Esposas dos policiais militares anunciam panelaço e manifestação nos principais batalhões da Polícia Militar. O movimento cobra do Governo do estado um reajuste para os militares, que não podem fazer greve
Everson Henning – everhenn@ig.com.br
As esposas dos policiais militares prometem fechar os quartéis da PM em todo o estado nos próximos dias. O movimento, organizado por um grupo de mulheres na capital, surgiu devido a uma limitação da profissão dos maridos: a Constituição Federal, em seu artigo 142, proíbe os militares de fazer greve. Os policiais militares, civis e agentes prisionais reclamam que estão há três anos sem negociação salarial. Segundo as associações de classe, o último aumento foi concedido em outubro de 2005.
O movimento das esposas age em sintonia com a Associação dos praças de Santa Catarina (APRASC), entidade que representa os soldados, cabos e sargentos da PM e do Bombeiro, e que também promete uma mobilização antes do início de dezembro. Sentindo a dificuldade de driblar as proibições e reunir uma grande número de policiais para a greve, a associação resolveu pedir ajuda às mulheres. “Elas também são parte interessada nessa luta por melhores salários. Quando a coisa aperta são as primeiras que sentem”, justifica Elisandro Lotin, vice-presidente da Aprasc.
Apesar de propor a mesma pauta de reivindicação que a Aprasc, o movimento se diz independente. “Vamos agir de forma autônoma, sozinhas, sem a ajuda dos esposos. Vamos inclusive decidir nossas próprias ações durante a paralisação”, afirma Lucita Costa Pereira, uma das coordenadoras do grupo. Em Joinville, a reunião do movimento das esposas está marcada para a próxima quinta-feira, dia 20. Questionada se a segurança pública na maior cidade do estado pode ser prejudicada, Lucita é direta: “Joinville é fundamental para o nosso objetivo. É a cidade do governador. Se não tiver negociação até o fim do mês vamos fazer a polícia de Joinville parar”.
A idéia de mulheres irem pra rua reclamar o salário dos esposos não foi inventada em SC. Em agosto, um movimento parecido deixou as principais cidades de Rondônia sem policiamento. A capital Porto Velho ficou 24 horas sem transporte coletivo, depois que as mulheres fecharam os acessos aos terminais. Com o slogan “não somos só esposas, somos companheiras”, o movimento, antes de vir para Joinville, vai tentar uma audiência com a primeira-dama do estado, Ivete Appel da Silveira, na manhã de quarta-feira. O reajuste pretendido pelos policiais chega a 45%, e está previsto na Lei 254, sancionada pelo governador Luiz Henrique em dezembro de 2003.
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