Terceira edição, Joinville, 13 de outubro de 2008

E se Deus recebesse e-mail?
A busca pela espiritualidade também caminha com os avanços da tecnologia. No mundo virtual, fiéis e ministros trocam experiências e informações.

Internautas utilizam Orkut para buscar qualquer tipo de ajuda
Muito além de um site de amizades e entretenimento, o Orkut ajudas as pessoas até a procurarem um novo emprego.

Alunos de Joinville estudam astronomia
Projeto de extensão da UDESC leva projeto para estudantes das escolas públicas de Joinville.

Na internet, o rádio é sem fronteiras
Com a digitalização do meio de comunicação, as rádios conquistam fidelidade, proximidade com seus ouvintes e mais participações na programação.

Venda de ingressos online não faz sucesso em Joinville
a facilidade digital ainda não conquistou seu espaço na comunidade joinvilense, que ainda prefere buscar aquisições nos pontos de venda.

Refeiçoes num click
Na correria do dia-a-dia, pedir um prato gourmet ou fast food pela internet ficou ainda mais fácil e popular.

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Editorial

Ambigüidade digital

Comunicar-se com os amigos e parentes mais distantes. Matar as saudades. Pagar as contas. Fazer negócios. Lançar pensamentos e idéias. Consultar dados. Informar-se. Entreter-se. Educar-se. Fazer campanha política. Passar o tempo, ou ganhar tempo? A internet está presente, cada dia mais e com maior participação na vida do brasileiro.

Através dela, a vida pode se tornar mais simples, prática e econômica, ainda mais agora com acesso mais democratizado e rumo ao acesso mais econômico e, quem sabe, gratuito – se vencermos as barreiras impostas pelas companhias telefônicas.

Se voltarmos o olhar para os aspectos positivos do acesso à internet e da forma como podemos utilizá-la em nosso dia a dia, a vida digital do joinvilense pode tornar-se muito mais econômica e prática. Basta um click, e um mundo de informações úteis estão à sua frente.

Em breve, a própria educação e os negócios poderão acontecer a partir do lar, como já é realidade para muitos brasileiros. Embora esta não seja a opção mais saudável ou agradável a todos, saber encontrar-se no mundo virtual é hoje, essencial para estar atualizado.

O joinvilense está, aos poucos, aprendendo a usufruir desses benefícios. Até as instituições de ensino estão se comunicando mais com seus alunos, pais, prospects e docentes, oferecendo informações úteis e educativas.

Apesar desta incrível jornada de descoberta das praticidades advindas da tecnologia virtual, não podemos deixar de questionar o quanto isso pode afetar o convívio pessoal e o desempenho social da comunidade, afinal de contas, à medida em que as crianças crescem cada vez mais familiarizadas com o computador e a conectividade da internet, mais os parques estão se extinguindo sem tocar a nossa percepção.. Afinal de contas, cada vez mais caminhamos para uma sociedade em que as áreas verdes e livres estão com falta de transeuntes, e na qual, a cada dia que passa, mais pessoas estão trabalhando em home offices, estudando em homeschools e, pedindo comida pela internet.

Observar nossos relacionamentos neste momento é fundamental para repensar os estilos de vida que estamos criando, pois o que nos traz a comodidade, precisa ser um braço para uma vida melhor e não um mecanismo que nos conduza a uma vida solitária e presa em sua virtualidade.

Orkut auxilia usuários nas tarefas cotidianas

Muitos internautas joinvilenses encontram no site de relacionamentos um lugar para estabelecer laços de ajuda

Rafaela Mazzaro – fafa_mazzaro@hotmail.com

Segundo pesquisa realizada pelo Ibope NetRatings, o Orkut é o site mais acessado pelos brasileiros. Dentre os usuários entrevistados, 70% são freqüentadores assíduos do site de relacionamentos e chegam a abrir cerca de 1.300 páginas por mês. Mas se engana quem pensa que o Orkut não passa de uma ferramenta para encontrar e fazer amigos. Sua função vai mais além. Muitos internautas aproveitam a visibilidade que o site proporciona para conseguir um emprego, encontrar um cãozinho perdido ou, até mesmo, arrumar uma carona.

Existem mais de 1,5 mil comunidades relacionadas a Joinville. Além de reunir gostos em comum, elas dão voz aos participantes por meio dos fóruns de discussão. Qualquer usuário que se torna membro de uma comunidade pode criar um tópico dentro no fórum. Esse tópico é um meio para que o membro possa registrar algo que esteja relacionado com o tema da comunidade.

