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Grupo de mulheres ameaça parar segurança pública em SC

Esposas dos policiais militares anunciam panelaço e manifestação nos principais batalhões da Polícia Militar. O movimento cobra do Governo do estado um reajuste para os militares, que não podem fazer greve

Everson Henningeverhenn@ig.com.br

As esposas dos policiais militares prometem fechar os quartéis da PM em todo o estado nos próximos dias. O movimento, organizado por um grupo de mulheres na capital, surgiu devido a uma limitação da profissão dos maridos: a Constituição Federal, em seu artigo 142, proíbe os militares de fazer greve. Os policiais militares, civis e agentes prisionais reclamam que estão há três anos sem negociação salarial. Segundo as associações de classe, o último aumento foi concedido em outubro de 2005.

O movimento das esposas age em sintonia com a Associação dos praças de Santa Catarina (APRASC), entidade que representa os soldados, cabos e sargentos da PM e do Bombeiro, e que também promete uma mobilização antes do início de dezembro. Sentindo a dificuldade de driblar as proibições e reunir uma grande número de policiais para a greve, a associação resolveu pedir ajuda às mulheres. “Elas também são parte interessada nessa luta por melhores salários. Quando a coisa aperta são as primeiras que sentem”, justifica Elisandro Lotin, vice-presidente da Aprasc.

Apesar de propor a mesma pauta de reivindicação que a Aprasc, o movimento se diz independente. “Vamos agir de forma autônoma, sozinhas, sem a ajuda dos esposos. Vamos inclusive decidir nossas próprias ações durante a paralisação”, afirma Lucita Costa Pereira, uma das coordenadoras do grupo. Em Joinville, a reunião do movimento das esposas está marcada para a próxima quinta-feira, dia 20. Questionada se a segurança pública na maior cidade do estado pode ser prejudicada, Lucita é direta: “Joinville é fundamental para o nosso objetivo. É a cidade do governador. Se não tiver negociação até o fim do mês vamos fazer a polícia de Joinville parar”.

A idéia de mulheres irem pra rua reclamar o salário dos esposos não foi inventada em SC. Em agosto, um movimento parecido deixou as principais cidades de Rondônia sem policiamento. A capital Porto Velho ficou 24 horas sem transporte coletivo, depois que as mulheres fecharam os acessos aos terminais. Com o slogan “não somos só esposas, somos companheiras”, o movimento, antes de vir para Joinville, vai tentar uma audiência com a primeira-dama do estado, Ivete Appel da Silveira, na manhã de quarta-feira. O reajuste pretendido pelos policiais chega a 45%, e está previsto na Lei 254, sancionada pelo governador Luiz Henrique em dezembro de 2003.

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Os candidatos invisíveis

A corrida eleitoral norte-americana, ao contrário do que aparentava na grande mídia, envolvia mais do que somente dois “cavalos”

Ariane Olsenaloha_ani@yahoo.com.br

A grande disputa pela presidência do EUA, sem dúvida, tinha como protagonistas o democrata Barack Obama e o republicano John McCain. Porém, o enfoque midiático nestes dois candidatos foi tão intenso que o mundo que observava as eleições foi impedido de ver o cenário completo. Não eram dois os candidatos à presidência norte-americana, mas 14. Sim, 14 – dos quais 12 são pertencentes a partidos miúdos demais para chamarem muita atenção. Estes partidos pequenos são reunidos no que se chama de “terceiro partido”.

Dos 12 concorrentes restantes – excluindo Obama e McCain –, somente 4 tinham o poder de influenciar as eleições. Eles são: Ralph Nader (independente)  Bob Barr (Partido Libertário), Cynthia McKinney (Partido Verde) e Chuck Baldwin (Partido da Constituição).

Cédula de votação ilustrativa

Cédula de votação ilustrativa

Ao contrário do Brasil, nos Estados Unidos é possível ser candidato sem atrelar-se a um partido. É o caso de Ralph Nader, candidato que ficou em 3o lugar na corrida eleitoral com 693.644 votos. Nader é advogado e ativista político. Ele concorreu às eleições como candidato independente, sem vínculo com partido nenhum.

