O lado negativo da Nona Série

Nona série é motivo de polêmicas e discussões. A nova lei prejudica ensino e faz com que as crianças se deparem cada vez mais cedo com o fracasso e as cobranças

Andressa Thayse Schulze – andressathayse@gmail.com

Com o intuito de tornar obrigatória a matrícula de crianças de 6 anos na escola, o Governo Federal modificou a lei e ampliou o Ensino Fundamental de oito para nove anos. Na prática, a pré-escola passa a se chamar primeiro ano ou primeira série e a antiga oitava série, agora é nona série. Em vigor desde fevereiro de 2006, a nova lei deve ser adotada em todos os estados até 2010.

Segundo dados do Ministério da Educação e Cultura (MEC), esta nova lei contribuirá para um melhor aprendizado das crianças, uma vez que é nos primeiros anos da infância que elas absorvem o maior número de informações e conhecimentos. No ano de 2003 o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) realizou uma pesquisa que mostrou que crianças que chegaram a primeira série sem passar pela pré-escola tinham mais dificuldades em ler do que aquelas que fizeram o ensino infantil.

Apesar das mudanças na lei, o currículo escolar não sofreu alterações. O que era ensinado na antiga sétima série, por exemplo, agora é ensinado na oitava, e o que era ensinado na primeira agora é lecionado na segunda série. “A única coisa que mudou foi o nome. Antes era da pré-escola à oitava série e agora vai do primeiro ano ao nono ano”, explica Sérgio Rocha, pedagogo e administrador escolar do Centro Educacional Infantil Luana Cristie de Joinville.

Com relação às mudanças, a mais significativa se refere ao fato de que cada vez mais cedo as crianças estão se deparando com o fracasso e as cobranças. As repetências, trabalhos e provas que antes começavam a ser cobrados na antiga primeira série, agora começam na antiga pré-escola. Desde 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) permite que crianças de seis anos ingressem no Ensino Fundamental, mas prevê que aquelas que estejam na pré-escola não sejam avaliadas a fim de promover ou reprová-las.

A nova lei não pegou de surpresa pais e professores, uma vez que segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2004 apenas 11,5% das crianças com seis anos estavam fora da escola. Das que estudavam 26 % freqüentavam o Ensino Fundamental, não mais a pré-escola.

O preocupante, segundo o Conselho de Educação Nacional (CNE), é que os estados que mais matricularam crianças de seis anos no fundamental naquele ano, foram aqueles com o maior número de repetências. Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba, os três estados com maior proporção de crianças matriculadas, fecharam o Censo com índices de aproximadamente 45%, 44% e 46 % de repetências, respectivamente.

Para Ana Lúcia Moreira, mãe de Bruno de cinco anos, a pré-escola é fundamental para as crianças, uma vez que é nela que as mesmas adquirem o primeiro contato com a escola. “Forçar as crianças a ler e escrever não vai fazer com que elas aprendam. A pré-escola é a âncora para que elas adquiram este gosto”.

Aula musical nas escolas particulares de Jaraguá do Sul

Professores de música da Scar vão até as escolas para ensinar arte e educação. As atividades fazem parte do projeto “Zoológico Musical”

Daiana Constantino – daiana_constantino@hotmail.com

“Como pode um peixe vivo viver fora da água fria? Como poderia viver sem a sua companhia?” A canção estimulou os 38 alunos da educação infantil, do Instituo Educacional Jangada, de Jaraguá do Sul, a soltar a voz e participar das atividades do projeto “Zoológico Musical”. A aula aconteceu na terça-feira (14), das 14h às 15h30, na sala de dança, que fica anexa a unidade de ensino.

O projeto tem como objetivo divulgar os cursos da Scar (Sociedade Cultura Artística) e difundir a música. O trabalho é realizado por quatro professores da Scar, Elisabetth Mueller (pedagoga musicista), Talita Martins (harpista e pianista), Roberto Kock (instrumentos de sopro) e Fábio Santos (violinista) em parceria com as escolas de ensino pago focada nos alunos da educação infantil e básica. A intenção é levar o projeto as escolas públicas.

Durante a aula, os educadores apresentam instrumentos musicais e ensinam as características de cada um deles. Os músicos encenam uma história musical e os alunos imitam os personagens e cantam com eles. A professora Elisabeth destacou que a música contribui para a organização em grupo e conhecimento de novas culturas. “As aulas servem para o desenvolvimento social”, ressaltou ela.