O micro empresário Paulo Flores participa da comunidade “Carona Joinville Florianópolis” e conta com a ajuda de outros integrantes do grupo, por meio de um pedido escrito no fórum, para vir até Joinville visitar sua namorada. “Normalmente os caroneiros são os mesmos, um acaba conhecendo o outro”, responde ao ser questionado sobre a confiabilidade do site.

Paulo também escreveu um livro sobre adoção por meio de depoimentos recolhidos no Orkut. Assim como ele, o estudante de engenharia mecânica Filipe Gaio Ramos, que atualmente estuda em Florianópolis, entrou na comunidade na tentativa de conseguir uma carona até Joinville. “Eu participo da comunidade há pouco tempo, essa foi a primeira vez que tentei uma carona, mas vários amigos meus sempre vão e por enquanto não tiveram problemas”, ressalta Filipe.

E por que não usar a ferramenta para conseguir a tão esperada vaga no mercado de trabalho? Antonio Marsoz trabalha no Programa Via Cidadão, que seleciona candidatos para empresas de Joinville. Para procurar pessoas que queiram preencher as vagas, ele “fuça” a comunidade “Empregos Joinville” na tentativa de encontrar algum pedido de emprego que se encaixe nos pré-requisitos exigidos pelas empresas.

Antonio sabe que muitos não acreditam nas suas propostas de emprego feitas por meio do site. “Estamos com vagas em aberto e entrevistas em andamento. Já me ligaram cinco pessoas depois que viram o anúncio no Orkut. Cheguei a marcar entrevistas para esta semana, mas não sei se os candidatos vão comparecer”. Ele não vê problemas em buscar candidatos no site de relacionamentos. “Tenho várias vagas em aberto, mas está difícil conseguir pessoas especializadas”.

Viviane Sipriano também recorreu à comunidade “Abrigo Animal Joinville” para procurar o dono de uma cadela encontrada por uma amiga. Assim como ela, muitos usuários que perdem ou acham cães colocam fotos e pedidos de ajuda nas comunidades. Alguns até encontram nos tópicos um modo de debater sobre as crueldades sofridas pelos animais.

Além das comunidades citadas, existem milhares onde o internauta pode compartilhar suas dúvidas, oferecer ajuda e pedir uma mãozinha, nem que seja para conseguir uma recomendação de um restaurante ou negociar um livro usado.

Algumas dicas de comunidades em Joinville

Restaurantes Joinville: Comunidade para troca de idéias e dicas entre frequentadores, proprietários e profissionais de restaurantes de Joinville

Sebo Virtual – Joinville/SC: Comunidade destinada para trocas e vendas de livros, discos, HQ e demais materiais

Festas Joinville: Comunidade para divulgação de festas e eventos

Procuro Banda – Joinville/SC: Comunidade destinada aos músicos de Joinville e Região que estão a procura de bandas e contatos

Muamba Joinville: Atua como uma espécie de mercado livre do Orkut. Destinada a venda, troca e compra de produtos

Sites de serviços facilitam a vida do cidadão joinvilense

Emissão de B.O, impressão de faturas e consulta à dividas são algumas das facilidades proporcionadas por sites

Camila Prochnow – prochnow.camila@gmail.com

Digite algumas palavras chaves no Google. A partir daí um universo de muitas opções se abrirá na tela do computador. É assim que sites disponibilizam vários serviços ao cidadão de Joinville com acesso à internet. Com apenas um clique é possível emitir um boletim de ocorrência, a segunda via da fatura do telefone, ou ainda consultar o seu saldo de multas de trânsito. Só a página da Prefeitura Municipal da cidade já tem diversos links que levam a muitos outros endereços de órgãos joinvilenses. Seinfra, Conurb e Ippuj são algumas das instituições lincadas no site.

A tarefa de dirigir-se à delegacia mais próxima, às vezes não tão próxima assim, para emitir um boletim de ocorrência após um acidente de trânsito pode ser bem mais simples. Na página do 8º Batalhão da Polícia Militar de Joinville escorregando o mouse para o tópico de taxas pode-se emitir uma cópia de um boletim de ocorrência sem nenhuma complicação.

Já na página da Secretaria de Infra Estrutura Urbana (Seinfra) o internauta pode consultar o processo nos alvarás de construção e localização. Além disso, o contribuinte tem condições de informar-se sobre quais são as obras em andamento na cidade, aquelas concluídas, bem como as ruas que foram recentemente pavimentadas.

No portal da Celesc quando visitado o link de serviços que leva ao acesso das faturas, pode-se retirar a segunda via de fatura da conta e o facilidade aumenta quando há a opção do pagamento pela internet. Informações como indenizações de danos em equipamentos, taxa de iluminação pública e taxa de serviços também estão na web.

A Companhia de Saneamento Básico Águas de Joinville também oferece um site bem estruturado. Tendo em mãos o número da matrícula da conta de água, o usuário tem acesso às suas faturas pagas, débitos pendentes, faturas a vencer e a leitura do consumo.

Quando o assunto é telefonia fixa a página da Brasil Telecom tem espaço dedicado ao cliente: no menu “Sua Conta”, depois de efetuar um cadastro no site, o usuário pode gerenciar sua conta visualizando gráficos de consumo, por exemplo. Uma das formas de pagamento é on line. Quem preferir pode optar pela emissão do boleto no site ou ainda pelo débito automático. As solicitações de conta por e-mail ou alterações de data de vencimento também são completamente virtuais.

Apesar de configurar-se como uma página repleta de informações o site da Prefeitura Municipal de Joinville poderia facilitar mais a vida dos joinvilenses. O portal se encarrega de levar a outros links de órgão municipais e acaba apresentando poucos serviços ao cidadão. Em comparação com o site da Prefeitura de Florianópolis, por exemplo, o site de Joinville perde pontos quando não propicia a impressão de taxas como o IPTU. Ainda, as informações hospedadas no site são mal organizadas e a navegação não é muito fácil.

E se Deus recebesse e-mail?

Em Joinville, boa parte das igrejas já tem o próprio endereço na web. Entre mensagens, informações históricas e notícias sobre eventos, há espaço para o internauta enviar online o próprio pedido de oração.

Rosimeri Back
– primeirapauta.ielusc@gmail.com

De cara, o primeiro acesso ao site religioso da Paróquia São Francisco Xavier traz uma curiosidade: “Envie seu pedido de oração”. O recado pode ser deixado online, preenchendo nome, e-mail e a mensagem da graça que se deseja obter. Além desse exemplo, outras igrejas joinvilenses também já aderiram à tal ferramenta.

Deixando a onisciência de lado, como essas mensagens chegariam a Deus? É impossível não lembrar do personagem de Jim Carrey no filme Todo Poderoso: um deus-jornalista que recebe milhares de e-mails por segundo e, ao se deparar com a caixa de entrada lotada, resolve responder “Sim” a todos os pedidos. A partir daí, a vida se complica. Deve ser por isso que, na prática, a coisa não funciona assim.

No site da Catedral São Francisco Xavier há entrevistas e informações sobre a história da Catedral, além da explicação do sentido dos seus grandes e coloridos vitrais. O fiel internauta também pode acessar as galerias de fotos de grupos de cristãos em curso de catequese e ficar por dentro da programação de eventos. No menu esquerdo da página, a ferramenta “Pedido de oração” faz vigília à espera dos fiéis.

Segundo a secretaria da Paróquia, que tem acesso a essas mensagens, o site recebe de dois a três recados por dia. Após enviar o pedido, é possível escolher qual a forma de retorno que se aguarda da igreja (telefone ou e-mail). Assim, os recados são impressos e, se forem realmente pedidos, são depositados numa caixa, que vai ser incorporada na oração da quinta-feira. Dependendo do caso, o pedido é encaminhado diretamente ao padre, que formulará a melhor resposta para o cristão.

A Igreja do Evangelho Quadrangular também oferece essa ferramenta. Segundo a secretária Pâmela Monique, o site recebe pedidos de pessoas conectadas por todo o território nacional. Mas ela não sabe informar qual a média de recados, porque “varia muito”. A cada semana, as mensagens deixadas online são reunidas por um grupo chamado de Ministério de Interseção, que se reúne todas as terças-feiras em alguma casa, para rezar pelos pedidos e manter esse exercício de oração contínua.

Já a Igreja Batista do Sétimo Dia, também oferece espaço para envio de “Pedido de oração”, mas publica a lista dos pedidos deixados no site. Assim, qualquer um pode colaborar com a corrente de oração.