Por mais que sejam ignorados pela grande mídia, os pequenos candidatos fazem, sim, a diferença na contagem final. Foram os votos de Nader que prejudicaram Al Gore nas eleições de 2000. Neste ano, foi a candidata Verde Cynthia McKinney que assustou Barack Obama. Cynthia é mulher e negra, e tinha chances de tomar para si os votos dos pacifistas, afro-descendentes e feministas. No entanto, McKinney conseguiu somente o 6o lugar, com somente 150.982 votos.

Outros dois nomes relativamente importantes nas eleições americanas de 2008 são Bob Barr e Chuck Baldwin, apesar de terem feito somente 508.623 e 181.612 votos respectivamente. Segundo o articulista político da revista Newsweek George Will em entrevista para o site Último Segundo,“Barr pode ser (para McCain) o que Ralph Nader foi para Al Gore em 2000: catastrófico”. Já Baldwin era a concorrência de Barr, ambos ex-republicanos com programas de governos muito similares.
Mesmo com dois grandes candidatos e quatro minoritários, quem tornou esta eleição heterogênea foram os três representantes de partidos socialistas – um deles ligado ao partido de Fidel Castro – e o representante do Partido da Proibição, Gene Amondson,pastor que pregava governar com uma rígida moral.

Um Patrício de Joinville

Mais votado da história política recente de Santa Catarina, Patrício Destro aguarda o primeiro mandato para aprender a ser vereador.

Cláudia Morriesen – clau.morriesen@gmail.com

Patrício Carlos Destro parece estar predestinado a viver os sonhos dos outros. Ainda assim, trabalha pesado para realizar sonhos mais antigos que os 29 anos vividos pelo jornalista, e agora, vereador joinvilense.

No camarim do estúdio de jornalismo da RIC Record, ele não se despe da figura de jornalista e controla o jogo. Antes da entrevista, pergunta o motivo da matéria e se foi fácil conseguir a pauta sobre ele. Fica feliz ao saber que houve uma pequena disputa quando seu nome foi citado na divisão de pautas – ele não queria ser o tema que sobrou.

O ego talvez seja a principal ferramenta com a qual Patrício trabalha para conquistar suas metas. Para ele, ser mais um entre tantos não basta – ele precisa se destacar. Foi assim nos nove anos em que trabalha como jornalista e é assim agora, quando, na primeira candidatura ao cargo de vereador de Joinville, Patrício conquistou 8.540 votos – o maior número obtido na história política recente do estado.

Patrício nasceu em Joinville e passou os primeiros oito anos de vida morando em diferentes cidades do Brasil. O pai, Itamar Destro, trabalhava implantando filiais da empresa Tigre em outros estados, o que levou a família a morar em uma cidade diferente por ano. Quando Patrício entrou na escola, a mãe entendeu que não faria bem aos filhos ficar mudando de colégio o tempo todo. “Minha mãe sempre se preocupou muito com a nossa educação”, conta ele. Patrício não a decepcionou: sempre foi um bom aluno, não ficou em exame nem uma vez, nem mesmo na faculdade de jornalismo, ainda que não a tenha concluído.

O jornalismo é, aliás, a primeira parte da realização de um sonho que não fez parte da infância dele – era de Ivanir Destro. “Minha mãe sempre quis ser jornalista mas era de uma família pobre e não conseguiu ter uma educação que a levasse a tentar a carreira”, conta. Pressão para a escolha da profissão nunca houve, mas na hora de prestar vestibular Patrício não olhou para nenhuma outra opção. “Cheguei em casa dizendo que tinha me inscrito para jornalismo e minha mãe, ainda hoje, diz que foi um dos dias mais importantes da vida dela”.

Currículo extenso, mas jamais escrito

Patrício se orgulha de nunca ter escrito um currículo. Nem saberia fazê-lo agora e nem tem motivos para isso. Mesmo assim, ele já passou por todas as mídias de jornalismo: TV (TV Cidade, RBS e RIC Record), rádio (Floresta Negra FM), impresso (coluna diária no Notícias do Dia), internet e assessoria de imprensa (do Shopping Mueller, do Hotel Bourbon, da Cassol Center Lar e da Corretora de Câmbio Confidence).

