Vai faltar planeta?

O relatório Planeta Vivo 2008, da WWF Brasil, mostra que o atual modelo de consumo e a alta degradação ambiental levarão a um colapso dos recursos naturais a partir de 2030

Rayana Borba – rayanab@gmail.com

Alerta: o relatório Planeta Vivo (http://www.wwf.org.br/index.cfm?uNewsID=16180), publicação da WWF Brasil, avisa que a capacidade de regeneração dos recursos naturais da Terra já excede 30%. Tal índice mostra que, se continuar no mesmo ritmo, serão necessários dois planetas em 2030.

Cynthia Rinnert é doutoranda em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente no Instituto de Botânica de São Paulo e entende de recursos naturais. Para ela, a previsão feita pela WWF é verdadeira e perigosa. “Certamente temos um grande problema. O atual modelo econômico nos faz acreditar que os recursos naturais são infinitos e que a natureza se auto-recuperará”, diz. Mesmo diante dessa perspectiva desanimadora, ainda há o que se fazer para retardar a crise.

Mestre em engenharia ambiental, Cynthia acredita que não é possível salvar o planeta. De qualquer forma, não se deve dispensar pequenas ações cotidianas que contribuem para que o colapso ambiental seja retardado e tenha menor impacto. “A responsabilidade é de todos nós. Não podemos mudar o mundo, mas se cada indivíduo tomar alguma medida, certamente faremos a diferença”, lembra.

As medidas às quais Cynthia se referem são a redução do tempo de banho (economizando água e energia), a reciclagem do lixo e a não utilização de materiais descartáveis. “Não sou adepta aos copos descartáveis. Tenho minha própria xícara e a lavo com água e sabão”, comenta a ambientalista que afirma serem utilizados menos recursos para a lavação do que para a produção de um copo plástico.

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Grupo de mulheres ameaça parar segurança pública em SC

Esposas dos policiais militares anunciam panelaço e manifestação nos principais batalhões da Polícia Militar. O movimento cobra do Governo do estado um reajuste para os militares, que não podem fazer greve

Everson Henningeverhenn@ig.com.br

As esposas dos policiais militares prometem fechar os quartéis da PM em todo o estado nos próximos dias. O movimento, organizado por um grupo de mulheres na capital, surgiu devido a uma limitação da profissão dos maridos: a Constituição Federal, em seu artigo 142, proíbe os militares de fazer greve. Os policiais militares, civis e agentes prisionais reclamam que estão há três anos sem negociação salarial. Segundo as associações de classe, o último aumento foi concedido em outubro de 2005.

O movimento das esposas age em sintonia com a Associação dos praças de Santa Catarina (APRASC), entidade que representa os soldados, cabos e sargentos da PM e do Bombeiro, e que também promete uma mobilização antes do início de dezembro. Sentindo a dificuldade de driblar as proibições e reunir uma grande número de policiais para a greve, a associação resolveu pedir ajuda às mulheres. “Elas também são parte interessada nessa luta por melhores salários. Quando a coisa aperta são as primeiras que sentem”, justifica Elisandro Lotin, vice-presidente da Aprasc.

Apesar de propor a mesma pauta de reivindicação que a Aprasc, o movimento se diz independente. “Vamos agir de forma autônoma, sozinhas, sem a ajuda dos esposos. Vamos inclusive decidir nossas próprias ações durante a paralisação”, afirma Lucita Costa Pereira, uma das coordenadoras do grupo. Em Joinville, a reunião do movimento das esposas está marcada para a próxima quinta-feira, dia 20. Questionada se a segurança pública na maior cidade do estado pode ser prejudicada, Lucita é direta: “Joinville é fundamental para o nosso objetivo. É a cidade do governador. Se não tiver negociação até o fim do mês vamos fazer a polícia de Joinville parar”.

A idéia de mulheres irem pra rua reclamar o salário dos esposos não foi inventada em SC. Em agosto, um movimento parecido deixou as principais cidades de Rondônia sem policiamento. A capital Porto Velho ficou 24 horas sem transporte coletivo, depois que as mulheres fecharam os acessos aos terminais. Com o slogan “não somos só esposas, somos companheiras”, o movimento, antes de vir para Joinville, vai tentar uma audiência com a primeira-dama do estado, Ivete Appel da Silveira, na manhã de quarta-feira. O reajuste pretendido pelos policiais chega a 45%, e está previsto na Lei 254, sancionada pelo governador Luiz Henrique em dezembro de 2003.

