O petista que desafia Carlito

Vereador reeleito, Adilson Mariano não pretende mudar suas estratégias no Legislativo

Ana Carolina Luz – anacarolinadl@gmail.com

De calça jeans, sapatos esportivos escuros combinando com a camiseta preta, celular à mão, Adilson Mariano chega à sua sala exatamente às 15h55, cinco minutos antes do horário combinado. À vontade, inicia a conversa falando de sua satisfação por ter sido reeleito vereador com 5.574 votos, número que o deixou na segunda colocação dos mais votados. “É, parece que tenho feito um bom trabalho”, satisfaz-se.

Filho de José Ernesto e Rosalina Beumer Mariano, Adilson nasceu em 1974. Aos 14 anos começou a trabalhar na Metalúrgica Duque, empresa na qual permaneceu por 13 anos. Cursou história na Univille no período de 1993 a 2000. “Demorei mais do que o normal porque precisei trancar alguns semestres devido ao trabalho político”, justifica.

Aos 18 anos, Mariano concorreu à primeira eleição para vereador de Joinville. Na ocasião, conseguiu 490 votos. Tentou novamente em 1996. “E consegui 587 votos a mais que a eleição anterior”, comemora, mesmo não tendo sido eleito. Com a segunda derrota no Legislativo, Mariano partiu para o trabalho de assessoria do então deputado estadual Assis, do PT, ainda em 1996, com quem ficou até 2000.

Mariano vê a política como um instrumento por meio do qual as pessoas possam perceber a sociedade. “Ninguém muda o mundo sozinho”, reflete. Ele acrescenta que o cerne do problema da sociedade é o capitalismo. “O povo precisa ir a luta contra esse sistema”, acredita.

O petista faz parte da organização da Esquerda Marxista, corrente mais radical do PT, que diverge em alguns pontos da linha seguida pelo prefeito eleito no último dia 26 de outubro, Carlito Merss, e pelo também vereador Marquinhos Fernandes — os três são os principais nomes do partido em Joinville. Mariano explica que Carlito e Marquinhos são reformistas, enquanto ele — e a esquerda marxista — acredita que o atual sistema está fadado ao fracasso.

Na opinião de Carlito, o PT está sim dividido em algumas correntes, mas apenas internamente. “O Mariano é um vereador que tem clareza e importância significativa para o partido”, diz. Por isso, crê que os dois certamente se auxiliarão mutuamente nos quatro anos de mandato. No entanto, Mariano faz questão de deixar claro que, mesmo sendo do mesmo partido e defendendo os mesmos ideais, poderá haver divergência se o prefeito e sua equipe desviarem dos objetivos por ele defendidos: “Aí, seremos oposição”.

Vereador 24 horas por dia, de acordo com suas palavras, Mariano é casado há dez anos, mas ainda não tem filhos. “Estamos tentando, mas naturalmente ainda não deu”, lamenta, cogitando a hipótese de adoção. Professor de história para a segunda e a terceira série do ensino médio em uma escola pública do Parque Joinville, Mariano lembra bem humorado que, quando o contrataram para o cargo, muitos pais ficaram receosos, pois o achavam brigão. “Felizmente desfizeram essa imagem de mim”, comemora. “Só sou radical para ver os problemas resolvidos”.

Longe da Câmara de Vereadores, Mariano dedica o tempo livre para assistir a filmes de época, de ficção e policiais. “Não alugo filmes de política, sou normal”, brinca. Costuma ir às compras aos sábados ou domingos pela manhã. E só em mercados de bairro. “Shopping? Nem pensar”, ressalta.

No dia-a-dia, lê apenas para preparar suas aulas, além de dar uma passadinha nos jornais. “Aprendo muito no debate”, percebe. Mas a falta de leitura o faz pensar que lhe falta teoria. “Por isso, aproveito o período de férias para ler um ou dois livros, para tentar tirar o atraso”, comenta bem humorado.

Freqüentador assíduo da igreja católica, Mariano apega-se aos primeiros cristãos para exercer sua função pública. “Sempre lembro do que a bíblia diz sobre as pessoas dividirem seus bens com alegria”, conta, ligando a frase aos princípios socialistas. Todos os domingos, das 18h às 20h, Mariano participa com a esposa do grupo de reflexão de sua paróquia. “Jesus Cristo é admirável, é um referencial”. Além disso, também toca violão em um grupo que anima as celebrações. “É meu espaço para recarregar as energias”, admite.

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