Lauro: o homem que diz mas não fala

Reeleito em Joinville pelo PSDB, vereador faz histórico em comissões da Câmara

Por Jouber Castro (jouberhc@gmail.com)

Lauro fez 50 anos no dia 4 de setembro. Mesmo assim, na foto oficial de vereador, que no seu gabinete fica na parede atrás da sua cadeira, ele não tem uma ruga, nenhuma marca de expressão. Tem até um sorriso esboçado, coisa que no Lauro sem Photoshop é difícil de perceber. Lauro Kalfels, vereador eleito pelo PSDB para a segunda legislatura em Joinville com 4.240 votos – 304 a menos que da primeira vez –, é um sujeito de olhar cansado e invariavelmente com aparência de desconfiado. Alemão de Rio Fortuna, no sul de Santa Catarina, é ruivo, vermelho e decidido. Não foge de nenhum assunto, mas quase sempre deixa perguntas sem resposta.

Quando Lauro chegou a Joinville, em 1977, foi trabalhar na Tupy. Morava numa pensão com seus 11 irmãos. Já era década de 80 quando conheceu Valdete, com quem se casou em 1984. Foi também nessa época que Lauro e a esposa abriram a Valdete Modas na Rua Alcântara, no bairro Boa Vista. Logo em 1985 deixou a Tupy para se dedicar ao comércio.

“Muitas pessoas me procuravam na loja quando precisavam ir ao médico, ou para qualquer outra coisa”, lembra Lauro, com um tom meio modesto. A popularidade do dono da Valdete Modas se alastrou quando ele encabeçou a briga dos moradores da região pelo asfaltamento da rua. “As pessoas começaram a me perguntar porque eu não era candidato”, conta. A partir daí, Lauro já não pôde mais controlar os caminhos do seu nome no bairro Boa Vista.

Lauro mesmo vindo da roça e trabalhando no chão de fábrica, em três anos de Joinville já era filiado ao PTB. Foi lá que conheceu o delegado João Rosa, com quem travou amizade. “Para onde ele ía, nós íamos junto”, referindo-se aos cerca de 200 amigos do delegado. Foi bem por isso que Lauro não se lançou candidato a vereador em 1996. Não deu outra: 2.576 votos para o delegado. “Estávamos em busca de representação, já que achávamos que o bairro estava esquecido”.

Foi o delegado João Rosa que o indicou para assumir a Secretaria Regional do Boa Vista em 1997. Como Lauro e seus amigos faziam tudo que o delegado mandasse, quando ele se transferiu para o PSDB para concorrer a deputado estadual, lá foi o Lauro junto com ele. Quando zarpou para a Assembléia Legislativa – eleito com 12.924 votos –, o homem que havia sido alçado ao posto de “representante do Boa Vista” deixou outro no seu lugar. Era o Lauro.

João Rosa resolveu voltar para o PTB em 1999, e levou sua trupe junto. “Fizeram muita festa no dia da filiação”, recorda Lauro. Nesse meio tempo Lauro e o delegado brigaram, de modo que este vetou o nome daquele para a candidatura à Câmara. Lauro ficou na Regional até 2002, quando entregou o cargo, já decidido a se candidatar por outro partido. Encontrou o PSL em 2004, onde se elegeu com 4.544 votos.

De quatro anos de mandato, Lauro destaca o aprendizado: “Cara, isso aqui é uma faculdade. O cara sai sabendo”. Em 2007 assumiu uma vaga na Comissão de Urbanismo, Obras, Serviços Públicos e Meio Ambiente, por conta da sua experiência como secretário regional do Boa Vista. Também em 2007 assumiu a presidência da Comissão de Ética da Câmara.

A grande conquista se deu em 2008, ano em que tomou para si o assento de presidente da Comissão de Legislação, Justiça e Redação. Hoje, depois de muitas leituras, até sabe os projetos que não entram na casa de jeito nenhum. “Recebemos da Prefeitura muitos projetos, principalmente de alterações da lei de uso e ocupação do solo. Eu mando de volta. Esses projetos têm muitos interesses por trás”. Lê todos os dias, a ponto de se achar capacitado para contrapor idéias sobre legislação do assessor jurídico da Câmara, o advogado Maurício Rosskamp. “Já tivemos grandes discussões”.

