Editorial

Ambigüidade digital

Comunicar-se com os amigos e parentes mais distantes. Matar as saudades. Pagar as contas. Fazer negócios. Lançar pensamentos e idéias. Consultar dados. Informar-se. Entreter-se. Educar-se. Fazer campanha política. Passar o tempo, ou ganhar tempo? A internet está presente, cada dia mais e com maior participação na vida do brasileiro.

Através dela, a vida pode se tornar mais simples, prática e econômica, ainda mais agora com acesso mais democratizado e rumo ao acesso mais econômico e, quem sabe, gratuito – se vencermos as barreiras impostas pelas companhias telefônicas.

Se voltarmos o olhar para os aspectos positivos do acesso à internet e da forma como podemos utilizá-la em nosso dia a dia, a vida digital do joinvilense pode tornar-se muito mais econômica e prática. Basta um click, e um mundo de informações úteis estão à sua frente.

Em breve, a própria educação e os negócios poderão acontecer a partir do lar, como já é realidade para muitos brasileiros. Embora esta não seja a opção mais saudável ou agradável a todos, saber encontrar-se no mundo virtual é hoje, essencial para estar atualizado.

O joinvilense está, aos poucos, aprendendo a usufruir desses benefícios. Até as instituições de ensino estão se comunicando mais com seus alunos, pais, prospects e docentes, oferecendo informações úteis e educativas.

Apesar desta incrível jornada de descoberta das praticidades advindas da tecnologia virtual, não podemos deixar de questionar o quanto isso pode afetar o convívio pessoal e o desempenho social da comunidade, afinal de contas, à medida em que as crianças crescem cada vez mais familiarizadas com o computador e a conectividade da internet, mais os parques estão se extinguindo sem tocar a nossa percepção.. Afinal de contas, cada vez mais caminhamos para uma sociedade em que as áreas verdes e livres estão com falta de transeuntes, e na qual, a cada dia que passa, mais pessoas estão trabalhando em home offices, estudando em homeschools e, pedindo comida pela internet.

Observar nossos relacionamentos neste momento é fundamental para repensar os estilos de vida que estamos criando, pois o que nos traz a comodidade, precisa ser um braço para uma vida melhor e não um mecanismo que nos conduza a uma vida solitária e presa em sua virtualidade.

Um convite:Machado de Assis

EDITORIAL

Uma edição para lembrar o centenário de morte de Machado de Assis. Escritor clássico, adepto de vários gêneros, Machado foi personagem da sua própria história e conseguiu construir um estilo de linguagem peculiar.

Poeta, dramaturgo, cronista, crítico, ensaísta, jornalista e até burocrata, o autor sabia como ninguém delinear o perfil psicológico de um personagem e, não somente, dar-lhe vida por ações. Considerado autodidata, aos 16 anos publicou seu primeiro trabalho literário, o poema “Ela”, na revista Marmota Fluminense. Com o interesse precoce pela vida intelectual e a paixão latente pela literatura o menino do Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, transformou-se em fascinante escritor, cujas obras despertam curiosidade e a leitura permite uma analogia com a atual conjuntura brasileira.

Nós que também somos atores dessa teia social do século XXI, publicamos algumas das facetas de Machado e um recorte dos canais de acesso ao seu legado, principalmente na web.

Uma edição temática, um convite para ler, conhecer e lançar novos olhares – ainda mais contemporâneos – sobre a obra machadiana.