• Flickr Photos

Novo bar cede espaço ao chorinho

Villa Madalena Botequim, inaugurado há quinze dias, tem costumes paulistas e insere o chorinho no cenário musical da noite joinvilense

Eva Croll – eva.croll@gmail.com

Paulo é veterinário. Daniel, músico. À primeira vista, dois ofícios que não têm nada a ver um com o outro. Mas foi da união dos talentos de Paulo Rodrigues e Daniel Dadalt que nasceu o botequim Villa Madalena, inaugurado no final de outubro na rua Ministro Calógeras.

Nesta semana, com apenas quinze dias de funcionamento, um estilo musical diferente invadiu o botequim: o chorinho. O projeto Hora do Choro, aprovado no ano passado pelo Edital de Apoio às Artes, trouxe ao Villa Madalena o grupo Chá de Cevada. O objetivo principal do projeto é levar o choro às universidades de Joinville e introduzi-lo cada vez mais em lugares públicos.

“A idéia era imitar os bares da Vila Madalena, que são um verdadeiro reduto de boêmios”, explica Paulo, que veio de São Carlos, interior de São Paulo. A vontade de criar um ambiente que fugisse dos padrões dos bares tradicionais fez barris vazios de chopp se transformarem em pias para os banheiros. Peças antigas, como LPs e lamparinas, foram tiradas do armário para dar um toque de nostalgia ao lugar.

No interior do bar, um pequeno palco, onde o sócio Daniel toca desde MPB a surf music, divide o espaço com uma mesa de sinuca. Tudo isso para agradar o público-alvo, pessoas a partir de 25 anos. A influência paulistana é percebida também no cardápio, que conta com bolinhos Pirajá (o nome é uma homenagem a um bar da terra da garoa) e a famosa picanha paulista. A especialidade são os happy hours: nos dias de semana, o bar fica lotado. Já, no final de semana, o movimento é bem menor.

Programa Linha Verde cria e reestrutura parques ambientais

Nove áreas de preservação serão implantadas para o lazer da população de Joinville

Edson Azevedo – edson.jve@hotmail.com

Apoiar o desenvolvimento de Joinville, a partir da implantação de parques destinados ao lazer e a recreação da população. Este é o objetivo do programa Linha Verde, que vai implantar uma rede de nove parques em diferentes regiões da cidade e um plano cicloviário de aproximadamente 60 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas urbanas integrando todos os parques. O valor total do financiamento junto ao FONPLATA (Fundo de Desenvolvimento para a Bacia do Prata) é de US$ 14.75 milhões, revela o arquiteto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Joinville (IPPUJ) e um dos responsáveis pela execução das obras Celso Lanim.

O complexo Porta do Mar, obra de qualificação urbana da orla da Lagoa do Saguaçu, com atracadouro, decks, implantação de sistema de comunicação visual, equipamento urbano, iluminação pública, praça em níveis, restaurantes e quiosques, tem como elemento principal a construção de um monumento em forma de arco simbolizando a Porta do Mar. Servindo como mirante para a magnífica paisagem da Baía da Babitonga, a Porta do Mar permitirá visualizar as 10 ilhas, o centro histórico de São Francisco do Sul e o contorno da Serra do Mar.

Mata nativa, mangue, sambaqui e rios. Nesse cenário, será instalado o Parque da Cidade, como medida de união do lazer à preservação do meio ambiente. O parque, que inclui em seu programa equipamentos como playground, mirantes, quadras de esporte, espaços para educação ambiental, tem como vantagem um ambiente de lazer à população joinvilense.

Totalmente envolvidos pela cidade, os quase 390 hectares do Morro da Boa Vista apresentam uma das maiores reservas de Mata Atlântica em área urbana. A importância ambiental e paisagística para a cidade e a necessidade de disponibilizar áreas de lazer e recreação dotadas de infra-estrutura.

Qualidade de vida

“A manutenção das lagoas e a preservação da mata de seu entorno garantirá o ecossistema que abrigam e seu importante papel na dinâmica das águas, minimizando cheias, além de integrar a preservação ambiental com a prática de esportes e caminhadas contemplativas”, detalha Celso Lanim.

Projetado para proporcionar a população entretenimento e informações sobre Joinville, a fonte dos desejos, o largo da fonte, o caminho das águas, as águas dançantes, os espelhos d’água e as cascatas, são algumas das atrações e foram concebidas com técnicas adequadas ao tratamento sustentável dos elementos naturais, especialmente a água.

