A morena

Obras de Machado permanecem atuais

Rafael Costarc7comunicacao@gmail.com

Escrever uma crônica sobre Machado de Assis parece ser tão encantador quanto apaixonar-se por aquela morena linda de cabelos lisos e olhar tímido na fila do supermercado, com o carrinho cheio de produtos naturais, vestida com uma calça jeans desbotada e uma blusa comum. Nada parece ser o que é quando pensamos no Bruxo. “Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia”, talvez por isso Várias Histórias podem ser tiradas de suas sustentáveis interpretações.

O que você ouviria aproximando-se daquela morena e dizendo a ela: Tu, Só Tu, Puro Amor. Nada? Um sorriso? Um tapa? Qualquer coisa. “Busquei, sim, haver-me de maneira que o poeta fosse contemporâneo de seus amores, não lhe dando feições épicas, e, por sim dizer, póstumas. Isto me remete a falsas intenções eróticas, a coisas e causos comuns do cotidiano moderno racional e tão pouco deslumbrante. “Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta, mas, em verdade, vos digo que pensava em outra cousa”. Até parece Rubião em Quincas Borba. Mas é. Não se surpreenda.

Tudo isso parece ser muito confuso, então entenda. “Acabara o suplício e acabará o homem”. Entenda o porque e acabam-se os poréns. Não tenha medo, encoste na morena e pergunte a ela sobre aquele pão de cor estranha do qual você nunca irá comer e comece uma boa conversa. Você consegue, pois em Memorial de Aires, Machado de Assis explica porque não fazer. “Aqui estou, aqui vivo, aqui morrerei”. Comum e plástico, é a sabedoria abraçando o desprezo, o sabor da língua da morena em sua boca antes do seu fim.

Quem sabe a morena lhe passa o endereço do pecado. Pode ser logo ali. Antes da casa de “Iaiá Garcia”, próximo a algumas Histórias sem datas, longe da sua imaginação. Se quiser eu te conto o nome da morena. Helena. Entregue Falenas para ela. Suplique sua vontade diante de tanta beleza. Esqueça aquela dona de casa preconceituosa na fila ao lado com seu netinho chorão e fale sem desprezo:

“Eu conheço a mais bela flor;
És tu, rosa da mocidade,
Nascida, aberta para o amor.
Eu conheço a mais bela flor.
Tem do céu a serena cor,
E o perfume da virgindade.
Eu conheço a mais bela flor,
És tu, rosa da mocidade.”

Se não der ser certo, depois conte a seus amigos Esaú e Jacó. Mas se der certo, Dom Casmurro morrerá de inveja. Sinta a verdade aflorar suas idéias, sinta o brisa de sua respiração pedir para que lhe beije. A esta altura a morena já estará quase a se derreter em seus braços. Agora, se terminar o convite para sair com Crisálidas. Sorria. Pois ela estará sorrindo. Então a convide de vez e ofereça sua cama naquela Casa Velha, cheia de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Desfrutando da vida de Potira como O Alienista, usando a Mão e a Luva, durante toda a Semana.

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