Os candidatos invisíveis

A corrida eleitoral norte-americana, ao contrário do que aparentava na grande mídia, envolvia mais do que somente dois “cavalos”

Ariane Olsenaloha_ani@yahoo.com.br

A grande disputa pela presidência do EUA, sem dúvida, tinha como protagonistas o democrata Barack Obama e o republicano John McCain. Porém, o enfoque midiático nestes dois candidatos foi tão intenso que o mundo que observava as eleições foi impedido de ver o cenário completo. Não eram dois os candidatos à presidência norte-americana, mas 14. Sim, 14 – dos quais 12 são pertencentes a partidos miúdos demais para chamarem muita atenção. Estes partidos pequenos são reunidos no que se chama de “terceiro partido”.

Dos 12 concorrentes restantes – excluindo Obama e McCain –, somente 4 tinham o poder de influenciar as eleições. Eles são: Ralph Nader (independente)  Bob Barr (Partido Libertário), Cynthia McKinney (Partido Verde) e Chuck Baldwin (Partido da Constituição).

Cédula de votação ilustrativa

Cédula de votação ilustrativa

Ao contrário do Brasil, nos Estados Unidos é possível ser candidato sem atrelar-se a um partido. É o caso de Ralph Nader, candidato que ficou em 3o lugar na corrida eleitoral com 693.644 votos. Nader é advogado e ativista político. Ele concorreu às eleições como candidato independente, sem vínculo com partido nenhum.

Por mais que sejam ignorados pela grande mídia, os pequenos candidatos fazem, sim, a diferença na contagem final. Foram os votos de Nader que prejudicaram Al Gore nas eleições de 2000. Neste ano, foi a candidata Verde Cynthia McKinney que assustou Barack Obama. Cynthia é mulher e negra, e tinha chances de tomar para si os votos dos pacifistas, afro-descendentes e feministas. No entanto, McKinney conseguiu somente o 6o lugar, com somente 150.982 votos.

Outros dois nomes relativamente importantes nas eleições americanas de 2008 são Bob Barr e Chuck Baldwin, apesar de terem feito somente 508.623 e 181.612 votos respectivamente. Segundo o articulista político da revista Newsweek George Will em entrevista para o site Último Segundo,“Barr pode ser (para McCain) o que Ralph Nader foi para Al Gore em 2000: catastrófico”. Já Baldwin era a concorrência de Barr, ambos ex-republicanos com programas de governos muito similares.
Mesmo com dois grandes candidatos e quatro minoritários, quem tornou esta eleição heterogênea foram os três representantes de partidos socialistas – um deles ligado ao partido de Fidel Castro – e o representante do Partido da Proibição, Gene Amondson,pastor que pregava governar com uma rígida moral.

Daniela Alves: a nova geração da gastronomia de Joinville

Em pouco mais de um ano, a chef começou a estudar, formou-se e passou a pilotar cozinhas de hotel

Jouber Castro – jouberhc@gmail.com

O lugar de onde veio Daniela Alves, 27 anos, está expresso no sotaque carregado e no paladar: impossível negar que se trata de uma legítima mineira. “Fui criada comendo os quitutes que a minha mãe e a minha avó preparavam. Foi por isso que, com dez anos, comecei a cozinhar, e já fazia frango com quiabo, prato que eu adoro”, explica a moça que desde o fim de setembro é a comandante da cozinha do Anthurium Bistrô, restaurante do Anthurium Parque Hotel, de Joinville.

A história com a comida é longa, mas com a gastronomia nem tanto: faz pouco mais de um ano que ela embarcou no curso de técnico em gastronomia pelo Senac de Minas Gerais, tendo a primeira experiência no Hotel Grogotó, em Barbacena, primeiro hotel-escola da América Latina, e que atende cerca de 150 clientes por dia. “Lá, passei por todos os setores de uma cozinha, mas queria mesmo era ficar no entremetier, coordenando a composição de molhos, carnes e acompanhamentos”, diz ela.

Em abril de 2008, Daniela concluiu o curso já empregada, e de cara como chef de cozinha: foi contratada para comandar a cozinha da Pousada Solar Singuitta, um dos hotéis mais requisitados de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. O local conta com uma cozinha exclusiva, já que valoriza a privacidade dos hóspedes. No Singuitta, Daniela cozinhou para gente como Fabio Assunção, Luciano Szafir e outras celebridades. Porém, ficou inquieta: “Lá tinha uma estrutura ótima, mas o movimento era pequeno. Atendíamos a apenas 12 suítes”.