O Morro do Iririú, com 198 metros de altitude, apresenta, ainda, boa parte da cobertura vegetal original e sua importância para Joinville pode ser comparada ao Morro da Boa Vista. A revitalização do Parque Morro do Finder, juntamente com a inclusão de novos equipamentos, complementa o programa Linha Verde.

Exploração racional

“Atuar na preservação, conservação e recuperação do meio ambiente com equipamentos adequados que possibilitem ações racionais capazes de responder as necessidades sociais são as propostas para a segunda etapa de implantação do Caieira”, enfatiza Lanim.

O projeto tem como objetivo a exploração de forma racional e sustentável do potencial turístico do lugar, em consonância com a conservação dos atrativos naturais, históricos e culturais, ofertando uma alternativa de desenvolvimento para a comunidade local.

Finalmente, o Eixo Ecológico Leste compõe-se de um complexo viário com tratamento paisagístico diferenciado e ciclovias. O percurso do Eixo Ecológico Leste, para efeito desse programa, ligará os bairros Comasa e Jardim Iririú, no limite do Canal dos manguezais e adentra os bairros Jardim Iririú e Aventureiro.

Vai faltar planeta?

O relatório Planeta Vivo 2008, da WWF Brasil, mostra que o atual modelo de consumo e a alta degradação ambiental levarão a um colapso dos recursos naturais a partir de 2030

Rayana Borba – rayanab@gmail.com

Alerta: o relatório Planeta Vivo (http://www.wwf.org.br/index.cfm?uNewsID=16180), publicação da WWF Brasil, avisa que a capacidade de regeneração dos recursos naturais da Terra já excede 30%. Tal índice mostra que, se continuar no mesmo ritmo, serão necessários dois planetas em 2030.

Cynthia Rinnert é doutoranda em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente no Instituto de Botânica de São Paulo e entende de recursos naturais. Para ela, a previsão feita pela WWF é verdadeira e perigosa. “Certamente temos um grande problema. O atual modelo econômico nos faz acreditar que os recursos naturais são infinitos e que a natureza se auto-recuperará”, diz. Mesmo diante dessa perspectiva desanimadora, ainda há o que se fazer para retardar a crise.

Mestre em engenharia ambiental, Cynthia acredita que não é possível salvar o planeta. De qualquer forma, não se deve dispensar pequenas ações cotidianas que contribuem para que o colapso ambiental seja retardado e tenha menor impacto. “A responsabilidade é de todos nós. Não podemos mudar o mundo, mas se cada indivíduo tomar alguma medida, certamente faremos a diferença”, lembra.

As medidas às quais Cynthia se referem são a redução do tempo de banho (economizando água e energia), a reciclagem do lixo e a não utilização de materiais descartáveis. “Não sou adepta aos copos descartáveis. Tenho minha própria xícara e a lavo com água e sabão”, comenta a ambientalista que afirma serem utilizados menos recursos para a lavação do que para a produção de um copo plástico.

Daniela Alves: a nova geração da gastronomia de Joinville

Em pouco mais de um ano, a chef começou a estudar, formou-se e passou a pilotar cozinhas de hotel

Jouber Castro – jouberhc@gmail.com

O lugar de onde veio Daniela Alves, 27 anos, está expresso no sotaque carregado e no paladar: impossível negar que se trata de uma legítima mineira. “Fui criada comendo os quitutes que a minha mãe e a minha avó preparavam. Foi por isso que, com dez anos, comecei a cozinhar, e já fazia frango com quiabo, prato que eu adoro”, explica a moça que desde o fim de setembro é a comandante da cozinha do Anthurium Bistrô, restaurante do Anthurium Parque Hotel, de Joinville.

A história com a comida é longa, mas com a gastronomia nem tanto: faz pouco mais de um ano que ela embarcou no curso de técnico em gastronomia pelo Senac de Minas Gerais, tendo a primeira experiência no Hotel Grogotó, em Barbacena, primeiro hotel-escola da América Latina, e que atende cerca de 150 clientes por dia. “Lá, passei por todos os setores de uma cozinha, mas queria mesmo era ficar no entremetier, coordenando a composição de molhos, carnes e acompanhamentos”, diz ela.

