A paciência no mercado

Crônica

Guilherme Cardoso – primeirapauta.ielusc@gmail.com

A paciência é um dom que muitos adquirem com o passar do tempo. Domingo, em um hipermercado de Joinville passei por uma verdadeira saga, minha paciência quase se esgotou. Naquele dia Felipe Massa corria sua última corrida em 2008, e eu corria para poder ver seu desafio.

Após um belo almoço acompanhado de meus pais, fui ao mercado para comprar um pote de sorvete de dois litros. A intenção era permanecer no mercado por no máximo cinco minutos. Mas não, a vontade de saborear o pote rosa de sonho de valsa era tanta que fiquei aproximadamente 50 minutos dentro do mercado.

Assim que cheguei, vi uma fila imensa nos caixas rápidos, cerca de 300 pessoas se aglomeravam numa fila idêntica àquelas de banco. Pensei em desistir, mas não, tinha os caixas convencionais ainda. Me frustrei de novo. Os caixas tradicionais tinham dois ou três clientes com carrinhos cheios de compras. Resolvi parar e esperar em um deles, achando que ali ia ser breve.

A moça do caixa estava muito devagar e, enquanto isso, dois casais conversavam sem parar logo em frente – o papo era sobre o prefeito eleito de Joinville. E eu ali, com meu sorvete pingando, já havia feito uma grande poça de água no chão – literalmente! Ele derreteu, e um outro casal me aconselhou a trocar o meu pote. Então, o melhor a fazer era trocar mesmo. Voltei e coloquei num freezer em frente ao caixa, que não estava próximo antes.

Passou 15 minutos e a moça do caixa começou a chorar por um problema com o cartão de crédito. Ali, minha paciência havia chegado ao fim, pois os motores de Interlagos já estavam roncando. Disse ao restante da fila “eu desisto”.

Nesse tempo todo, meus pais estavam me esperando no estacionamento, preocupados e irritados. Os convenci de que não tive culpa pela demora. Voltamos para casa e a vontade de tomar o sorvete ainda falava mais alto, fui a um mercado um pouco mais perto num percurso extremamente rápido.

Cheguei em casa novamente e cinco minutos depois ocorreu a largada da corrida. E eu estava satisfeito? Não, pois o sorvete não era o mesmo que tinha no primeiro mercado. É em horas como essas que vejo que a paciência é um dom.

A lição que posso tirar disso, é que, é preciso ter paciência, com tudo e com todos. A minha vontade não podia passar por cima do sentimento da operadora de caixa, nem da preocupação de meus pais.
Então é preciso ter paciência, até com as vontades biológicas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: