Campanha lançada pelo TRE pode ter ajudado a reduzir crimes eleitorais

Em Joinville, número de denúncias relativas a propaganda irregular é menor se comparado às eleições passadas

Eva Croll – eva.croll@gmail.com

Quatro anos é muito tempo, principalmente quando as coisas não vão bem. Foi essa frase que ilustrou a campanha de conscientização lançada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesse período de eleições municipais. A idéia era apresentar aos eleitores de todo o Brasil alguns sujeitos que passam por situações um tanto esquisitas. Cada um à sua maneira, o objetivo de todos era o mesmo: mostrar para a população que perder uma oportunidade pode fazer você perder muito tempo.

Os seis comerciais – Cometa, Carro, Abelha, Sapateado, Círculos e Emoções, criados pela agência de propaganda W/Brasil – faziam uma analogia bem-humorada à gestão dos próximos prefeitos e vereadores, que, se não fossem bem escolhidos, não trariam grandes evoluções aos municípios.

Elis Brandino, assessora de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), acredita que a brincadeira tenha dado certo. Segundo ela, através desse novo formato de campanha, o TSE pôde mostrar um outro lado das eleições e dizer que o voto e a política, apesar de ser coisa séria, não precisam ser encarados como algo pesado. “Os comerciais são voltados para o eleitor menos informado e mais vulnerável, mas, ao mesmo tempo, conseguem dialogar com todas as camadas sociais”, explica a jornalista. E os brasileiros parecem ter captado a mensagem.

É no TRE, em Florianópolis, que são julgados os casos de crimes eleitorais ocorridos em todo o estado de Santa Catarina. A assessoria de imprensa acompanha o julgamento de todas as Aije (Ações de Investigação Judicial Eleitoral), e Elis garante que, neste ano – pelo menos até o primeiro turno – houve poucas denúncias de crimes eleitorais “piores” – como a compra de votos, por exemplo -, se comparado às eleições anteriores.

Uma novidade neste ano é a resolução número 22.718/08, que regulamenta a lei das eleições (9.504/97) e dispõe sobre as condutas vedadas aos agentes públicos em campanhas eleitorais. Quem cita essa regulamentação, ao começar a falar sobre os crimes eleitorais ocorridos na cidade de Joinville, é a chefe de cartório eleitoral Celmira Adamovcz Saldanha. Ela começou a trabalhar na 76ª zona eleitoral em 2004, último ano de eleições municipais, em que foram registrados mais de duzentos processos relacionados a propagandas eleitorais irregulares e crimes eleitorais.

No ano de 2008, até agora, apenas oitenta denúncias chegaram ao cartório. Celmira calcula que, somadas às que estão por vir no segundo turno, não cheguem a cem. Ela atribui isso à campanha de conscientização lançada pelo TSE, mas também ao medo que as pessoas têm em denunciar. “O número de denúncias que recebemos é baixo se comparado ao número de crimes eleitorais praticados”, reconhece. Em um município como o de Joinville, que abriga aproximadamente 340 mil eleitores, as irregularidades mais freqüentes no período de campanha eleitoral são a propaganda irregular, o abuso de poder por parte de alguns candidatos e a compra de votos.

Não se sabe, no entanto, se o número bem menor de denúncias registradas até agora é uma notícia boa ou ruim: ou a campanha de conscientização lançada pelo TRE teve o efeito preventivo esperado, ou as estratégias de corrupção adotadas pelos políticos para com os eleitores estão mais eficazes do que nunca.

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Candidato do PSDC é único joinvilense a utilizar YouTube na campanha

Maior site de publicação de vídeos não atraiu candidatos joinvilenses

Cláudia Morriesen – clau.morriesen@gmail.com

Talvez o vídeo mais criativo encontrado no youtube entre as campanhas de eleições municipais em Joinville seja o intitulado “Meu Pai Meu Exemplo”, adicionado em 28 de setembro. Estrelado por Daru, professor de matemática conhecido pelas imitações em sala de aula, o vídeo é um VT de dois minutos e 30 segundo no qual o professor pede votos para Osvaldo Henrique Daru, do PSDC e da coligação Joinville que a gente quer. O candidato é pai do professor. O autor do vídeo admite que não está ali “para falar de matemática, nem de estatística, nem de nada”. Só quer pedir que a galera vote no pai dele.