Em abril de 2008, Daniela concluiu o curso já empregada, e de cara como chef de cozinha: foi contratada para comandar a cozinha da Pousada Solar Singuitta, um dos hotéis mais requisitados de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. O local conta com uma cozinha exclusiva, já que valoriza a privacidade dos hóspedes. No Singuitta, Daniela cozinhou para gente como Fabio Assunção, Luciano Szafir e outras celebridades. Porém, ficou inquieta: “Lá tinha uma estrutura ótima, mas o movimento era pequeno. Atendíamos a apenas 12 suítes”.

A inquietude a fez enviar seu currículo ao administrador do Anthurium, que gostou do que leu. Numa semana, ela veio fazer uma entrevista de emprego. Na semana seguinte, já estava aqui definitivamente. Melhor ainda: seu marido, Rodrigo – com quem trabalhava no Singuitta – também conseguiu emprego em Joinville. Ele é o novo supervisor do Holz Hotel.

A primeira atitude de Daniela no Bistro foi reformular todo o cardápio. Incluiu especialidades suas como o talharim al mare, com limão siciliano, e o medalhão moscovita, com cogumelos flambados. Ela também averigüou o que havia de disponível na cozinha, e foi dessa maneira que surgiu o Risoto de Bacalhau, prato mais pedido no primeiro mês de “chefia”. “Havia pedaços de bacalhau congelados no canto do freezer, que íam ser jogados fora. Pedi que fossem limpos, dividi em porções e criei o risoto”, lembra.

Daniela trabalha muito com frutos do mar e temperos mediterrâneos. Além disso, abusa de azeites e óleos naturais, sua marca nos pratos. Gosta também de combinações com frutas: “Acredito que as frutas dão uma leveza interessante ao prato”.

Ela conta que o prato mais gostoso que já comeu foi costeleta de cordeiro com purê de maçã, que comeu no Mercado Cruzeiro, em Belo Horizonte. “Além de muito gostoso, o prato estava bem montado”, recorda. O melhor prato que já fez foi, na verdade, um desafio: “Um hóspede pediu um risoto, na época do Singuitta, mas não comia carne. Acabei criando um Risoto de Pêra com Queijo Bree, que ficou muito gostoso”.

Para ela, o dia vale quando o cliente se mostra satisfeito: “Para mim é uma realização. Vou para casa tranqüila”. O que espera de Joinville? “Reconhecimento profissional”. E o que Joinville por esperar de Daniela Alves? “Muito trabalho, e atendimento personalizado”. É só esperar para ver.

Beleza não só no nome

Com paisagem natural e propriedades coloniais, a Estrada Bonita se destaca no turismo rural em Joinville

Ana Carolina Luz – anacarolinadl@gmail.com
Camila Prochnow – prochnow.camila@gmail.com

Localizada no Km 20 da BR 101, a Estrada Bonita é formada por propriedades coloniais cercadas do verde das montanhas. Refúgio de joinvilenses e, principalmente, de turistas vindos de Curitiba e São Paulo, o local se destaca pelas belezas naturais aliadas à gastronomia típica e a receptividade dos moradores.

Entre as principais atrações, o Museu Rural, o passeio de trator, as trilhas pela mata e o Recanto Tia Martha, locais que revelam personalidades cheias de histórias pra contar, como a de Ango Kersten e Tânia Rosana Bilau, que revelam tradições de quem nunca saiu dali.

Ango Kersten

Os olhos grandes e azuis somados à pele branca e ao sotaque alemão logo evidenciam a origem de Ango Kersten. Casado e pai de duas filhas, sempre morou na mesma residência, na Estrada Bonita. Aos 61 anos, é agricultor, pecuarista e está à frente de um pequeno comércio de produtos coloniais. Além disso, acaba se tornando guia turístico diariamente, já que cerca de 120 pessoas, na maioria crianças, visitam o local todos os dias para conhecer o Museu Rural, criado por Ango.

Tânia Rosana Bilau

Há 30 anos os pais de Tânia fundaram o restaurante que recebeu o nome da avó materna. “E a idéia foi do próprio genro”, diverte-se, lembrando da relação carinhosa que seu pai tinha com a sogra. Hoje em dia, o negócio não pertence mais à família Bilau, que o vendeu há três meses para os irmãos paranaenses Cláudio e Silvério Roza. No entanto, ela não quis distanciar-se da função. “Minha grande paixão é a cozinha”, deleita-se, dando água na boca ao discorrer sobre os pratos mais pedidos pelos turistas que visitam o estabelecimento. De acordo com Tânia, o marreco recheado, o repolho roxo e o purê de maçã não podem faltar.