Fábio acredita que o primeiro passo na educação musical é levar o conhecimento da música e dos instrumentos até as crianças. “É importante conscientizar de que não é complicado e que se pode tocar um instrumento” enfatiza o professor.

A professora Sabrina Schlepka, 30 anos, que leciona para o maternal, do Jangada, acha a música primordial  para estimular o gosto das crianças, além de ajudar os alunos a desenvolver a fala. “Um menino tem problemas de audição, mas durante a atividade ele conseguiu sentir a música”, completou a educadora.

Observação astronômica é realizada em escolas de Joinville

Um projeto idealizado pelo professor José Fernando Fragalli, da Udesc Joinville, tomou forma em agosto de 2007 e caminha para o segundo ano.

Lorena Trindade – lorena_trindade@yahoo.com.br

Desde agosto de 2007, o curso de Física da Udesc Joinville colocou em prática o projeto “Astronomia como base de educação para a ciência”. A idéia do professor José Fernando Fragalli foi transformada em projeto de extensão e com a colaboração de dois bolsistas, Iury Körting de Abreu e Juliana Motter, a observação telescópica começou a ser levada para além dos muros do campus.

As escolas públicas de ensino médio e fundamental têm a chance de ampliar o conhecimento de seus alunos. Além das instituições, todas às sextas-feiras, a observação astronômica acontece no campus da universidade, a partir das 18 horas, no campus da universidade. Mas esta não é a única ação dos físicos. Para reunir os interessados na ciência que move o mundo, mais projetos, trabalhos e experiências podem ser conferidos no site http://www.mundofisico.joinville.udesc.br/index.php ou no portal da universidade.

As escolas interessadas em receber o telescópio deve entrar em contato com o Departamento de Física da Udesc. O telefone é: 4009-7944 ou 4009-7858.

Alunos estudam literatura e biografia de Machado de Assis

Centenário de morte do poeta incentivou a leitura das obras machadianas em salas de aula de Jaraguá do Sul

Daiana Constantinodaiana_constantino@hotmail.com

Michel Formighieri conheceu Machado nas aulas de literatura

Michel Formighieri conheceu Machado nas aulas de literatura

Em Jaraguá do Sul, das 18 escolas estaduais apenas a Professor João Romário Moreira realizará evento em comemoração ao centenário de morte de Machado de Assis. E das 34 instituições municipais somente a Escola de Ensino Fundamental Machado de Assis fez atividades alusivas aos cem anos de morte do poeta no dia 29. A data serviu de incentivo a leitura das obras machadianas e os professores aproveitaram para ensinar sobre o escritor em sala de aula.

O pátio da Escola Municipal de Ensino Fundamental Machado de Assis lotou para a apresentação da peça “Conto de Sala de Aula de Machado de Assis”. Os alunos desfilaram caracterizados e depois declamaram poesias do escritor. Para a diretora Gisela Relindes Frankowiak, os eventos possibilitaram aos estudantes conhecer a biografia do romancista e suas obras literárias.

Os professores da Escola Estadual de Ensino Médio e Fundamental Professor João Romário Moreira preparam atividades para o dia 15 de outubro. Segundo a diretora, Liane Lia Reinke Pinheiro, duas apresentações teatrais estão marcadas, a partir das 19h, na Sociedade Aliança, localizada no bairro Rio Cerro II.

Escola inspira alunos com mensagens de Machado de Assis

Escola inspira alunos com mensagens de Machado de Assis

Mesmo sem atividades extra-classe, os alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Abdon Batista não ficam atrás. A estudante Joana Caroline Martins, 15 anos, conta que leu Dom Casmurro. “Essa é uma obra depressiva, que fala de morte”, afirma Joana. A aluna gosta do jeito que Machado narra os fatos e os descreve. “Ele é realista e se comunica com o leitor”, aprovou a aluna.

No Instituto Educacional Jangada, o poeta é estudado durante as aulas de literatura. O aluno Michel Formighieri, 18 anos, conhece algumas obras. “No geral as produções de Machado de Assis são românticas, dramáticas, têm heróis problemáticos e a maioria é narrada em primeira pessoa. A história é focada em amores figurados, como acontece em Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas”, explica Formighieri.