Quinzinho prefere o Executivo

Joaquim Alves dos Santos, 48 anos, vereador recém-reeleito em Joinville, está muito mais acostumado a dirigir a Secretaria Regional do Jardim Paraíso do que às burocráticas tarefas da Câmara de Vereadores. Quinzinho, como a maioria dos conhecidos o chamam, foi eleito em 2008 para o terceiro mandato, com 3834 votos, representando o PSDB.

Felipe Silveira – felipopovfelps@gmail.com

Eleito pela primeira vez em 2000, ele deixou a Câmara para assumir a Secretaria Regional do Jardim Paraíso no ano seguinte. Em 2004, se licenciou do cargo administrativo para concorrer à reeleição e ganhou. Pouco depois, estava novamente à Secretaria, voltando ao Legislativo em 2008 para concorrer novamente.

“Eu acordo às cinco e meia para pegar às seis horas na Secretaria”, orgulha-se – ressaltando que o horário padrão é às 8 horas. “Faço isso para atender ao pessoal que trabalha em horário normal e não pode esperar”. Quinzinho sente-se à vontade no Executivo: “Aqui você pode fazer, não tem que pedir para ninguém. A única coisa que manda é o orçamento. Se tiver dinheiro, você pode fazer”.

E a Secretaria pode fazer o vereador perder o mandato. Acusado de comprar votos com materiais (saibro) da Secretaria Regional, Quinzinho alega que isso foi um boato espalhado pelo adversário para destruir sua carreira. “Não tem nenhum processo contra mim, não abriram inquérito. Tentaram me derrubar”, declara. Ou ele não sabe do inquérito ou está mentindo. A denúncia foi feita ao Cartório Eleitoral de Joinville, que pediu informações à Polícia Federal. O inquérito está em andamento. Se a denúncia for comprovada, Quinzinho será julgado pela Justiça Eleitoral e poderá perder o mandato.

Quinzinho nasceu em 1960 na pequena cidade de Ataléia (MG) e aos sete anos se mudou para a também pequena Iratama (PR), onde ficou até os 18 anos. Chegou a Joinville no dia 11 de novembro de 1978, ano em que a “Manchester Catarinense” crescia tanto que era obrigada a importar trabalhadores de outros estados, principalmente do Paraná.

Trabalhou na Fundição Tupy e foi morar numa região próxima à fábrica, onde formava-se uma comunidade, composta, majoritariamente, por famílias oriundas do Paraná, e por isso chamada Vila Paranaense. “Eu fui um dos primeiros moradores da vila, o quinto, eu acho”, conta Quinzinho, que ainda mora lá.

Hoje, a Vila Paranaense tornou-se o bairro Comasa, que forma, junto com o Jardim Paraíso, a base eleitoral de Quinzinho. “Comecei a minha vida política com o trabalho comunitário na região. Sempre trabalhei no setor privado, mas fazíamos um trabalho para desenvolver a região, que era abandonada”, conta.

Após sete anos trabalhando na Tupy, cinco na Wetzel e dez no setor de material de construção, Quinzinho concorreu pela primeira vez ao cargo eletivo em 1996, pelo Partido dos Trabalhadores (PT). “Infelizmente”, murmura, como se fizesse um pequeno sacrifício para revelar esse fato do passado. Tendo feito 1022 votos na primeira eleição, Quinzinho reclama não ter sido reconhecido no PT, no qual se filiou em 1995 e saiu em 1997, aderindo ao Partido da Social Democracia Brasileiro (PSDB).

“É um partido em que você tem voz, pode opinar e construir juntos”, explica. Após trabalhar por três anos como fiscal da Secretaria de Habitação, se elegeu em 2000 se elegeu pela primeira vez com 2371 votos. Assumiu a Secretaria Regional do Jardim Paraíso em 2001 e lá dobrou o eleitorado para o pleito de 2004, conquistando 4086 votos e a décima colocação entre os vereadores mais votados.

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