Um Patrício de Joinville

Mais votado da história política recente de Santa Catarina, Patrício Destro aguarda o primeiro mandato para aprender a ser vereador.

Cláudia Morriesen – clau.morriesen@gmail.com

Patrício Carlos Destro parece estar predestinado a viver os sonhos dos outros. Ainda assim, trabalha pesado para realizar sonhos mais antigos que os 29 anos vividos pelo jornalista, e agora, vereador joinvilense.

No camarim do estúdio de jornalismo da RIC Record, ele não se despe da figura de jornalista e controla o jogo. Antes da entrevista, pergunta o motivo da matéria e se foi fácil conseguir a pauta sobre ele. Fica feliz ao saber que houve uma pequena disputa quando seu nome foi citado na divisão de pautas – ele não queria ser o tema que sobrou.

O ego talvez seja a principal ferramenta com a qual Patrício trabalha para conquistar suas metas. Para ele, ser mais um entre tantos não basta – ele precisa se destacar. Foi assim nos nove anos em que trabalha como jornalista e é assim agora, quando, na primeira candidatura ao cargo de vereador de Joinville, Patrício conquistou 8.540 votos – o maior número obtido na história política recente do estado.

Patrício nasceu em Joinville e passou os primeiros oito anos de vida morando em diferentes cidades do Brasil. O pai, Itamar Destro, trabalhava implantando filiais da empresa Tigre em outros estados, o que levou a família a morar em uma cidade diferente por ano. Quando Patrício entrou na escola, a mãe entendeu que não faria bem aos filhos ficar mudando de colégio o tempo todo. “Minha mãe sempre se preocupou muito com a nossa educação”, conta ele. Patrício não a decepcionou: sempre foi um bom aluno, não ficou em exame nem uma vez, nem mesmo na faculdade de jornalismo, ainda que não a tenha concluído.

O jornalismo é, aliás, a primeira parte da realização de um sonho que não fez parte da infância dele – era de Ivanir Destro. “Minha mãe sempre quis ser jornalista mas era de uma família pobre e não conseguiu ter uma educação que a levasse a tentar a carreira”, conta. Pressão para a escolha da profissão nunca houve, mas na hora de prestar vestibular Patrício não olhou para nenhuma outra opção. “Cheguei em casa dizendo que tinha me inscrito para jornalismo e minha mãe, ainda hoje, diz que foi um dos dias mais importantes da vida dela”.

Currículo extenso, mas jamais escrito

Patrício se orgulha de nunca ter escrito um currículo. Nem saberia fazê-lo agora e nem tem motivos para isso. Mesmo assim, ele já passou por todas as mídias de jornalismo: TV (TV Cidade, RBS e RIC Record), rádio (Floresta Negra FM), impresso (coluna diária no Notícias do Dia), internet e assessoria de imprensa (do Shopping Mueller, do Hotel Bourbon, da Cassol Center Lar e da Corretora de Câmbio Confidence).

O diploma de jornalismo nunca foi conquistado: faltou a monografia, que tratava das diferenças entre o jornalismo da RBS e do SBT. Ele até considera voltar aos bancos da faculdade para concluir o curso, iniciado na Univali e transferido para o Ielusc, mas não tem dia nem local definido para isso. Para ele, não há mais para onde seguir na atividade. “Entrei na RBS, fui repórter, editor, apresentador, chefe de redação e saí. Fui pra RIC e fiz o mesmo caminho. Para ir mais longe agora, só saindo de Joinville, mas não quero, eu adoro essa cidade”. Qual o próximo passo, então? Se candidatar a um cargo político.

A política como herança

Patrício fala muito. Se considera um contador de histórias, característica tão ideal para o jornalismo quanto para a política. Mais uma vez, a política é um sonho antigo, outro que ultrapassa em muitos anos o nascimento dele: quem sonhava em ser político era o avô de Patrício. Semi-analfabeto, nunca pôde concorrer a um cargo e tentou passar o desejo aos filhos, sem sucesso. Há cerca de dois anos, a família enxergou no neto “famoso” a possibilidade de realizar o sonho do patriarca, falecido em 2002.

Patrício não hesita ao afirmar que se candidatou a vereador apenas para realizar o sonho do avô. No início de 2007, estudou os partidos e escolheu o Democratas por se identificar com a ideologia. Na verdade, a sigla não fazia diferença já que, na opinião de Patrício, os eleitores escolhem a pessoa e não o partido. “Os dois candidatos a irem para o segundo turno em Joinville são do PT e do DEM, duas ideologias completamente diferentes. É loucura que os dois mais votados sejam de partidos tão distintos, mas é que ninguém mais dá bola para essa questão de partido”, analisa Patrício.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o candidato não tem bens a declarar. Até o fechamento desta matéria, Patrício ainda não havia terminado de contabilizar os gastos da campanha, mas afirmava que não ultrapassam nem R$ 10.000,00. A campanha foi feita de porta em porta “gastando apenas sola de sapato”. O dinheiro usado foi, em grande parte, emprestado pela família, e a assessora da campanha foi a ex-colega de faculdade Karine Kavilhuka.

A grande questão é: Como um novato pôde alcançar a façanha de ser o vereador mais votado do estado sem nem mesmo uma campanha intensiva? “Foi uma surpresa para mim também”, conta ele. “É claro que eu esperava ser eleito, mas ninguém imaginava isso”. A única explicação para Patrício é a fama conquistada nos anos de jornalista, principalmente pelo trabalho de repórter de rua. “As pessoas me viam todos os dias nos bairros, mostrando os problemas da cidade, conversando com todo mundo. Elas confiam que eu vou manter esse trabalho como vereador agora”, avalia.

Depois de ser considerado o mico das eleições municipais 2008 por ter se candidatado, Patrício superou todos os limites. É o mais jovem vereador eleito para a próxima legislação. Sua votação superou em 1.603 a soma de votos que os candidatos à prefeitura Rogério Novaes (PV) e Darci Castro (PP) obtiveram. O segundo colocado nas eleições a vereador, Adilson Mariano (PT), recebeu três mil votos a menos.

Estes recordes, no entanto, não fizeram Patrício acreditar que sua capacidade ultrapassa a dos outros vereadores. Ele irá iniciar a sessão legislativa para dar posse ao prefeito e ao vice e conduzirá os trabalhos de votação da nova mesa diretora da Câmara de Joinville, mas não pretende se candidatar a presidente da Casa: “Primeiro eu preciso aprender a ser vereador”, avisa.

O petista que desafia Carlito

Vereador reeleito, Adilson Mariano não pretende mudar suas estratégias no Legislativo

Ana Carolina Luz – anacarolinadl@gmail.com

De calça jeans, sapatos esportivos escuros combinando com a camiseta preta, celular à mão, Adilson Mariano chega à sua sala exatamente às 15h55, cinco minutos antes do horário combinado. À vontade, inicia a conversa falando de sua satisfação por ter sido reeleito vereador com 5.574 votos, número que o deixou na segunda colocação dos mais votados. “É, parece que tenho feito um bom trabalho”, satisfaz-se.

Filho de José Ernesto e Rosalina Beumer Mariano, Adilson nasceu em 1974. Aos 14 anos começou a trabalhar na Metalúrgica Duque, empresa na qual permaneceu por 13 anos. Cursou história na Univille no período de 1993 a 2000. “Demorei mais do que o normal porque precisei trancar alguns semestres devido ao trabalho político”, justifica.

Aos 18 anos, Mariano concorreu à primeira eleição para vereador de Joinville. Na ocasião, conseguiu 490 votos. Tentou novamente em 1996. “E consegui 587 votos a mais que a eleição anterior”, comemora, mesmo não tendo sido eleito. Com a segunda derrota no Legislativo, Mariano partiu para o trabalho de assessoria do então deputado estadual Assis, do PT, ainda em 1996, com quem ficou até 2000.

Mariano vê a política como um instrumento por meio do qual as pessoas possam perceber a sociedade. “Ninguém muda o mundo sozinho”, reflete. Ele acrescenta que o cerne do problema da sociedade é o capitalismo. “O povo precisa ir a luta contra esse sistema”, acredita.