O diploma de jornalismo nunca foi conquistado: faltou a monografia, que tratava das diferenças entre o jornalismo da RBS e do SBT. Ele até considera voltar aos bancos da faculdade para concluir o curso, iniciado na Univali e transferido para o Ielusc, mas não tem dia nem local definido para isso. Para ele, não há mais para onde seguir na atividade. “Entrei na RBS, fui repórter, editor, apresentador, chefe de redação e saí. Fui pra RIC e fiz o mesmo caminho. Para ir mais longe agora, só saindo de Joinville, mas não quero, eu adoro essa cidade”. Qual o próximo passo, então? Se candidatar a um cargo político.

A política como herança

Patrício fala muito. Se considera um contador de histórias, característica tão ideal para o jornalismo quanto para a política. Mais uma vez, a política é um sonho antigo, outro que ultrapassa em muitos anos o nascimento dele: quem sonhava em ser político era o avô de Patrício. Semi-analfabeto, nunca pôde concorrer a um cargo e tentou passar o desejo aos filhos, sem sucesso. Há cerca de dois anos, a família enxergou no neto “famoso” a possibilidade de realizar o sonho do patriarca, falecido em 2002.

Patrício não hesita ao afirmar que se candidatou a vereador apenas para realizar o sonho do avô. No início de 2007, estudou os partidos e escolheu o Democratas por se identificar com a ideologia. Na verdade, a sigla não fazia diferença já que, na opinião de Patrício, os eleitores escolhem a pessoa e não o partido. “Os dois candidatos a irem para o segundo turno em Joinville são do PT e do DEM, duas ideologias completamente diferentes. É loucura que os dois mais votados sejam de partidos tão distintos, mas é que ninguém mais dá bola para essa questão de partido”, analisa Patrício.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o candidato não tem bens a declarar. Até o fechamento desta matéria, Patrício ainda não havia terminado de contabilizar os gastos da campanha, mas afirmava que não ultrapassam nem R$ 10.000,00. A campanha foi feita de porta em porta “gastando apenas sola de sapato”. O dinheiro usado foi, em grande parte, emprestado pela família, e a assessora da campanha foi a ex-colega de faculdade Karine Kavilhuka.

A grande questão é: Como um novato pôde alcançar a façanha de ser o vereador mais votado do estado sem nem mesmo uma campanha intensiva? “Foi uma surpresa para mim também”, conta ele. “É claro que eu esperava ser eleito, mas ninguém imaginava isso”. A única explicação para Patrício é a fama conquistada nos anos de jornalista, principalmente pelo trabalho de repórter de rua. “As pessoas me viam todos os dias nos bairros, mostrando os problemas da cidade, conversando com todo mundo. Elas confiam que eu vou manter esse trabalho como vereador agora”, avalia.

Depois de ser considerado o mico das eleições municipais 2008 por ter se candidatado, Patrício superou todos os limites. É o mais jovem vereador eleito para a próxima legislação. Sua votação superou em 1.603 a soma de votos que os candidatos à prefeitura Rogério Novaes (PV) e Darci Castro (PP) obtiveram. O segundo colocado nas eleições a vereador, Adilson Mariano (PT), recebeu três mil votos a menos.

Estes recordes, no entanto, não fizeram Patrício acreditar que sua capacidade ultrapassa a dos outros vereadores. Ele irá iniciar a sessão legislativa para dar posse ao prefeito e ao vice e conduzirá os trabalhos de votação da nova mesa diretora da Câmara de Joinville, mas não pretende se candidatar a presidente da Casa: “Primeiro eu preciso aprender a ser vereador”, avisa.

Vereador conquista cadeira pelo sexto turno consecutivo

Roberto Bisoni, conhecido por práticas assistencialistas, é eleito pela sexta vez em Joinville

Camila Barros

Em um sobrado de muros altos e portão de madeira no bairro Boa Vista, em Joinville, um senhor magricela, de aparência cansada, porém elegante, e seriedade notória, se assenta para tomar uma xícara de café com leite e comer pão com margarina. Ele parece querer sossego. Estamos na casa de Roberto Bisoni, de 64 anos, eleito este ano vereador de Joinville pela sexta vez.

Bisoni não fala muito. À sua frente, um amigo conversa, ele ouve e, às vezes, sorri e faz comentários. Gabriel, um adorável menino de dois anos, brinca com os farelos de pão na mesa, o senhor se distrai e deixa de aparentar tão distante. A campainha toca. São alguns desconhecidos querendo conversar. O anfitrião os recebe no portão. Mesmo sem conhecê-los, os convida para entrar e assentar-se à mesa. Pede licença, oferece um café aos visitantes e os atende, mesmo sendo 21h passadas de terça-feira.

Independente da aparência frágil, do cansaço advindo de um câncer no estomago e recente cirurgia para retirada do órgão, Roberto Bisoni continua sua caminhada em meio a funções públicas. Segundo ele, a carreira continua, embora este deva ser seu último mandato. “Ainda existe muito o que fazer aqui nas secretarias”, conta, ao falar sobre os 26 anos de vida política e cinco mandatos, dentre os quais, apenas um trabalhou na Câmara de Vereadores.

Os quatro mandatos subseqüentes foram outorgados ao seu suplente, pois Bisoni optou por trabalhar na Secretaria Regional do Comasa, que dava mais visibilidade eleitoral, lidando com obras de asfaltamento, saneamento básico e prestando serviços à comunidade que, segundo ele, não teriam sido feitos se ele estivesse na câmara, pleiteando por licitações que raramente vingam, votando projetos do prefeito e assistindo à situações que trariam frustração.

“Sou ativo, gosto do que dá mais trabalho… em um mandato, consegui muito mais ruas asfaltadas pela região atendida por minha secretaria, do que duas outras secretarias concluíram juntas até então”, conta feliz e com orgulho.

Bisoni é empresário desde muito novo. Já foi dono de imóveis para aluguel, bares, lanchonetes, mas desejava fazer algo que fosse ao encontro das necessidades de seus vizinhos e conhecidos. Hoje, ao perguntar por que ele trabalha com política, Bisoni responde, de forma irreverente: “É melhor ajudar, do que pedir ajuda”.

Ele acredita que o cargo político, mesmo com todas as mazelas e corrupções as quais conhecemos neste meio, é o caminho que lhe ofereceu a oportunidade ou os meios de trabalhar junto à comunidade, de receber as pessoas em sua casa, fazer contatos importantes e trabalhar, de alguma forma, em prol da área que mais lhe pulsa as veias: auxiliar os deficientes físicos a encontrar seu espaço no mercado de trabalho e na sociedade.

 

Em vez de propostas políticas de maior peso, são projetos de caridade e auxílio à comunidade carente fazem parte de suas ações e visões cotidianas. Um de seus projetos pessoais, em fase de implementação, é disponibilizar um espaço com máquinas de costura onde mulheres voluntárias viriam para confeccionar roupas para doação. Em um pequeno quarto de sua casa, Bisoni separa (foto) tecidos que ganha e quatro máquinas de costura que recebeu de doadores.

Assim que seu mandato terminar, Bisoni vai transformar um de seus imóveis, próximo à sua residência, em um centro onde deficientes físicos vão trabalhar de forma a contribuir com a comunidade: costurando, criando peças diversas de auxilio doméstico e profissional, entre outras atividades que lhes possibilitem conquistar um espaço de interação social e perspectiva profissional e pessoal.

Na primeira candidatura, em 1982, Bisoni sugeriu à esposa, Luzia Bisoni, que deixasse o trabalho de garçonete em uma lanchonete do terminal de ônibus central para ficar mais em casa ou auxiliá-lo na campanha, mas ela optou por manter a atividade, completando vinte anos na função, até se aposentar. As condições financeiras favoráveis nunca fizeram com que a família deixasse de trabalhar, ou de receber os visitantes, nem de caminhar pelas ruas vizinhas.

“Se eu não cuidar, o Roberto chega a gastar, em uma semana, o que ele ganha em três meses como vereador”, afirma a esposa. O empresário joinvilense, José Jucimar Raimondi, 44 anos, afirma ter acompanhado a trajetória dos políticos de Joinville e confirma que Bisoni é um homem do povo. “Ele se preocupa com o povo, está sempre nas ruas, conversa com todo mundo. Gosta de ajudar. Acho que ele não consegue fazer outra coisa”, afirma. Raimondi é um cidadão que não votou no Bisoni, mas segundo ele, foi porque apoiava outro candidato e tinha certeza que seu voto não faria diferença na eleição de Bisoni. “Eu sabia que ele seria reeleito. Não precisava do meu voto”.

Lauro: o homem que diz mas não fala

Reeleito em Joinville pelo PSDB, vereador faz histórico em comissões da Câmara

Por Jouber Castro (jouberhc@gmail.com)

Lauro fez 50 anos no dia 4 de setembro. Mesmo assim, na foto oficial de vereador, que no seu gabinete fica na parede atrás da sua cadeira, ele não tem uma ruga, nenhuma marca de expressão. Tem até um sorriso esboçado, coisa que no Lauro sem Photoshop é difícil de perceber. Lauro Kalfels, vereador eleito pelo PSDB para a segunda legislatura em Joinville com 4.240 votos – 304 a menos que da primeira vez –, é um sujeito de olhar cansado e invariavelmente com aparência de desconfiado. Alemão de Rio Fortuna, no sul de Santa Catarina, é ruivo, vermelho e decidido. Não foge de nenhum assunto, mas quase sempre deixa perguntas sem resposta.

Quando Lauro chegou a Joinville, em 1977, foi trabalhar na Tupy. Morava numa pensão com seus 11 irmãos. Já era década de 80 quando conheceu Valdete, com quem se casou em 1984. Foi também nessa época que Lauro e a esposa abriram a Valdete Modas na Rua Alcântara, no bairro Boa Vista. Logo em 1985 deixou a Tupy para se dedicar ao comércio.

“Muitas pessoas me procuravam na loja quando precisavam ir ao médico, ou para qualquer outra coisa”, lembra Lauro, com um tom meio modesto. A popularidade do dono da Valdete Modas se alastrou quando ele encabeçou a briga dos moradores da região pelo asfaltamento da rua. “As pessoas começaram a me perguntar porque eu não era candidato”, conta. A partir daí, Lauro já não pôde mais controlar os caminhos do seu nome no bairro Boa Vista.

Lauro mesmo vindo da roça e trabalhando no chão de fábrica, em três anos de Joinville já era filiado ao PTB. Foi lá que conheceu o delegado João Rosa, com quem travou amizade. “Para onde ele ía, nós íamos junto”, referindo-se aos cerca de 200 amigos do delegado. Foi bem por isso que Lauro não se lançou candidato a vereador em 1996. Não deu outra: 2.576 votos para o delegado. “Estávamos em busca de representação, já que achávamos que o bairro estava esquecido”.

Foi o delegado João Rosa que o indicou para assumir a Secretaria Regional do Boa Vista em 1997. Como Lauro e seus amigos faziam tudo que o delegado mandasse, quando ele se transferiu para o PSDB para concorrer a deputado estadual, lá foi o Lauro junto com ele. Quando zarpou para a Assembléia Legislativa – eleito com 12.924 votos –, o homem que havia sido alçado ao posto de “representante do Boa Vista” deixou outro no seu lugar. Era o Lauro.

João Rosa resolveu voltar para o PTB em 1999, e levou sua trupe junto. “Fizeram muita festa no dia da filiação”, recorda Lauro. Nesse meio tempo Lauro e o delegado brigaram, de modo que este vetou o nome daquele para a candidatura à Câmara. Lauro ficou na Regional até 2002, quando entregou o cargo, já decidido a se candidatar por outro partido. Encontrou o PSL em 2004, onde se elegeu com 4.544 votos.

De quatro anos de mandato, Lauro destaca o aprendizado: “Cara, isso aqui é uma faculdade. O cara sai sabendo”. Em 2007 assumiu uma vaga na Comissão de Urbanismo, Obras, Serviços Públicos e Meio Ambiente, por conta da sua experiência como secretário regional do Boa Vista. Também em 2007 assumiu a presidência da Comissão de Ética da Câmara.

A grande conquista se deu em 2008, ano em que tomou para si o assento de presidente da Comissão de Legislação, Justiça e Redação. Hoje, depois de muitas leituras, até sabe os projetos que não entram na casa de jeito nenhum. “Recebemos da Prefeitura muitos projetos, principalmente de alterações da lei de uso e ocupação do solo. Eu mando de volta. Esses projetos têm muitos interesses por trás”. Lê todos os dias, a ponto de se achar capacitado para contrapor idéias sobre legislação do assessor jurídico da Câmara, o advogado Maurício Rosskamp. “Já tivemos grandes discussões”.

