaldi. Ele diz que tomou essa decisão porque tinha muitos amigos candidatos e por isso não preferiu ajudar um, mas todos. Para o prefeito, o voto de legenda é uma “oportunidade que o eleitor tem de votar na ideologia dos partidos”. Ele alega que a sigla tucana não atingiu muitos votos nessa eleição por não possuir candidato próprio. Mesmo assim, Tebaldi vê um amadurecimento do partido nos últimos quatro anos.

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