O petista faz parte da organização da Esquerda Marxista, corrente mais radical do PT, que diverge em alguns pontos da linha seguida pelo prefeito eleito no último dia 26 de outubro, Carlito Merss, e pelo também vereador Marquinhos Fernandes — os três são os principais nomes do partido em Joinville. Mariano explica que Carlito e Marquinhos são reformistas, enquanto ele — e a esquerda marxista — acredita que o atual sistema está fadado ao fracasso.

Na opinião de Carlito, o PT está sim dividido em algumas correntes, mas apenas internamente. “O Mariano é um vereador que tem clareza e importância significativa para o partido”, diz. Por isso, crê que os dois certamente se auxiliarão mutuamente nos quatro anos de mandato. No entanto, Mariano faz questão de deixar claro que, mesmo sendo do mesmo partido e defendendo os mesmos ideais, poderá haver divergência se o prefeito e sua equipe desviarem dos objetivos por ele defendidos: “Aí, seremos oposição”.

Vereador 24 horas por dia, de acordo com suas palavras, Mariano é casado há dez anos, mas ainda não tem filhos. “Estamos tentando, mas naturalmente ainda não deu”, lamenta, cogitando a hipótese de adoção. Professor de história para a segunda e a terceira série do ensino médio em uma escola pública do Parque Joinville, Mariano lembra bem humorado que, quando o contrataram para o cargo, muitos pais ficaram receosos, pois o achavam brigão. “Felizmente desfizeram essa imagem de mim”, comemora. “Só sou radical para ver os problemas resolvidos”.

Longe da Câmara de Vereadores, Mariano dedica o tempo livre para assistir a filmes de época, de ficção e policiais. “Não alugo filmes de política, sou normal”, brinca. Costuma ir às compras aos sábados ou domingos pela manhã. E só em mercados de bairro. “Shopping? Nem pensar”, ressalta.

No dia-a-dia, lê apenas para preparar suas aulas, além de dar uma passadinha nos jornais. “Aprendo muito no debate”, percebe. Mas a falta de leitura o faz pensar que lhe falta teoria. “Por isso, aproveito o período de férias para ler um ou dois livros, para tentar tirar o atraso”, comenta bem humorado.

Freqüentador assíduo da igreja católica, Mariano apega-se aos primeiros cristãos para exercer sua função pública. “Sempre lembro do que a bíblia diz sobre as pessoas dividirem seus bens com alegria”, conta, ligando a frase aos princípios socialistas. Todos os domingos, das 18h às 20h, Mariano participa com a esposa do grupo de reflexão de sua paróquia. “Jesus Cristo é admirável, é um referencial”. Além disso, também toca violão em um grupo que anima as celebrações. “É meu espaço para recarregar as energias”, admite.

Transporte público pode ter tarifas reduzidas

Se a promessa do prefeito-eleito Carlito Merss for concretizada, a tarifa abusiva de ônibus sofrerá redução.

Charles França – xarlys@hotmail.com

Carlito Merss, eleito com mais de sessenta por cento dos votos será o novo prefeito de Joinville a partir de 2009. Dentre os problemas a serem resolvidos, um incomoda a cidade há pelo menos 10 anos: o preço das passagens de ônibus. O petista, em seu plano de governo, propôs a redução da tarifa e o chamado “domingo livre”, no qual a passagem será gratuita um domingo por mês.

Em entrevista ao jornal A Notícia, Carlito disse que irá eliminar a “tarifa embarcada” de R$ 2,50, sendo R$ 2,05 se comprada previamente nos terminais. “Acho uma incongruência essa tarifa embarcada, não tem lógica”, afirma. O Movimento Passe Livre, defensor do transporte público gratuito, ainda não está satisfeito.

Membro do MPL, Leonel Camasão, diz que, a exemplo de outras cidades como São Paulo, Florianópolis e Curitiba, é provável que a prefeitura isente de impostos as empresas de transporte público. “Sabe o que isso significa? Dar dinheiro público para empresas privadas”, indigna-se ele. “O que defendemos é parecido. Ao invés de dar subsídio, queremos o aumento de impostos para mansões de luxo e áreas onde funcionam bancos. Isso, somado à verba de bussdor (painel de anúncios na traseira do ônibus) e propaganda nos pontos de ônibus, poderá financiar o transporte coletivo gratuito” conclui Leonel.

De segunda à sábado, a recepcionista Sara Carina da Maia, de 21 anos, faz de ônibus o trajeto de sua casa, no bairro Paranaguamirim, até o Centro. Mesmo recebendo vale-transporte, acha “abusivo” o preço da passagem. “Na ida e na volta, está sempre lotado e já aconteceu de o ônibus quebrar no meio da rua. (…) No (terminal do bairro) Itaum, tenho de esperar um bocado até aparecer o próximo (ônibus) que vai para o bairro onde moro”, reclama.

Para fins de comparação: Curitiba e região metropolitana têm mais de três milhões de habitantes e 28 empresas de transporte urbano coletivo. Enquanto isso, Joinville tem população equivalente a um sexto da apresentada pela capital paranaense e arredores, e apenas duas empresas de transporte público.

Bebida reúne fãs nos Clubes do Whisky

Os Clubes de bebidas são uma mania mundial e estão presentes em vários bares de Joinville. Agora já proliferam variações como o Clube da Vodka e o Clube da Cachaça.

Ariane Olsen – aloha_ani@yahoo.com.br

O Clube do Whisky já existe em inúmeras cidades brasileiras há anos. Cada bar decide se sediará uma “filial” do clube. Nos estabelecimentos da muito freqüentada rua Visconde de Taunay, e nos da região central de Joinville, encontram-se clubes dos mais variados – seja do whisky, da vodka ou da cachaça.

Funciona assim: o cliente, ao invés de comprar uma dose a cada visita ao bar, compra logo a garrafa. Esta, ficará reservada somente para ele, com seu nome e um medidor de volume, para garantir que ninguém lhe roube o precioso destilado. Assim, segundo Gelson Souza, sócio-gerente do Paiol, se conquista a fidelidade do cliente, enquanto este economiza, pois paga menos do que se bebesse a mesma quantidade comprando dose a dose.

O Paiol, porém, localizado na rua Pedro Lobo, é um dos poucos Clubes que não oferecem vantagens aos seus membros. Todos afirmam que o atendimento ao cliente é igual, participe ele do clube ou não, mas mesmo assim, estabelecimentos como a Cachaçaria Água Doce e o Zum Schlauch oferecem aos membros regalias como promoções e descontos.

A Cachaçaria dá ênfase aos clientes pertencentes ao Clube da Cachaça. De acordo com o proprietário Alison Favaro, por serem uma cachaçaria, dificilmente a clientela prefere whisky a uma boa cachaça. Por isso, sua atenção é voltada para o outro Clube. Mesmo assim, os membros ganham promoções e descontos. Já no Zum Schlauch, além de brindes, descontos e promoções, a casa promove um almoço mensal gratuito para os membros do Clube.

É no Zum Schlauch que o quesito status influencia mais na decisão de tornar-se membro. Lindas casinhas talhadas de madeira ao redor de uma grande lareira são reservadas para a armazenagem das garrafas dos clientes. Os membros são dispensados de pagar o couvert dos artistas, ganham almoços e promoções. Oldair José da Silva, gerente do estabelecimento diz que apesar das regalias, o tratamento entre clientes membros e não membros não é diferenciado.

Contrariando Oldair está o membro do Clube do Whisky do Zum há um ano e meio, Heriberto Garcia garante que recebe tratamento diferenciado: “Freqüentava o bar antes, e definitivamente mudou bastante o tratamento desde que me tornei membro do Clube”. Diz também que quando chega no local é atendido rapidamente, tem uma mesa rapidamente disponível, já com sua garrafa na mesa. “É muito bom para levar clientes lá, é mais cômodo”, completa Heriberto.

O maior e mais antigo Clube do Whisky de Joinville e do sul do país é o do Expresso Choperia. Serve 22 variedades da bebida, conta com expressivos 2.132 membros. Oferece as mesmas regalias que os concorrentes, jantares gratuitos – dois ao ano –, isenção de couvert artístico, isenção de fila, preços diferenciados, e promoções exclusivas para membros.

Na Ponta do Lápis

Mais do que uma celebração ao destilado, o Clube do Whisky é um clube de elite. Reúne sob o rótulo de membro do clube não só a elite financeira da cidade, mas os que fazem ou desejam fazer parte da elite social local.

Os litros de Johnny Walker Red Label – o rótulo mais popular entre membros do Clube – são vendidos por cerca de R$120, e, mesmo com desconto, custam muito mais do que o mesmo produto no supermercado: R$79,90. Motivos para a filiação como “economia”, não podem ser verdadeiros. Qualquer amante do destilado optaria por beber mais, mesmo que em casa. Já os privilégios e o status de ser membro do Clube do Whisky, só se consegue assim.

