Daniela Alves: a nova geração da gastronomia de Joinville

Em pouco mais de um ano, a chef começou a estudar, formou-se e passou a pilotar cozinhas de hotel

Jouber Castro – jouberhc@gmail.com

O lugar de onde veio Daniela Alves, 27 anos, está expresso no sotaque carregado e no paladar: impossível negar que se trata de uma legítima mineira. “Fui criada comendo os quitutes que a minha mãe e a minha avó preparavam. Foi por isso que, com dez anos, comecei a cozinhar, e já fazia frango com quiabo, prato que eu adoro”, explica a moça que desde o fim de setembro é a comandante da cozinha do Anthurium Bistrô, restaurante do Anthurium Parque Hotel, de Joinville.

A história com a comida é longa, mas com a gastronomia nem tanto: faz pouco mais de um ano que ela embarcou no curso de técnico em gastronomia pelo Senac de Minas Gerais, tendo a primeira experiência no Hotel Grogotó, em Barbacena, primeiro hotel-escola da América Latina, e que atende cerca de 150 clientes por dia. “Lá, passei por todos os setores de uma cozinha, mas queria mesmo era ficar no entremetier, coordenando a composição de molhos, carnes e acompanhamentos”, diz ela.

Em abril de 2008, Daniela concluiu o curso já empregada, e de cara como chef de cozinha: foi contratada para comandar a cozinha da Pousada Solar Singuitta, um dos hotéis mais requisitados de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. O local conta com uma cozinha exclusiva, já que valoriza a privacidade dos hóspedes. No Singuitta, Daniela cozinhou para gente como Fabio Assunção, Luciano Szafir e outras celebridades. Porém, ficou inquieta: “Lá tinha uma estrutura ótima, mas o movimento era pequeno. Atendíamos a apenas 12 suítes”.

A inquietude a fez enviar seu currículo ao administrador do Anthurium, que gostou do que leu. Numa semana, ela veio fazer uma entrevista de emprego. Na semana seguinte, já estava aqui definitivamente. Melhor ainda: seu marido, Rodrigo – com quem trabalhava no Singuitta – também conseguiu emprego em Joinville. Ele é o novo supervisor do Holz Hotel.

A primeira atitude de Daniela no Bistro foi reformular todo o cardápio. Incluiu especialidades suas como o talharim al mare, com limão siciliano, e o medalhão moscovita, com cogumelos flambados. Ela também averigüou o que havia de disponível na cozinha, e foi dessa maneira que surgiu o Risoto de Bacalhau, prato mais pedido no primeiro mês de “chefia”. “Havia pedaços de bacalhau congelados no canto do freezer, que íam ser jogados fora. Pedi que fossem limpos, dividi em porções e criei o risoto”, lembra.

Daniela trabalha muito com frutos do mar e temperos mediterrâneos. Além disso, abusa de azeites e óleos naturais, sua marca nos pratos. Gosta também de combinações com frutas: “Acredito que as frutas dão uma leveza interessante ao prato”.

Ela conta que o prato mais gostoso que já comeu foi costeleta de cordeiro com purê de maçã, que comeu no Mercado Cruzeiro, em Belo Horizonte. “Além de muito gostoso, o prato estava bem montado”, recorda. O melhor prato que já fez foi, na verdade, um desafio: “Um hóspede pediu um risoto, na época do Singuitta, mas não comia carne. Acabei criando um Risoto de Pêra com Queijo Bree, que ficou muito gostoso”.

Para ela, o dia vale quando o cliente se mostra satisfeito: “Para mim é uma realização. Vou para casa tranqüila”. O que espera de Joinville? “Reconhecimento profissional”. E o que Joinville por esperar de Daniela Alves? “Muito trabalho, e atendimento personalizado”. É só esperar para ver.

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Chef de Joinville ensina receita de petit gateau

O contraste entre o quente e o frio que deu certo na culinária francesa, foi incorporado à culinária local

Ana Carolina Luz – anacarolinadl@gmail.com
Camila Prochnow – prochnow.camila@gmail.com

Um bolinho arredondado, macio e consistente. De chocolate, cai muito bem quando servido quente acompanhado de sorvete de creme. Eis o petit gateau, criação francesa que, em poucos anos, foi conquistando paladares ao redor do mundo.

Não se sabe ao certo quando a sobremesa surgiu. No entanto, sua criação é atribuída a um erro de preparo, tal qual o chantilly: por cozimento insuficiente, a massa ficou mais assada nas bordas, enquanto no interior, a mistura dos ingredientes não teve o tempo necessário para endurecer, ficando assim com um aspecto líquido.

Com casca crocante e recheio cremoso, as receitas são muitas, porém, cada uma leva ingredientes um pouco diferenciados, como por exemplo o rum e a vodca. “Mas a essência é a mesma”, conta Richard Schneider, chef do Le Jardin Restaurant, em Joinville. Ele, que há dez anos atua no ramo gastronômico, ensina uma das mais tradicionais receitas dessa iguaria:

Ingredientes:

100g de farinha de trigo
110g de açúcar
250g de chocolate meio amargo
250g de manteiga sem sal
5 ovos inteiros
5 gemas

Modo de preparo:

Pica-se o chocolate e a ele junta-se a manteiga. Leva-se então ao microondas, em banho maria, até ficarem homogêneos. Acrescenta-se o açúcar, a farinha, os ovos inteiros e as gemas, sempre com uma leve mexida entre a junção de cada ingrediente. Agora, a massa pronta é colocada na forminha adequada, untada com açúcar, chocolate em pó ou canela, e é levada ao forno pré-aquecido a 180º durante sete minutos. Após esse período, é só desenformar e servir, ainda quente, acompanhado de sorvete de creme.