No vídeo, Daru filho ainda encarna as personagens Zé Mané, um jogador de futebol que vota no candidato 27633 (afinal, o esporte é uma das bandeiras do candidato) e Daruzete, no qual aparece com uma toalha rosa na cabeça e um microvestido dançando Mercy, da cantora Duffy, que faz sucesso entre o público jovem. Para concluir o vídeo, produzido com os recursos do Windows Movie Maker, o professor canta uma espécie de samba jingle da campanha.

O resultado foram 287 visualizações do vídeo adicionado em 28 de setembro, 310 na cópia adicionada em 29 de setembro, três comentários e 512 votos para Daru pai no dia 5 de outubro.

Recurso pouco usado

A campanha do Daru filho para o Daru pai, ainda que sem retorno é, no mínimo, criativa. Nenhum outro candidato à câmara de vereadores de Joinville pensou na produção de mídia para internet, publicando no youtube apenas os VTs das campanhas veiculados também na TV.

Por outro lado, um não candidato da cidade utiliza o site para fazer sua campanha, ainda que esta seja fictícia. São 11 vídeos no youtube que pedem votos para Shaolim, candidato de número 00101, partido e coligação desconhecidos e chegado a churrasquícios e campanhas “copo-a-copo”.

Joinville tem cinco candidatos a vereador com idade até 20 anos

Dos 280 candidatos a vereadores em Joinville, apenas cinco têm idade entre 18 e 20 anos.

Francine Hellmann e Alexandre Perger – fran_hellmanns@yahoo.com.br / ale.perger@gmail.com

O quadro de cinco candidatos com menos de 20 anos reflete uma realidade nacional de desilusão da juventude com a política, constatada pela pesquisa Datafolha de maio e pela pesquisa Vox Populi de julho deste ano. Os estudos demostram que a maioria dos jovens entre 16 e 25 anos depositam seus sonhos em bens materiais. Ideologias políticas não despontam como principais valores desta faixa etária e 74% dos entrevistados afirmam não ter nenhum interesse em participar de agremiações partidárias.

Charles Henrique Voos (PDT), 20 anos, é o quarto concorrente mais jovem à Câmara de Vereadores de Joinville. Para ele, é necessário retirar os “velhos dinossauros” do Legislativo. “A Câmara é um local de representatividade de todos os seguimentos da cidade, inclusive da juventude”, acredita. O Partido Democrático Trabalhista não foi escolhido por acaso. Convidado por oito partidos, Charles decidiu entrar no PDT pela maior possibilidade de eleger-se.

A decisão foi matemática: O partido lançou 14 candidatos. Segundo Charles, nenhum deles possui grande expressão. Assim, caso garanta-se o coeficiente eleitoral necessário para conquistar uma cadeira na Câmara, há maior possibilidade de um candidato jovem e com poucos votos se eleger.

A mais jovem cidadã a disputar o pleito municipal é a estudante do ensino médio Tailaine Smieguel (PV). Com 18 anos de idade, a garota espera “mudar o jeito de fazer política em Joinville”. Filha do presidente municipal do Partido Verde, José Carmelito Smieguel, Tailaine convive com política desde os 6 anos de idade. Porém, apenas este ano, com um curso oferecido pela legenda, tomou conhecimento sobre o sistema administrativo da cidade.

Tailaine e Charles não compartilham a mesma expectativa com relação aos votos dos eleitores da sua mesma faixa etária. Com materiais específicos, o pedetista espera conscientizar a juventude que “só um jovem entende os jovens”. Já Tailaine acredita que esta parcela do eleitorado não se interessa por política.

A pesquisa Vox Populi, realizada em julho deste ano, reflete que o assunto administração da cidade, Estado ou país não é o preferido dos cidadãos brasileiros entre 16 e 24 anos. De acordo com o levantamento, se o voto não fosse obrigatório, apenas 26% destes eleitores compareceriam às urnas. Dentre os entrevistados, 39% desconhecem a lei que proíbe a compra de votos e 70% não tem nenhuma inserção social ou partidária. Em Joinville, aproximadamente 60 mil eleitores têm entre 16 e 25 anos.