Até para os “ratos de bar” que não gostam muito de Whisky podem se aproveitar do Clube. No Zum os membros do Clube não pagam o couvert de (em média) R$4. Como o litro do Whisky Johnny Walker Red Lable custa cerca de R$120 nesse bar, são necessários 30 couvert não-pagos para que a garrafa se pague. Trinta noites significam uma freqüência de uma a duas vezes a cada quinze dias durante um ano. Este número diminui drasticamente se forem contabilizados os almoços gratuitos. Mas a sua consumação e a de seus amigos, tanto nas noites quanto nos almoços farão com que gaste uma quantia considerável no estabelecimento.

Grupo Arueira: o toque popular brasileiro de Joinville

O grupo musical produz o primeiro álbum com características da brasilidade e do regionalismo

Daniela do Canto – cantodaniela@gmail.com

A musicalidade do grupo joinvilense Arueira traz a brasilidade regional nas suas canções. O grupo está finalizando a gravação do primeiro CD, que sairá entre final deste ano e início de 2009. Eles estão com 15 anos de carreira, resgatando o som de várias partes do país. Os músicos estão na fase de produção. Paralelo a esse trabalho, fazem algumas apresentações em bares, quando convidados, e tocam em eventos fechados. Mas, no momento, a ênfase é o álbum que vai chegar por aí.

O ritmo característico deles é o Reggae. “Gostamos de dizer que tocamos música brasileira com a levada do reggae”, diz Newton Grande, percussionista da banda. Além de valorizar a influência musical de cada integrante na composição, eles fizeram uma pesquisa musical regional para enriquecer o repertório. O resultado são músicas com uma pitada das regiões de Minas (caipira), Santa Catarina (boi de mamão), Rio Grande do Sul (maçambique), Rio de Janeiro (chorinho e samba) e do Nordeste (maracatu, baião, xote) . Essas características formam a identidade musical da banda.

O Arueira, apesar de tocar pouco em Joinville, tem um público fiel que recebe as notícias e a agenda do grupo através de email ou meios de comunicação. Desta forma esse público pode assistir aos shows.

Dificuldades

Newton afirma que fazer música numa cidade alegre e festiva como Joinville, com toda essa gama de criatividade não é tarefa difícil e, hoje em dia, com a facilidade de acesso a informações que se tem via tecnologia, o trabalho se torna mais prazeroso ainda. Porém, a banda passa por alguns problemas ao tocar na cidade. “As dificuldades que encontramos são sempre no que diz respeito ao espaço físico para comportar um sexteto e nosso instrumental, aliado ao custo que dificilmente alguma casa noturna pagaria a uma banda não comercial”, relatam os músicos.

As apresentações mostram o objetivo que a banda tem de popularizar músicas de cantores como Alceu Valença, Caetano Veloso, Chico Buarque, Zé Ramalho, Gilberto Gil, Belchior, Lenine e Zeca Baleiro, intercaladas com as composições próprias.

Os musicistas escolhem canções que tem afinidade com cada um deles. O propósito é passar esse sentimento musical para quem vai ouvi-los. No repertório dos shows eles costumam cantar músicas conhecidas, do estilo deles e também as músicas que não fazem parte do cenário comercial chamadas de “lado B”, sempre incluindo as próprias composições. A banda tem o conhecimento de que a mídia tem um segmento comercial e quase não toca a música regional. Na contramão, o Arueira lembra sempre o regionalismo nas suas músicas.

O Grupo Arueira surgiu no início de 1995, fundado pelos músicos Dentinho (voz e violão), Formiga (baixo), Lucas (guitarra e violão) e Robson (bateria), para atender um pedido da FUNARTE para participar do Projeto Pixinguinha. Em 2005, para comemorar os 10 anos de formação do Grupo, foram convidados a participar do show “Nos Trilhos da Estação” os músicos Jackson Araújo (piano, sanfona e Teclados), Jorge Pires (flautas) e Newton Grande (percussão).

Essa influência dos ritmos reconhecidamente brasileiros fica evidente até nos dias de hoje através da formação atual da banda, que conta com Dentinho, Formiga, Jorge Pires, Jackson Araújo, Jonas Nascimento e Newton Grande.