Vereador conquista cadeira pelo sexto turno consecutivo

Roberto Bisoni, conhecido por práticas assistencialistas, é eleito pela sexta vez em Joinville

Camila Barros

Em um sobrado de muros altos e portão de madeira no bairro Boa Vista, em Joinville, um senhor magricela, de aparência cansada, porém elegante, e seriedade notória, se assenta para tomar uma xícara de café com leite e comer pão com margarina. Ele parece querer sossego. Estamos na casa de Roberto Bisoni, de 64 anos, eleito este ano vereador de Joinville pela sexta vez.

Bisoni não fala muito. À sua frente, um amigo conversa, ele ouve e, às vezes, sorri e faz comentários. Gabriel, um adorável menino de dois anos, brinca com os farelos de pão na mesa, o senhor se distrai e deixa de aparentar tão distante. A campainha toca. São alguns desconhecidos querendo conversar. O anfitrião os recebe no portão. Mesmo sem conhecê-los, os convida para entrar e assentar-se à mesa. Pede licença, oferece um café aos visitantes e os atende, mesmo sendo 21h passadas de terça-feira.

Independente da aparência frágil, do cansaço advindo de um câncer no estomago e recente cirurgia para retirada do órgão, Roberto Bisoni continua sua caminhada em meio a funções públicas. Segundo ele, a carreira continua, embora este deva ser seu último mandato. “Ainda existe muito o que fazer aqui nas secretarias”, conta, ao falar sobre os 26 anos de vida política e cinco mandatos, dentre os quais, apenas um trabalhou na Câmara de Vereadores.

Os quatro mandatos subseqüentes foram outorgados ao seu suplente, pois Bisoni optou por trabalhar na Secretaria Regional do Comasa, que dava mais visibilidade eleitoral, lidando com obras de asfaltamento, saneamento básico e prestando serviços à comunidade que, segundo ele, não teriam sido feitos se ele estivesse na câmara, pleiteando por licitações que raramente vingam, votando projetos do prefeito e assistindo à situações que trariam frustração.

“Sou ativo, gosto do que dá mais trabalho… em um mandato, consegui muito mais ruas asfaltadas pela região atendida por minha secretaria, do que duas outras secretarias concluíram juntas até então”, conta feliz e com orgulho.

Bisoni é empresário desde muito novo. Já foi dono de imóveis para aluguel, bares, lanchonetes, mas desejava fazer algo que fosse ao encontro das necessidades de seus vizinhos e conhecidos. Hoje, ao perguntar por que ele trabalha com política, Bisoni responde, de forma irreverente: “É melhor ajudar, do que pedir ajuda”.

Ele acredita que o cargo político, mesmo com todas as mazelas e corrupções as quais conhecemos neste meio, é o caminho que lhe ofereceu a oportunidade ou os meios de trabalhar junto à comunidade, de receber as pessoas em sua casa, fazer contatos importantes e trabalhar, de alguma forma, em prol da área que mais lhe pulsa as veias: auxiliar os deficientes físicos a encontrar seu espaço no mercado de trabalho e na sociedade.

 

Em vez de propostas políticas de maior peso, são projetos de caridade e auxílio à comunidade carente fazem parte de suas ações e visões cotidianas. Um de seus projetos pessoais, em fase de implementação, é disponibilizar um espaço com máquinas de costura onde mulheres voluntárias viriam para confeccionar roupas para doação. Em um pequeno quarto de sua casa, Bisoni separa (foto) tecidos que ganha e quatro máquinas de costura que recebeu de doadores.

Assim que seu mandato terminar, Bisoni vai transformar um de seus imóveis, próximo à sua residência, em um centro onde deficientes físicos vão trabalhar de forma a contribuir com a comunidade: costurando, criando peças diversas de auxilio doméstico e profissional, entre outras atividades que lhes possibilitem conquistar um espaço de interação social e perspectiva profissional e pessoal.

Na primeira candidatura, em 1982, Bisoni sugeriu à esposa, Luzia Bisoni, que deixasse o trabalho de garçonete em uma lanchonete do terminal de ônibus central para ficar mais em casa ou auxiliá-lo na campanha, mas ela optou por manter a atividade, completando vinte anos na função, até se aposentar. As condições financeiras favoráveis nunca fizeram com que a família deixasse de trabalhar, ou de receber os visitantes, nem de caminhar pelas ruas vizinhas.

“Se eu não cuidar, o Roberto chega a gastar, em uma semana, o que ele ganha em três meses como vereador”, afirma a esposa. O empresário joinvilense, José Jucimar Raimondi, 44 anos, afirma ter acompanhado a trajetória dos políticos de Joinville e confirma que Bisoni é um homem do povo. “Ele se preocupa com o povo, está sempre nas ruas, conversa com todo mundo. Gosta de ajudar. Acho que ele não consegue fazer outra coisa”, afirma. Raimondi é um cidadão que não votou no Bisoni, mas segundo ele, foi porque apoiava outro candidato e tinha certeza que seu voto não faria diferença na eleição de Bisoni. “Eu sabia que ele seria reeleito. Não precisava do meu voto”.

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