Crise internacional afeta camelôs

Alta do dólar afasta consumidores e festas de fim de ano são a esperança

Charles Françaxarlys@hotmail.com

A crise imobiliária norte-americana, que quase quebrou os bancos do mundo todo, respingou em todas as áreas da economia, inclusive na ilegal. Os comerciantes do “camelódromo” de Joinville observam, desde outubro, as vendas caírem por causa da alta cotação do dólar.

Rui dos Santos Júnior, de 36 anos, proprietário de uma loja de produtos eletrônicos, disse que não aumenta os preços, apesar de o dólar ter encarecido. “Se a gente aumentar, aí é que as pessoas não vão comprar mesmo”. Ele estima em quase 50% a queda nas vendas e ressalta que os preços não são menores do que os encontrados em outras lojas do centro.

De fato, a concorrência é grande. Mesmo dentro do camelódromo, há sete boxes competindo com o de Rui. Nas prateleiras de sua loja, há poucas mercadorias à venda. “Não vale a pena gastar para ir até o Paraguai e voltar com poucos produtos”, avalia ele.

Situação semelhante enfrenta o comerciante Jéverson Hoffmann, de 25 anos, que aponta outro agravante: a falta de opções de pagamento. Como o camelódromo não trabalha com cartões de crédito e dificilmente há quem aceite cheques, muitos acabam comprando a prazo em lojas mais caras, só que a prestações leves. “Através de financiamentos, o consumidor procura reduzir o impacto que a crise tem no bolso”, acredita. Mesmo assim, Jéverson, que vende componentes e jogos para vídeo-game e computador, aposta nas festas de fim de ano. “Por causa dos amigos-secretos e Natal, o aumento nas vendas varia de 70 a 120%”.

Não tão otimista, a vendedora de acessórios para aparelhos digitais, Elis Regina de Carvalho, de 38 anos, observa que nem seu público mais cativo – os idosos – tem ido às compras. “Eles costumam vir desde o começo de novembro e, até agora, nada”. Até o final de fevereiro, no máximo, ela e os demais camelôs esperam que o dólar volte a baixar. Hoje, 17 de novembro, a cotação fechou em R$ 2,29. Antes da crise estourar, a moeda norte-americana custava por volta de R$ 1,80.