Se a questão é interação virtual, a Diocese de Joinville, que é uma igreja de 81 anos, vai além. Apesar de não disponibilizar essa ferramenta, o site anuncia o chat diocesano, Orkut, Messenger, blog e publicações multimídia.

Na internet o rádio é sem fronteiras

Nas plataformas digitais, o rádio de Joinville atinge número ilimitados de ouvintes que têm a possibilidade de interagir diretamente na programação.

Linda Tomelin – linda@fm89.com.br

Com o advento da tecnologia, o rádio tem procurado se adaptar para conquistar ouvintes multimídia. O que parecia uma ameaça, tornou-se um aliado. O surgimento da internet, com suas facilidades musicais, gerou muitas especulações sobre o fim do rádio. Porém, as rádios conquistaram seu espaço e a fidelidade de internautas e ouvintes de todos os continentes. Sem o ambiente digital isso não seria possível.

Em Joinville, segundo o presidente do sindicato dos radialistas, José Eli Francisco, 65 anos, há cinco rádios FM: Atlântida, Colon, Floresta Negra, Jovem Pan e Itapema. As cinco emissoras têm portal na internet e disponibilizam aos ouvintes internautas a rádio online.

A Colon FM tem seu site desde 2005. Além da rádio online, o portal tem a história da emissora, programação, links de fotos e vídeos; em que, curiosamente, não há vídeos. A interação com o internauta se dá em quatro possibilidades: peça sua música, mural (as mensagens postadas ficam expostas), enquete – avaliando a programação (boa, ótima ou excelente) e entre em contato. A página tem o link para adicionar o ouvinte ao msn da emissora e a comunidade do orkut. Para João Carlos Duriex, 49 anos, coordenador artístico da Colon FM, o site permite uma maior proximidade da rádio com o ouvinte.

No site da Floresta Negra o que chama atenção é o link de publicidade é uma maneira de vender espaço que tem riscos, na avaliação de Augusto Almeida, 32 anos, formado em sistemas de informação.”A poluição visual em um site pode ser sinônimo de poucos acessos, a página deve saber equilibrar propaganda e atrativos de uma forma que não canse quem estiver navegando”, comenta o analista de sistemas.

Além da mesma interação que a Colon oferece, a Floresta Negra também disponibiliza notícias em tempo real (feitas pelo núcleo de jornalismo), o link de busca, Newsletter (para receber as novidades por e-mail) e um blog de Ana Paula Peixer. A rádio online é acessada diariamente por 300 internautas que segundo Rejane Gambin, 41 anos, gerente de jornalismo, são de todos os cantos do planeta. “Temos ouvintes de Portugal, Japão, Alemanha e África. Só a internet para propor essa acessibilidade”, garante.

Para rádio ser acessada via internet é utilizado streaming de áudio (pacote de informação que é enviado para cada ouvinte que se linkar). Cleber Luiz Fiorentin, 47 anos, gerente da Microum – empresa que vende o programa, cobra R$ 1 mil pela implantação e desenvolvimento do player. Para Fiorentin, a internet proporcionou uma revolução para o meio rádio. “As rádios online estão democratizando a maneira de fazer rádio, e o acesso a elas está cada vez mais comum e facilitado”.

Observação astronômica é realizada em escolas de Joinville

Um projeto idealizado pelo professor José Fernando Fragalli, da Udesc Joinville, tomou forma em agosto de 2007 e caminha para o segundo ano.

Lorena Trindade – lorena_trindade@yahoo.com.br

Desde agosto de 2007, o curso de Física da Udesc Joinville colocou em prática o projeto “Astronomia como base de educação para a ciência”. A idéia do professor José Fernando Fragalli foi transformada em projeto de extensão e com a colaboração de dois bolsistas, Iury Körting de Abreu e Juliana Motter, a observação telescópica começou a ser levada para além dos muros do campus.

As escolas públicas de ensino médio e fundamental têm a chance de ampliar o conhecimento de seus alunos. Além das instituições, todas às sextas-feiras, a observação astronômica acontece no campus da universidade, a partir das 18 horas, no campus da universidade. Mas esta não é a única ação dos físicos. Para reunir os interessados na ciência que move o mundo, mais projetos, trabalhos e experiências podem ser conferidos no site http://www.mundofisico.joinville.udesc.br/index.php ou no portal da universidade.

As escolas interessadas em receber o telescópio deve entrar em contato com o Departamento de Física da Udesc. O telefone é: 4009-7944 ou 4009-7858.