A inquietude a fez enviar seu currículo ao administrador do Anthurium, que gostou do que leu. Numa semana, ela veio fazer uma entrevista de emprego. Na semana seguinte, já estava aqui definitivamente. Melhor ainda: seu marido, Rodrigo – com quem trabalhava no Singuitta – também conseguiu emprego em Joinville. Ele é o novo supervisor do Holz Hotel.

A primeira atitude de Daniela no Bistro foi reformular todo o cardápio. Incluiu especialidades suas como o talharim al mare, com limão siciliano, e o medalhão moscovita, com cogumelos flambados. Ela também averigüou o que havia de disponível na cozinha, e foi dessa maneira que surgiu o Risoto de Bacalhau, prato mais pedido no primeiro mês de “chefia”. “Havia pedaços de bacalhau congelados no canto do freezer, que íam ser jogados fora. Pedi que fossem limpos, dividi em porções e criei o risoto”, lembra.

Daniela trabalha muito com frutos do mar e temperos mediterrâneos. Além disso, abusa de azeites e óleos naturais, sua marca nos pratos. Gosta também de combinações com frutas: “Acredito que as frutas dão uma leveza interessante ao prato”.

Ela conta que o prato mais gostoso que já comeu foi costeleta de cordeiro com purê de maçã, que comeu no Mercado Cruzeiro, em Belo Horizonte. “Além de muito gostoso, o prato estava bem montado”, recorda. O melhor prato que já fez foi, na verdade, um desafio: “Um hóspede pediu um risoto, na época do Singuitta, mas não comia carne. Acabei criando um Risoto de Pêra com Queijo Bree, que ficou muito gostoso”.

Para ela, o dia vale quando o cliente se mostra satisfeito: “Para mim é uma realização. Vou para casa tranqüila”. O que espera de Joinville? “Reconhecimento profissional”. E o que Joinville por esperar de Daniela Alves? “Muito trabalho, e atendimento personalizado”. É só esperar para ver.

Beleza não só no nome

Com paisagem natural e propriedades coloniais, a Estrada Bonita se destaca no turismo rural em Joinville

Ana Carolina Luz – anacarolinadl@gmail.com
Camila Prochnow – prochnow.camila@gmail.com

Localizada no Km 20 da BR 101, a Estrada Bonita é formada por propriedades coloniais cercadas do verde das montanhas. Refúgio de joinvilenses e, principalmente, de turistas vindos de Curitiba e São Paulo, o local se destaca pelas belezas naturais aliadas à gastronomia típica e a receptividade dos moradores.

Entre as principais atrações, o Museu Rural, o passeio de trator, as trilhas pela mata e o Recanto Tia Martha, locais que revelam personalidades cheias de histórias pra contar, como a de Ango Kersten e Tânia Rosana Bilau, que revelam tradições de quem nunca saiu dali.

Ango Kersten

Os olhos grandes e azuis somados à pele branca e ao sotaque alemão logo evidenciam a origem de Ango Kersten. Casado e pai de duas filhas, sempre morou na mesma residência, na Estrada Bonita. Aos 61 anos, é agricultor, pecuarista e está à frente de um pequeno comércio de produtos coloniais. Além disso, acaba se tornando guia turístico diariamente, já que cerca de 120 pessoas, na maioria crianças, visitam o local todos os dias para conhecer o Museu Rural, criado por Ango.

Tânia Rosana Bilau

Há 30 anos os pais de Tânia fundaram o restaurante que recebeu o nome da avó materna. “E a idéia foi do próprio genro”, diverte-se, lembrando da relação carinhosa que seu pai tinha com a sogra. Hoje em dia, o negócio não pertence mais à família Bilau, que o vendeu há três meses para os irmãos paranaenses Cláudio e Silvério Roza. No entanto, ela não quis distanciar-se da função. “Minha grande paixão é a cozinha”, deleita-se, dando água na boca ao discorrer sobre os pratos mais pedidos pelos turistas que visitam o estabelecimento. De acordo com Tânia, o marreco recheado, o repolho roxo e o purê de maçã não podem faltar.

Mudar ou não mudar, eis a questão!

Crônica

Rafael Costarc7comunicacao@gmail.com

Observe os pássaros em frente a sua casa. Para onde eles vão e porque eles voltam? Mudanças são sempre bem vindas em nossas vidas. Sejam elas boas ou ruins, todas mudam algo ou alguém. Mudar para muitos significa emagrecer. Para outros apenas pensar. Mudar causa arrepio em alguns e contentamento em outros. Todos mudam e todos sabem para onde querem ir, só não sabem se irão chegar. Os pássaros continuam a mudar. Migram de uma região a outra no aviso singelo da natureza e nem ao menos parecem perguntar para onde estão se movendo. Compreender a exatidão da palavra mudar parece-me insensatez, vulgar de mais e interesse de menos.

