Novo bar cede espaço ao chorinho

Villa Madalena Botequim, inaugurado há quinze dias, tem costumes paulistas e insere o chorinho no cenário musical da noite joinvilense

Eva Croll – eva.croll@gmail.com

Paulo é veterinário. Daniel, músico. À primeira vista, dois ofícios que não têm nada a ver um com o outro. Mas foi da união dos talentos de Paulo Rodrigues e Daniel Dadalt que nasceu o botequim Villa Madalena, inaugurado no final de outubro na rua Ministro Calógeras.

Nesta semana, com apenas quinze dias de funcionamento, um estilo musical diferente invadiu o botequim: o chorinho. O projeto Hora do Choro, aprovado no ano passado pelo Edital de Apoio às Artes, trouxe ao Villa Madalena o grupo Chá de Cevada. O objetivo principal do projeto é levar o choro às universidades de Joinville e introduzi-lo cada vez mais em lugares públicos.

“A idéia era imitar os bares da Vila Madalena, que são um verdadeiro reduto de boêmios”, explica Paulo, que veio de São Carlos, interior de São Paulo. A vontade de criar um ambiente que fugisse dos padrões dos bares tradicionais fez barris vazios de chopp se transformarem em pias para os banheiros. Peças antigas, como LPs e lamparinas, foram tiradas do armário para dar um toque de nostalgia ao lugar.

No interior do bar, um pequeno palco, onde o sócio Daniel toca desde MPB a surf music, divide o espaço com uma mesa de sinuca. Tudo isso para agradar o público-alvo, pessoas a partir de 25 anos. A influência paulistana é percebida também no cardápio, que conta com bolinhos Pirajá (o nome é uma homenagem a um bar da terra da garoa) e a famosa picanha paulista. A especialidade são os happy hours: nos dias de semana, o bar fica lotado. Já, no final de semana, o movimento é bem menor.

Bebida reúne fãs nos Clubes do Whisky

Os Clubes de bebidas são uma mania mundial e estão presentes em vários bares de Joinville. Agora já proliferam variações como o Clube da Vodka e o Clube da Cachaça.

Ariane Olsen – aloha_ani@yahoo.com.br

O Clube do Whisky já existe em inúmeras cidades brasileiras há anos. Cada bar decide se sediará uma “filial” do clube. Nos estabelecimentos da muito freqüentada rua Visconde de Taunay, e nos da região central de Joinville, encontram-se clubes dos mais variados – seja do whisky, da vodka ou da cachaça.

Funciona assim: o cliente, ao invés de comprar uma dose a cada visita ao bar, compra logo a garrafa. Esta, ficará reservada somente para ele, com seu nome e um medidor de volume, para garantir que ninguém lhe roube o precioso destilado. Assim, segundo Gelson Souza, sócio-gerente do Paiol, se conquista a fidelidade do cliente, enquanto este economiza, pois paga menos do que se bebesse a mesma quantidade comprando dose a dose.

O Paiol, porém, localizado na rua Pedro Lobo, é um dos poucos Clubes que não oferecem vantagens aos seus membros. Todos afirmam que o atendimento ao cliente é igual, participe ele do clube ou não, mas mesmo assim, estabelecimentos como a Cachaçaria Água Doce e o Zum Schlauch oferecem aos membros regalias como promoções e descontos.

A Cachaçaria dá ênfase aos clientes pertencentes ao Clube da Cachaça. De acordo com o proprietário Alison Favaro, por serem uma cachaçaria, dificilmente a clientela prefere whisky a uma boa cachaça. Por isso, sua atenção é voltada para o outro Clube. Mesmo assim, os membros ganham promoções e descontos. Já no Zum Schlauch, além de brindes, descontos e promoções, a casa promove um almoço mensal gratuito para os membros do Clube.

É no Zum Schlauch que o quesito status influencia mais na decisão de tornar-se membro. Lindas casinhas talhadas de madeira ao redor de uma grande lareira são reservadas para a armazenagem das garrafas dos clientes. Os membros são dispensados de pagar o couvert dos artistas, ganham almoços e promoções. Oldair José da Silva, gerente do estabelecimento diz que apesar das regalias, o tratamento entre clientes membros e não membros não é diferenciado.

Contrariando Oldair está o membro do Clube do Whisky do Zum há um ano e meio, Heriberto Garcia garante que recebe tratamento diferenciado: “Freqüentava o bar antes, e definitivamente mudou bastante o tratamento desde que me tornei membro do Clube”. Diz também que quando chega no local é atendido rapidamente, tem uma mesa rapidamente disponível, já com sua garrafa na mesa. “É muito bom para levar clientes lá, é mais cômodo”, completa Heriberto.

O maior e mais antigo Clube do Whisky de Joinville e do sul do país é o do Expresso Choperia. Serve 22 variedades da bebida, conta com expressivos 2.132 membros. Oferece as mesmas regalias que os concorrentes, jantares gratuitos – dois ao ano –, isenção de couvert artístico, isenção de fila, preços diferenciados, e promoções exclusivas para membros.

Na Ponta do Lápis

Mais do que uma celebração ao destilado, o Clube do Whisky é um clube de elite. Reúne sob o rótulo de membro do clube não só a elite financeira da cidade, mas os que fazem ou desejam fazer parte da elite social local.

Os litros de Johnny Walker Red Label – o rótulo mais popular entre membros do Clube – são vendidos por cerca de R$120, e, mesmo com desconto, custam muito mais do que o mesmo produto no supermercado: R$79,90. Motivos para a filiação como “economia”, não podem ser verdadeiros. Qualquer amante do destilado optaria por beber mais, mesmo que em casa. Já os privilégios e o status de ser membro do Clube do Whisky, só se consegue assim.

Até para os “ratos de bar” que não gostam muito de Whisky podem se aproveitar do Clube. No Zum os membros do Clube não pagam o couvert de (em média) R$4. Como o litro do Whisky Johnny Walker Red Lable custa cerca de R$120 nesse bar, são necessários 30 couvert não-pagos para que a garrafa se pague. Trinta noites significam uma freqüência de uma a duas vezes a cada quinze dias durante um ano. Este número diminui drasticamente se forem contabilizados os almoços gratuitos. Mas a sua consumação e a de seus amigos, tanto nas noites quanto nos almoços farão com que gaste uma quantia considerável no estabelecimento.