Auto Show queima pneu e seu próprio filme

Carros modificados invadem o CTG Sítio Novo e fazem número de apresentação que não empolga o público.

Ariane Olsen – aloha_ani@yahoo.com.br

O evento Car Tuning Auto Show é a tentativa de Joinville de se mostrar um pólo tecnológico no ramo automobilístico. O evento aconteceu no Sítio Novo no domingo 14, patrocinado pela Rádio Atlântida. A idéia – e a propaganda – era mostrar super-máquinas tunadas, lindas e poderosas, fazendo manobras. Porém, resumiu-se a queimação de pneu.

O grande evento de carros começou com três veículos expostos: um Ford Cougar, um Passat e um quadriciclo. O Auto Show contava também com uma feirinha de peças, expostas no chão. Mais de meia hora depois, a população de quatro rodas aumenta. Chegam rebocados dois carros pelos quais ninguém dava absolutamente nada: um Chevette e outro Passat.

Todos estavam equipados com motores diferentes, muito mais potentes do que os originais. O Chevette equipado pela equipe dos Chevetteiros de Joinville tinha um V12, motor que costuma ser usado em embarcações marítimas e aeronáuticas. Pode-se imaginar o barulho que tomou conta do espaço quando os rapazes do grupo “Pistões Nervosos” ligou o automóvel.

Os dois automóveis recém chegados fizeram show às 14h30, pena que de curta duração. Membros do Pistões Nervosos Auto Show pilotaram os carros fazendo manobras e giros rápidos em um pequeno espaço. Movimentos perigosos (para o público) e que demandam uma precisão quase impossível de ser calculada com exatidão foram concluídos com sucesso em menos de cinco minutos. Depois disso, horas de intervalo. Os carros continuavam expostos, com o capô levantado, mas as apresentações prometidas não aconteceram tão cedo.

A decadência
A aparência dos veículos não prometia muito. a carcaça de muitos estava mal pintada, por vezes, enferrujada, e entupida de adesivos de patrocinadores. A única exceção foi o Cougar, brilhante, azul e encerado, sem uma peça fora do lugar. Os carros compensavam em tecnologia a nota baixa em matéria de aparência. Possuíam computador de bordo, motor super potente, pedaleiras esportivas e pneu especial para manobras.

Joinville possui diversos clubes automobilísticos: os Chevetteiros, os Pistões Nervosos, o Veteran Car Clube, o Celta Clube, Passat Clube, sem contar o Moto Clube. Encontram-se também várias oficinas que modificam e tunam seu veículo. Uma rápida busca na lista telefônica da cidade traz mais de 64.575 resultados para a palavra “tuning”.

O balão que chegaria às 15h se atrasou mais de uma hora e meia. As motos que se via queimar pneu e fazer barulho não eram as da exposição, mas as do público. Aliás, público muito bem equipado. Vários visitantes apareceram montados em suas motocicletas de mais de 600 cilindradas.

Aproximadamente 4 mil pessoas prestigiaram o Auto Show, segundo estimativas divulgadas na Rádio Atlântida – patrocinadora do evento. Todas elas desesperadas para encontrar alguma distração. Os carros não andavam e as motos e o balão não apareciam. Impacientemente, os porta-malas dos carros estacionados por ali eram levantados, e, exibindo as 6 a 8 caixas de som, compartilhavam com os visitantes seu estilo de música predileto. Posicionando-se no centro da feira, podia-se escutar vindo de diferentes direções um pouco de rock, sertanejo, pop, música eletrônica e até pagode. As melodias misturavam-se tanto que por pouco era impossível distinguir uma música da outra.

De música em música, de cerveja em cerveja, o público ficava cada vez mais bêbado durante os intervalos sem fim entre uma apresentação e outra, e cada vez menos interessado nos carros. O Car Tuning Auto Show transformou-se em uma balada, quase uma rave, com pessoas dançando no teto dos carros. Foi perceptível que havia chegado a hora de partir quando a garrafa de whisky do grupo ao meu lado, antes cheia, encontrava-se vazia, e um jovem dançava sem camisa com notas de um real penduradas para fora da calça. Era uma vez um evento de carros…

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Uma resposta

  1. Ariane,

    Não estive neste encontro, mas realmente acredito em suas palavras, afinal estive a uns 2 anos atrás neste evento e pelo que me parece está nos mesmos moldes…excelente matéria e perspectiva jornalítisca, precisamos fielmente de jornalistas com esta abordagem, até mesmo para “cutucar” os órgãos que promovem este evento assim como a população de começar a exigir e questionar tais formas de organização de um evento..principalmente quando tal organização se mantém durante anos na mesma situação!
    Parabéns pelo trabalho, estou contente por ler grande parte das reportagens da Primeira Pauta e ter uma boa concepção dos jornalistas que o curso está formando. Particularmente estava com uma visão um pouco preconceituosa durante algum tempo dos jornalistas formados no IELUSC, até mesmo por vivenciar este meio acadêmico durante alguns anos.

    abraços
    Vinicius Bonelli Vieira
    Bacharel de Turismo

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