A estudante Jaqueline Mello, 19 anos, está entre os 52% de jovens brasileiros que estão desiludidos com a política e não acompanham o horário eleitoral gratuito. Para ela, o que os candidatos praticam é “politicagem”. “Isso faz com que o povo se desinteresse pela propaganda eleitoral”, afirma.

Entre os 47% que acompanham está a estudante Tatiane Sabatike, 18 anos. Ela acredita que os rumos que a sociedade irá tomar dependem do resultado nas urnas. Para ela, as ideologias partidárias independem dos filiados. “O dia em que a população descobrir o que é ideologia e se identificar com alguma, tudo vai melhorar”, afirma. Assim como Tatiane, 13% dos jovens ainda levam em consideração o partido na hora de escolher seus candidatos.

Candidato de SC é o terceiro parlamentar mais rico do país

Neste ano, acontecem as eleições para prefeito e vereador em todas as cidades do país, e assim como nas eleições passadas, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgou a declaração de bens de todos os candidatos.

Andressa Thayse Schulzeandressathayse@gmail.com

No dia 5 de outubro acontecem as eleições para prefeito e vereador em todas as cidades brasileiras. Por este motivo o TSE ( Tribunal Superior Eleitoral) divulgou a lista com a declaração de bens de todos os candidatos. Em Santa Catarina o candidato a prefeito de São José enriqueceu milhões em dois anos.

Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o deputado federal Djalma Berger (foto) foi o candidato que mais enriqueceu desde a última declaração, quase R$4 milhões em apenas dois anos. O candidato a prefeito de São José pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro), só não é mais rico do que Paulo Maluf (PP) e Reinaldo Nogueira(PDT),ambos de São Paulo.

Em 2006, quando se candidatou a uma cadeira na Câmara dos deputados,Berger declarou à Justiça Eleitoral possuir pouco menos de R$1,5milhão,valor que passou para R$5,5milhões nestas eleições. Ainda segundo o TSE, o atual deputado foi o parlamentar que mais enriqueceu dentre os 85 candidatos às prefeituras deste ano. Em dois anos o político aumentou 286% o valor de seus bens.

Questionada sobre o crescimento elevado de bens do candidato, a assessoria de imprensa de Djalma Berger em Santa Catarina, informou que os bens são os mesmos de 2006, o que aumentou foram os preços de mercado, e um valor de mais de R$ 2 milhões que o deputado tem para receber de empresas.

Dentre os bens declarados, o candidato possui três terrenos em Florianópolis, três apartamentos, duas lanchas, três automóveis e duas casas, uma no valor de RS 220 mil e a outra de quase R$500 mil. Berger possui ainda salas comerciais e edifícios residenciais.

Comparação
O deputado federal concorre às eleições deste ano com outros quatro candidatos, Adeliana Pont (PMDB), Carlos Muller (PSTU), Círio Vandresen (PT) e Fernando Elias (PSDB), que juntos possuem um total de bens de aproximadamente R$1,3 milhões, quase quatro vezes menos do que possui Djalma Berger.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), São José possui atualmente um PIB (Produto Interno Bruto) de aproximadamente R$1,6 milhões, o que equivale a uma renda per capita de quase R$ 9 mil por ano. Se compararmos com a riqueza acumulada pelo candidato neste mesmo período veremos que Djalma Berger arrecadou uma renda superior a 220 vezes o valor arrecado por uma única pessoa e três vezes o valor do PIB.

Em uma outra comparação feita entre Djalma Berger e Rodrigo Bornholdt, candidato a prefeito de Joinville,e que possui um total de bens declarados à Justiça Eleitoral de R$2,7 milhões, o deputado são-josefense possui quase duas vezes o total de bens de Bornholdt, algo equivalente a 105%.

Berger é natural de Bom Retiro, na região serrana de Santa Catarina. Formado em administração e engenharia civil, o deputado entrou na vida pública em 1997, trabalhando como secretário de Transportes e Obras da prefeitura de São José. Em 2006 foi eleito deputado federal, sendo o terceiro candidato de Santa Catarina mais votado, com 126419 votos.