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James Schroeder é um dos estreantes na Câmara de Joinville

Candidato pela primeira vez, o novo vereador garantiu também a única vaga do PDT no Legislativo 

Tatiane Martins – thaty_martins@hotmail.com

“As pessoas precisam saber a diferença entre um cargo no Legislativo e um cargo no Executivo. Precisam entender definitivamente que vereador não asfalta rua, não constrói escola, não contrata médico, não coloca tubo. Eu me preocupo em explicar o verdadeiro papel do vereador e mostrar para as pessoas que eu não estou aqui para fazer promessa”. Assim acredita James Schroeder (PDT), joinvilense nato, que aos 41 anos se candidatou pela primeira vez a uma vaga na Câmara Municipal e foi eleito com 3.133 votos.

Engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, James é servidor público concursado há mais de 15 anos. Atualmente, é chefe de gabinete do vice-prefeito Rodrigo Bornholdt (PDT). Já foi presidente da Fundação Municipal 25 de Julho e atuou durante 16 anos como professor na rede privada de ensino.

James é o único candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT) que ocupará uma das 19 cadeiras do Legislativo no mandato de 2009-2012. Há dois anos, ele filiou-se ao PDT. Antes disso, foi filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Mas não se lembra ao certo quanto tempo permaneceu no PMDB: “Não lembro bem, mas com meu pai na política, me envolvi cedo com o partido”.

Bruno França, 25 anos, assessor de imprensa de James, conta que a campanha foi focada no contato direto com a população. Foram marcadas reuniões com grupos de mães, associações de moradores e grupos de jovens, para que o candidato pudesse se apresentar e falar o que pretendia se fosse eleito. Durante a campanha, foram espalhadas 200 placas pela cidade, mas, para França “placas apenas avisam que fulano é candidato”, além disso, é necessário um trabalho de base, para fazer a população conhecer o político e estabelecer com ele uma relação de confiança.

De acordo com o assessor, isso não foi difícil para James, que é uma pessoa muito esclarecida e gosta de explicar tudo com detalhes. “Ele fala mais que o Faustão. Às vezes precisava puxar pelo braço, para conseguirmos cumprir todos os compromissos”, brinca. França atribui à espontaneidade e a boa oratória de James ao fato de ele ter sido professor por muito tempo. Isso é tão presente na personalidade do político que ele se apresentou aos eleitores, nos santinhos e placas, como Professor James.

O professor conquistou eleitores em quase todos os locais de votação da cidade, zerando apenas em três. Para ele, isso é resultado de um ideal de mandato pensado para toda a cidade. James não pretende atuar focando suas propostas para um bairro ou região específica de Joinville. Ele acredita que isso só deveria acontecer se fossem escolhidos 43 parlamentares. Para o novo vereador, a vitória não foi uma surpresa: “Nós nos preparamos para isso. A expectativa de votos era muito próxima do que a que ocorreu, na verdade houve até uma quebra. Esperávamos fazer até 3.500 votos”.

Marlize Martinelli Schroeder, esposa do professor, acredita que novo cargo exigirá dedicação e seriedade, mas garante que essas são características que ele já possui. Marlize, que é supervisora da Secretaria de Educação de Joinville há 17 anos, pegou licença prêmio para ajudar o marido na eleição. Ela foi a coordenadora de campanha, e conta que participou de tudo ativamente. “A decisão da candidatura foi tomada por nós dois, em parceria. Por isso, toda a caminhada para se eleger também foi traçada juntos”. Segundo a esposa, James é uma pessoa extremamente cautelosa, de muita idoneidade, que lê bastante e tem uma capacidade enorme de aprender as coisas. “Ele nunca vai dormir sem aprender uma coisa nova”, assegura.