Para Odir Nunes, a política é um dom

No 6º mandato para Câmara de Vereadores de Joinville, Nunes ainda sustenta o ideal de emancipação do distrito de Pirabeiraba

Camila Prochnow – prochnow.camila@gmail.com

“Sempre tive vocação para a política. Deus dá um dom a cada um de nós. Meu dom é para a política”. A pergunta tinha sido feita para entender o motivo da escolha pela política, mas já serviu de brecha para perguntar qual a relação do vereador com a religião. Ele diz ser católico. Praticante? ― pergunto. “Sim, praticante!”, responde com todo o orgulho de quem fez três anos de teologia pelo Centro Diocesano de Joinville e que agora faz um curso baseado num estudo mais aprofundado da Bíblia. Atrás de sua cadeira, numa espécie de bancada, está a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

“Tem que fazer o que gosta, eu não vivo da política”, é o que diz o vereador ao contar que não é a atividade de vereador que lhe sustenta. Odir Nunes é formado em Administração de Empresas e Geografia pela Univille. Foi professor de cursos como Filosofia, História e Economia. Tem quatro filhos, três biológicos e um adotivo de nove anos. Todos os três, com idades próximas, 19,22 e 27 anos, não se ocupam de nada que envolva a política.

Odir Nunes é casado há 26 anos. Nascido em Vidal Ramos, sul de Santa Catarina, veio para Joinville aos 17 anos para estudar. Filho de agricultores da plantação de fumo, perdeu o pai aos oito anos. Numa família de 11 filhos, todos homens, Odir é o caçula. Na sua mesa, os livros “Santa Catarina no Senado” e “Ética e Cidadania” compõem o cenário sóbrio e sem grandes sofisticações.

No rol de ações fundamentais para o 6° mandato que iniciará em 2009, Odir aponta a ampla discussão do Plano Diretor como uma das principais ações. Esta discussão ocorrerá com base em um debate das leis complementares. Segundo ele, estas leis devem considerar o crescimento de Joinville. E para que ocorra de forma sustentável é necessário a criação de um cinturão verde que abraçaria bairros como Pirabeiraba e Vila Nova.

Além disso, o vereador confirma a necessidade que a cidade cresça para a zona sul. “Só temos um distrito industrial na zona norte”, lembra, afirmando que Joinville precisa de um parque industrial também na zona sul. “Os trabalhadores precisam estar mais próximos do seu local de trabalho”, lamenta.

O vereador reside em Pirabeiraba, na região do Rio Bonito. Segundo ele, foram 12 os candidatos do bairro que tentaram eleger-se neste ano. Ele afirma que sozinho angariou 41% dos votos destinados a esses candidatos, totalizando 3014 votos. O vereador, que tem sua base eleitoral em Pirabeiraba, é defensor da emancipação do distrito. Ele conta que em 1990 criou-se uma comissão de emancipação de Pirabeiraba, mas que por alguns problemas legislativos não foi possível dar continuidade ao projeto. “Seria ótimo, pois o poder estaria mais perto das pessoas”, relata.

Odir Nunes também é radialista. Na rádio Pirabeiraba, ele atua como diretor de programação e apresentador de um programa matinal. O Balcão de Utilidades vai ao ar das 8h ao meio dia na sintonia 87,9 FM. A rádio que Odir caracteriza como comunitária por sua forte atuação social tem 93% da audiência dos moradores da região. Porém, ele acha que essa visibilidade não influencia os eleitores. “Tudo depende do programa”, argumenta o vereador alegando que a rádio o ajuda a ser conhecido na comunidade, mas não chega a decidir o voto das pessoas.

A programação musical mesclada com utilidade pública, em que a comunidade anuncia coisas que queira comprar, vender, alugar, doar, é o foco do seu programa. É esta a comunidade que Odir afirma ser muito ajudada pela rádio, uma vez que o meio de comunicação – e interação – promove eventos, festas e ainda informa a população sobre o bairro. “As pessoas estão preocupadas com o que está acontecendo a sua volta”, conta o vereador.

Ele espera que termine minhas anotações. Sempre precedida de um “sabe” direcionado a mim, sua fala é enfática: “Vou visitar todas as casas de Pirabeiraba para agradecer os votos que recebi”, conta. Odir se elegeu com 4664 votos e em Pirabeiraba foram 4264 casas visitadas. “Este número compreende 99% das casas do bairro. A idéia é visitar 100% para agradecer os votos”, explica.