Mudar pode ser simplesmente transferir-se de um lugar para outro, trocar de vida. Aquela vida da qual você parece não querer mais viver. Daquelas pessoas das quais você não quer mais conviver. Daquela janela da qual você não quer mais olhar. Daquela rua que você não quer mais passar. Apenas isso é suficiente para mudar? Quem sabe mudar faz apenas você sentir-se útil, onipotente. “Eu mudei”. Mudou nada. Você será sempre a mesma pessoa, o que mudará, será apenas a convivência, a linguagem. A insatisfação diante da mudança continua. O tempo irá passar e você desejará outra mudança. “Não aquento mais…!” Mas quem aquenta? Apenas suportamos pacientemente o final da rua chegar, o dia se acabar para pedirmos novamente que ele se acabe. A carne é fraca e o pensamento é vulnerável.

As memórias do passado só valem naquela mesa de bar para surpreender a pessoa desejada. Contando histórias alucinantes vividas – pensa você – só por você. No livro “A Carne de René”, de Virgilio Piñera, René pede a seu pai que não lhe mate e seu pai responde: “Não serei eu quem afundará o punhal no seu peito, meu filho, mas pense que no mundo há milhões de mãos e milhões de punhais…”. Portanto, é ingênuo pensar que tudo mudará como em um passe de mágica, assim vivido pela pequena Alice. Mudar é apenas transferir seus olhos de um lugar comum para outro lugar comum. À distância em todo caso é insignificante, ela é medida pela sua euforia. Então mude, seja de lugar, de opinião, de profissão, de mulher, de homem, de e-mail, de música, de cabelo, de tatuagem, de endereço, de nome, de roupa, de vocabulário, de candidato, de prato… Mude e perceberá que serás sempre o mesmo.

A paciência no mercado

Crônica

Guilherme Cardoso – primeirapauta.ielusc@gmail.com

A paciência é um dom que muitos adquirem com o passar do tempo. Domingo, em um hipermercado de Joinville passei por uma verdadeira saga, minha paciência quase se esgotou. Naquele dia Felipe Massa corria sua última corrida em 2008, e eu corria para poder ver seu desafio.

Após um belo almoço acompanhado de meus pais, fui ao mercado para comprar um pote de sorvete de dois litros. A intenção era permanecer no mercado por no máximo cinco minutos. Mas não, a vontade de saborear o pote rosa de sonho de valsa era tanta que fiquei aproximadamente 50 minutos dentro do mercado.

Assim que cheguei, vi uma fila imensa nos caixas rápidos, cerca de 300 pessoas se aglomeravam numa fila idêntica àquelas de banco. Pensei em desistir, mas não, tinha os caixas convencionais ainda. Me frustrei de novo. Os caixas tradicionais tinham dois ou três clientes com carrinhos cheios de compras. Resolvi parar e esperar em um deles, achando que ali ia ser breve.

A moça do caixa estava muito devagar e, enquanto isso, dois casais conversavam sem parar logo em frente – o papo era sobre o prefeito eleito de Joinville. E eu ali, com meu sorvete pingando, já havia feito uma grande poça de água no chão – literalmente! Ele derreteu, e um outro casal me aconselhou a trocar o meu pote. Então, o melhor a fazer era trocar mesmo. Voltei e coloquei num freezer em frente ao caixa, que não estava próximo antes.

Passou 15 minutos e a moça do caixa começou a chorar por um problema com o cartão de crédito. Ali, minha paciência havia chegado ao fim, pois os motores de Interlagos já estavam roncando. Disse ao restante da fila “eu desisto”.

Nesse tempo todo, meus pais estavam me esperando no estacionamento, preocupados e irritados. Os convenci de que não tive culpa pela demora. Voltamos para casa e a vontade de tomar o sorvete ainda falava mais alto, fui a um mercado um pouco mais perto num percurso extremamente rápido.

Cheguei em casa novamente e cinco minutos depois ocorreu a largada da corrida. E eu estava satisfeito? Não, pois o sorvete não era o mesmo que tinha no primeiro mercado. É em horas como essas que vejo que a paciência é um dom.

A lição que posso tirar disso, é que, é preciso ter paciência, com tudo e com todos. A minha vontade não podia passar por cima do sentimento da operadora de caixa, nem da preocupação de meus pais.
Então é preciso ter paciência, até com as vontades biológicas.