O petista que desafia Carlito

Vereador reeleito, Adilson Mariano não pretende mudar suas estratégias no Legislativo

Ana Carolina Luz – anacarolinadl@gmail.com

De calça jeans, sapatos esportivos escuros combinando com a camiseta preta, celular à mão, Adilson Mariano chega à sua sala exatamente às 15h55, cinco minutos antes do horário combinado. À vontade, inicia a conversa falando de sua satisfação por ter sido reeleito vereador com 5.574 votos, número que o deixou na segunda colocação dos mais votados. “É, parece que tenho feito um bom trabalho”, satisfaz-se.

Filho de José Ernesto e Rosalina Beumer Mariano, Adilson nasceu em 1974. Aos 14 anos começou a trabalhar na Metalúrgica Duque, empresa na qual permaneceu por 13 anos. Cursou história na Univille no período de 1993 a 2000. “Demorei mais do que o normal porque precisei trancar alguns semestres devido ao trabalho político”, justifica.

Aos 18 anos, Mariano concorreu à primeira eleição para vereador de Joinville. Na ocasião, conseguiu 490 votos. Tentou novamente em 1996. “E consegui 587 votos a mais que a eleição anterior”, comemora, mesmo não tendo sido eleito. Com a segunda derrota no Legislativo, Mariano partiu para o trabalho de assessoria do então deputado estadual Assis, do PT, ainda em 1996, com quem ficou até 2000.

Mariano vê a política como um instrumento por meio do qual as pessoas possam perceber a sociedade. “Ninguém muda o mundo sozinho”, reflete. Ele acrescenta que o cerne do problema da sociedade é o capitalismo. “O povo precisa ir a luta contra esse sistema”, acredita.

O petista faz parte da organização da Esquerda Marxista, corrente mais radical do PT, que diverge em alguns pontos da linha seguida pelo prefeito eleito no último dia 26 de outubro, Carlito Merss, e pelo também vereador Marquinhos Fernandes — os três são os principais nomes do partido em Joinville. Mariano explica que Carlito e Marquinhos são reformistas, enquanto ele — e a esquerda marxista — acredita que o atual sistema está fadado ao fracasso.

Na opinião de Carlito, o PT está sim dividido em algumas correntes, mas apenas internamente. “O Mariano é um vereador que tem clareza e importância significativa para o partido”, diz. Por isso, crê que os dois certamente se auxiliarão mutuamente nos quatro anos de mandato. No entanto, Mariano faz questão de deixar claro que, mesmo sendo do mesmo partido e defendendo os mesmos ideais, poderá haver divergência se o prefeito e sua equipe desviarem dos objetivos por ele defendidos: “Aí, seremos oposição”.

Vereador 24 horas por dia, de acordo com suas palavras, Mariano é casado há dez anos, mas ainda não tem filhos. “Estamos tentando, mas naturalmente ainda não deu”, lamenta, cogitando a hipótese de adoção. Professor de história para a segunda e a terceira série do ensino médio em uma escola pública do Parque Joinville, Mariano lembra bem humorado que, quando o contrataram para o cargo, muitos pais ficaram receosos, pois o achavam brigão. “Felizmente desfizeram essa imagem de mim”, comemora. “Só sou radical para ver os problemas resolvidos”.

Longe da Câmara de Vereadores, Mariano dedica o tempo livre para assistir a filmes de época, de ficção e policiais. “Não alugo filmes de política, sou normal”, brinca. Costuma ir às compras aos sábados ou domingos pela manhã. E só em mercados de bairro. “Shopping? Nem pensar”, ressalta.

No dia-a-dia, lê apenas para preparar suas aulas, além de dar uma passadinha nos jornais. “Aprendo muito no debate”, percebe. Mas a falta de leitura o faz pensar que lhe falta teoria. “Por isso, aproveito o período de férias para ler um ou dois livros, para tentar tirar o atraso”, comenta bem humorado.

Freqüentador assíduo da igreja católica, Mariano apega-se aos primeiros cristãos para exercer sua função pública. “Sempre lembro do que a bíblia diz sobre as pessoas dividirem seus bens com alegria”, conta, ligando a frase aos princípios socialistas. Todos os domingos, das 18h às 20h, Mariano participa com a esposa do grupo de reflexão de sua paróquia. “Jesus Cristo é admirável, é um referencial”. Além disso, também toca violão em um grupo que anima as celebrações. “É meu espaço para recarregar as energias”, admite.

