Marquinhos: o fiel escudeiro de Carlito

Eleito pela terceira vez, agora Marquinhos terá a companhia do também petista Carlito Merss na prefeitura de Joinville

Rayana Borba

Prestes a assumir a Câmara de Vereadores de Joinville pela terceira vez, o vereador eleito Marcos Aurélio Fernandes, 43 anos, conhecido como Marquinhos (PT), terá seu companheiro de partido Carlito Merss como prefeito da maior cidade do estado. Marquinhos, que já assessorou Carlito quando este foi vereador, deputado estadual e federal, teve o nome cotado para a presidência da câmara. Nesta eleição conquistou 5.135 votos, sendo o segundo vereador mais votado do PT e o quarto geral.

A entrevista com Marquinhos se deu na semana seguinte à eleição do primeiro turno. No local escolhido, a Panificadora da Vila, estavam reunidos o vereador; a esposa de Carlito, Marinete Merss e outro filiado do PT. À mesa, os jornais do dia, que anunciavam o apoio de Kennedy Nunes (PP) à candidatura do PT no segundo turno. Como Marquinhos foi o responsável pelas conjecturas com os demais partidos, seu celular não parou de tocar. Em uma das conversas telefônicas com Carlito, afirmou que o apoio de João Gaspar (PSB) já estava fechado, o que foi divulgado cerca de dez dias depois.

Trajetória

Nascido em Joinville, o vereador Marquinhos envolveu-se com a política ainda criança. O pai, Laércio Fernandes, 71 anos, é filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) desde a sua criação. “Lembro de ter acompanhado meu pai em vários comícios realizados na Sociedade Floresta”, diz.

Mesmo politizado a filiação ao PT só aconteceu em 1987, aos 22 anos, quando cursava história na Univille. Lá, participou no movimento estudantil como presidente do Centro Acadêmico de História, do Diretório Central dos Estudantes da Univille e diretor da União Catarinense dos Estudantes. “Foi durante o curso que conheci o PT”, afirma. No ano seguinte, 1988, apoiou a candidatura dos vereadores do PT. No partido, Marquinhos atuou, por três gestões, como tesoureiro da Executiva Municipal; monitor de formação política e coordenador microrregional.

Em 1993 começou a assessorar Carlito. Três anos depois foi convidado a sair candidato a vereador. Aceitou o convite apenas na eleição seguinte, em 2000, quando foi eleito com 1.916 votos. No primeiro mandato, Marquinhos se dividia entre a sala de aula e a Câmara de Vereadores, militando também no movimento no Sindicato dos Trabalhadores em Educação. Em 2004, foi reeleito com 3.022. O número permitiu que, no último ano do mandato, fosse vice-presidente da Câmara. Neste pleito, elegeu-se com 5.135 votos.

A campanha para a reeleição

Marquinhos pensou a campanha para a reeleição em 2008 baseado no seu último mandato. “Na Câmara trabalhei setores da assistência social e educação. Batalhei pela vinda da UFSC, consolidação do Cefet”, assume. Dessa forma, os materiais impressos tiveram como base social o público concentrado no magistério. As propostas traziam soluções para problemas como a falta de CEIs, a pouca quantidade de vagas na educação infantil e a questão de acessibilidade.

O número de vereadores eleitos pelo PT agrada Marquinhos. Segundo ele, o quociente eleitoral está dentro do esperado. “Três vereadores seria pouco; cinco, ultrapassaria as nossas expectativas”, declara. Marquinhos concorreu a eleição com mais 22 candidatos dentro do mesmo partido. Para ele, o alto número de concorrentes, que antes o apoiavam e agora concorreram, prejudicou o seu desempenho.

Eleito, Marquinhos sabe que a luta não terminou: “A campanha só acaba no dia 26 de outubro com o Carlito prefeito. Nesses dias tenho trabalhado mais do que na campanha inteira”, diz. O vereador afirma ter dedicado grande parte de seu tempo para acumular voto ao candidato a prefeitura do PT. “Em cada casa que eu ia, o primeiro voto pedido era pro Carlito”, comenta.

Transporte público pode ter tarifas reduzidas

Se a promessa do prefeito-eleito Carlito Merss for concretizada, a tarifa abusiva de ônibus sofrerá redução.

Charles França – xarlys@hotmail.com

Carlito Merss, eleito com mais de sessenta por cento dos votos será o novo prefeito de Joinville a partir de 2009. Dentre os problemas a serem resolvidos, um incomoda a cidade há pelo menos 10 anos: o preço das passagens de ônibus. O petista, em seu plano de governo, propôs a redução da tarifa e o chamado “domingo livre”, no qual a passagem será gratuita um domingo por mês.

Em entrevista ao jornal A Notícia, Carlito disse que irá eliminar a “tarifa embarcada” de R$ 2,50, sendo R$ 2,05 se comprada previamente nos terminais. “Acho uma incongruência essa tarifa embarcada, não tem lógica”, afirma. O Movimento Passe Livre, defensor do transporte público gratuito, ainda não está satisfeito.

Membro do MPL, Leonel Camasão, diz que, a exemplo de outras cidades como São Paulo, Florianópolis e Curitiba, é provável que a prefeitura isente de impostos as empresas de transporte público. “Sabe o que isso significa? Dar dinheiro público para empresas privadas”, indigna-se ele. “O que defendemos é parecido. Ao invés de dar subsídio, queremos o aumento de impostos para mansões de luxo e áreas onde funcionam bancos. Isso, somado à verba de bussdor (painel de anúncios na traseira do ônibus) e propaganda nos pontos de ônibus, poderá financiar o transporte coletivo gratuito” conclui Leonel.

De segunda à sábado, a recepcionista Sara Carina da Maia, de 21 anos, faz de ônibus o trajeto de sua casa, no bairro Paranaguamirim, até o Centro. Mesmo recebendo vale-transporte, acha “abusivo” o preço da passagem. “Na ida e na volta, está sempre lotado e já aconteceu de o ônibus quebrar no meio da rua. (…) No (terminal do bairro) Itaum, tenho de esperar um bocado até aparecer o próximo (ônibus) que vai para o bairro onde moro”, reclama.

Para fins de comparação: Curitiba e região metropolitana têm mais de três milhões de habitantes e 28 empresas de transporte urbano coletivo. Enquanto isso, Joinville tem população equivalente a um sexto da apresentada pela capital paranaense e arredores, e apenas duas empresas de transporte público.