Marquinhos: o fiel escudeiro de Carlito

Eleito pela terceira vez, agora Marquinhos terá a companhia do também petista Carlito Merss na prefeitura de Joinville

Rayana Borba

Prestes a assumir a Câmara de Vereadores de Joinville pela terceira vez, o vereador eleito Marcos Aurélio Fernandes, 43 anos, conhecido como Marquinhos (PT), terá seu companheiro de partido Carlito Merss como prefeito da maior cidade do estado. Marquinhos, que já assessorou Carlito quando este foi vereador, deputado estadual e federal, teve o nome cotado para a presidência da câmara. Nesta eleição conquistou 5.135 votos, sendo o segundo vereador mais votado do PT e o quarto geral.

A entrevista com Marquinhos se deu na semana seguinte à eleição do primeiro turno. No local escolhido, a Panificadora da Vila, estavam reunidos o vereador; a esposa de Carlito, Marinete Merss e outro filiado do PT. À mesa, os jornais do dia, que anunciavam o apoio de Kennedy Nunes (PP) à candidatura do PT no segundo turno. Como Marquinhos foi o responsável pelas conjecturas com os demais partidos, seu celular não parou de tocar. Em uma das conversas telefônicas com Carlito, afirmou que o apoio de João Gaspar (PSB) já estava fechado, o que foi divulgado cerca de dez dias depois.

Trajetória

Nascido em Joinville, o vereador Marquinhos envolveu-se com a política ainda criança. O pai, Laércio Fernandes, 71 anos, é filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) desde a sua criação. “Lembro de ter acompanhado meu pai em vários comícios realizados na Sociedade Floresta”, diz.

Mesmo politizado a filiação ao PT só aconteceu em 1987, aos 22 anos, quando cursava história na Univille. Lá, participou no movimento estudantil como presidente do Centro Acadêmico de História, do Diretório Central dos Estudantes da Univille e diretor da União Catarinense dos Estudantes. “Foi durante o curso que conheci o PT”, afirma. No ano seguinte, 1988, apoiou a candidatura dos vereadores do PT. No partido, Marquinhos atuou, por três gestões, como tesoureiro da Executiva Municipal; monitor de formação política e coordenador microrregional.

Em 1993 começou a assessorar Carlito. Três anos depois foi convidado a sair candidato a vereador. Aceitou o convite apenas na eleição seguinte, em 2000, quando foi eleito com 1.916 votos. No primeiro mandato, Marquinhos se dividia entre a sala de aula e a Câmara de Vereadores, militando também no movimento no Sindicato dos Trabalhadores em Educação. Em 2004, foi reeleito com 3.022. O número permitiu que, no último ano do mandato, fosse vice-presidente da Câmara. Neste pleito, elegeu-se com 5.135 votos.

A campanha para a reeleição

Marquinhos pensou a campanha para a reeleição em 2008 baseado no seu último mandato. “Na Câmara trabalhei setores da assistência social e educação. Batalhei pela vinda da UFSC, consolidação do Cefet”, assume. Dessa forma, os materiais impressos tiveram como base social o público concentrado no magistério. As propostas traziam soluções para problemas como a falta de CEIs, a pouca quantidade de vagas na educação infantil e a questão de acessibilidade.

O número de vereadores eleitos pelo PT agrada Marquinhos. Segundo ele, o quociente eleitoral está dentro do esperado. “Três vereadores seria pouco; cinco, ultrapassaria as nossas expectativas”, declara. Marquinhos concorreu a eleição com mais 22 candidatos dentro do mesmo partido. Para ele, o alto número de concorrentes, que antes o apoiavam e agora concorreram, prejudicou o seu desempenho.

Eleito, Marquinhos sabe que a luta não terminou: “A campanha só acaba no dia 26 de outubro com o Carlito prefeito. Nesses dias tenho trabalhado mais do que na campanha inteira”, diz. O vereador afirma ter dedicado grande parte de seu tempo para acumular voto ao candidato a prefeitura do PT. “Em cada casa que eu ia, o primeiro voto pedido era pro Carlito”, comenta.