Câmara renovada em São Bento

Pela primeira vez na cidade, o legislativo será totalmente novo. Nenhum dos nove candidatos que concorreram à reeleição se elegeu

Linda Tomelin – linda.periodo6@gmail.com

A Câmara Municipal de São Bento do Sul foi totalmente renovada no último pleito. Dos dez parlamentares que formarão a legislatura 2009-2012, sete são estreantes, dois já foram vereadores na administração 2001-2004 e um, como era 1° suplente no atual mandato, assumiu a cadeira por 12 meses. Dos vereadores que encerram o mandato em 2008, nove apresentaram seu nome para a disputa, mas nenhum foi reeleito.

Dois médicos, três professores, um representante comercial, um administrador de empresas, dois empresários e um marceneiro. Essas são as profissões dos vereadores eleitos. O mais votado foi Antonio Joaquim Tomazini Filho (DEM), com 1.810 votos. Médico, 50 anos, o campeão de votos lançou-se pela primeira vez a um cargo político e afirma que a sua proposta é melhorar o sistema de saúde pública.

Com 1.003 votos, outro médico eleito vereador é Eduardo Antonio Rodrigues de Moraes (PP), 52 anos. O ortopedista se lançou candidato pela primeira vez em 2004, quando ficou como primeiro suplente. Assumiu uma cadeira do Legislativo por duas vezes na atual legislatura. Primeiro como suplente do vereador Sérgio Pacheco (PP), que se ausentou por dois meses para tratamento médico. Depois, por mais dez meses, quando Deodato Hruschka assumiu a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional (SDR). O parlamentar acreditava na vitória deste pleito e atribui essa confiança à maneira como lutou contra o aumento salarial dos vereadores em janeiro deste ano.

Os salários foram reajustados com 31% de aumento para a próxima legislatura. Com isso, a partir de 2009, cada um dos dez parlamentares passa a receber R$ 3,4 mil. Moraes foi o único que votou contra o reajuste, que a princípio seria de 81%, mas com a manifestação popular, ficou em 31%. Para Cláudio Prisco, colunista político do Grupo RBS, a mudança integral do Legislativo municipal pode estar estreitamente relacionada com este fato. “O resultado das urnas mostra o amadurecimento dos eleitores. Eles usaram o poder do voto para mostrar a indignação com seus representantes”.

Entre os eleitos, nomes nunca ouvidos nos bastidores da política são-bentense. Márcio Dreveck (PP), 32 anos, administrador de empresas, conquistou 940 votos. Josias Terres (DEM), 38 anos, professor, eleito com 842 votos, e Marco Aurélio Viliczinski (PSB), 32 anos, representante comercial, morador do bairro Serra Alta, local em que obteve 740 dos 911 votos. “O meu discurso sempre foi de batalhar pelo meu bairro, e será isso que vou fazer”, afirma Viliczinski.

O Partido dos Trabalhadores conseguiu eleger um vereador, Tadeu do Nascimento (PT), 53 anos, presidente do partido em São Bento. Neste ano, concorreu a sua sétima eleição – três vezes para deputado estadual, três vezes para vereador e uma para prefeito. O líder petista foi eleito com 1.367.

O prédio que abriga a Câmara foi inaugurado no dia 29 de julho de 2005, com 993 m². Foi moção da primeira vereadora eleita Clélia Maria Bork Roesler (PMDB). Apesar do eleitorado em São Bento ser em sua maioria composto por mulheres (são 27.361 eleitoras, contra 26.874 de homens), somente quatro foram eleitas até hoje. Na atual gestão não há representantes femininas no legislativo. Para o próximo, duas foram eleitas: Nilva Marli Larsen Holz (PP), 54 anos, com 1.053 votos e Adriane Elisa Ruzanowsky (PMDB), 43 anos, com 1.006 votos. Ambas são professoras.

Atual secretário municipal de saúde, Luiz Sieves (PMDB), 46 anos, foi o terceiro vereador mais bem votado, com 1.290 votos. Seguido de Lírio Volpi (PMDB), 47 anos, atual presidente da empresa municipal de habitação, eleito com 1.215 votos. É a segunda vez que irá atuar no parlamento são-bentense. A primeira foi na legislação 2001-2004.

Os vereadores são-bentenses se reúnem em seis sessões por mês. O auditório da Câmara, com capacidade para 160 pessoas, é aberto a toda população.

Joinville tem cinco candidatos a vereador com idade até 20 anos

Dos 280 candidatos a vereadores em Joinville, apenas cinco têm idade entre 18 e 20 anos.

Francine Hellmann e Alexandre Perger – fran_hellmanns@yahoo.com.br / ale.perger@gmail.com

O quadro de cinco candidatos com menos de 20 anos reflete uma realidade nacional de desilusão da juventude com a política, constatada pela pesquisa Datafolha de maio e pela pesquisa Vox Populi de julho deste ano. Os estudos demostram que a maioria dos jovens entre 16 e 25 anos depositam seus sonhos em bens materiais. Ideologias políticas não despontam como principais valores desta faixa etária e 74% dos entrevistados afirmam não ter nenhum interesse em participar de agremiações partidárias.

Charles Henrique Voos (PDT), 20 anos, é o quarto concorrente mais jovem à Câmara de Vereadores de Joinville. Para ele, é necessário retirar os “velhos dinossauros” do Legislativo. “A Câmara é um local de representatividade de todos os seguimentos da cidade, inclusive da juventude”, acredita. O Partido Democrático Trabalhista não foi escolhido por acaso. Convidado por oito partidos, Charles decidiu entrar no PDT pela maior possibilidade de eleger-se.

A decisão foi matemática: O partido lançou 14 candidatos. Segundo Charles, nenhum deles possui grande expressão. Assim, caso garanta-se o coeficiente eleitoral necessário para conquistar uma cadeira na Câmara, há maior possibilidade de um candidato jovem e com poucos votos se eleger.

A mais jovem cidadã a disputar o pleito municipal é a estudante do ensino médio Tailaine Smieguel (PV). Com 18 anos de idade, a garota espera “mudar o jeito de fazer política em Joinville”. Filha do presidente municipal do Partido Verde, José Carmelito Smieguel, Tailaine convive com política desde os 6 anos de idade. Porém, apenas este ano, com um curso oferecido pela legenda, tomou conhecimento sobre o sistema administrativo da cidade.

Tailaine e Charles não compartilham a mesma expectativa com relação aos votos dos eleitores da sua mesma faixa etária. Com materiais específicos, o pedetista espera conscientizar a juventude que “só um jovem entende os jovens”. Já Tailaine acredita que esta parcela do eleitorado não se interessa por política.

A pesquisa Vox Populi, realizada em julho deste ano, reflete que o assunto administração da cidade, Estado ou país não é o preferido dos cidadãos brasileiros entre 16 e 24 anos. De acordo com o levantamento, se o voto não fosse obrigatório, apenas 26% destes eleitores compareceriam às urnas. Dentre os entrevistados, 39% desconhecem a lei que proíbe a compra de votos e 70% não tem nenhuma inserção social ou partidária. Em Joinville, aproximadamente 60 mil eleitores têm entre 16 e 25 anos.

A estudante Jaqueline Mello, 19 anos, está entre os 52% de jovens brasileiros que estão desiludidos com a política e não acompanham o horário eleitoral gratuito. Para ela, o que os candidatos praticam é “politicagem”. “Isso faz com que o povo se desinteresse pela propaganda eleitoral”, afirma.

Entre os 47% que acompanham está a estudante Tatiane Sabatike, 18 anos. Ela acredita que os rumos que a sociedade irá tomar dependem do resultado nas urnas. Para ela, as ideologias partidárias independem dos filiados. “O dia em que a população descobrir o que é ideologia e se identificar com alguma, tudo vai melhorar”, afirma. Assim como Tatiane, 13% dos jovens ainda levam em consideração o partido na hora de escolher seus candidatos.